Deus é incapaz de nos abandonar

0

Desde o princípio de nossa caminhada na fé, ouvimos muito falar sobre os atributos de Deus: Misericordioso, Manso, Justo, Generoso, Onisciente, Humilde, Fiel, Obediente, Onipresente, etc. Aprendemos também que Deus não tem Amor, e sim, que Deus É Amor. Ou seja, qual a diferença? Ser Amor é um estado permanente de Deus; é imutável, é incondicional! Tomamos, assim, consciência de tudo o que Ele já fez por nós… passamos a conhecer um Deus gigante! Um Deus Poderoso, um Deus Onipotente, um Deus Bondoso, um Deus que entregou o Seu Filho Único para dar a nós uma nova chance de vida. Existe amor mais vigoroso que este? Não! Não há outro igual! Porém, mesmo sabendo do tamanho de tudo isso, quando Deus vem e nos dá provações ou até mesmo quando falhamos no caminho, ainda assim, caímos na tentação em achar que Deus poderia, sequer, pensar em nos abandonar. A verdade, todavia, é que se Nosso Senhor apenas considerasse essa possibilidade, nós já não estaríamos aqui há muito tempo. Deus silencia, Deus repreende, Deus testa, Deus educa, mas Deus nunca nos abandona!

Afinal, que lógica teria isso? Antes de você ter consciência de sua própria existência, Deus já te amou. Antes de você escolher quais caminhos traçaria em sua vida, Ele já te quis. Deus não precisou de nenhuma prova de que seria retribuído para apostar em você primeiro. Abandoná-lo, então, no meio do caminho, jamais se encaixaria em tudo isso: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, Eu não te esqueceria nunca. Eis que estás gravado na palma de minhas mãos, tenho sempre sob os Meus olhos tuas muralhas.” (Is 49, 15-16). Essa é a promessa que Nosso Senhor fez ao seu povo. Deus não é inconstante, Deus não muda de ideia, quando Ele promete, é para sempre.

Há momentos em que nós, por outro lado, vacilamos. Ficamos frágeis, sensíveis, algo acontece e nos afeta, talvez não seja seu dia, talvez você esteja angustiado ou preocupado. Até aí tudo bem. Acontece que quando nos encontramos mais vulneráveis em nosso emocional ou espiritual, o inimigo aproveita a brecha nos tentar, insinuando que Deus nos abandonou. Nossa intimidade com Deus é o que determinará como lidaremos com isso. Não podemos dar corda a essas vozes maliciosas, pois quando deixamos de acreditar que Deus está conosco, começamos a nutrir um sentimento de rancor e vamos nos distanciando Dele. Só conseguiremos passar pelas provações, pelos vales tenebrosos, pelas solidões e desertos se mantivermos a esperança na presença de Nosso Senhor. Sem ela, ficaremos atolados por lá.

Muitas vezes, é preciso ser racional quanto a isso. Não sentir Deus está muito longe de significar que Ele não está presente, e é necessário maturidade espiritual para tomar posse dessa verdade. Deus precisa silenciar algumas vezes. Faz parte do nosso crescimento. Todavia, Seus olhos nunca desgrudam dos nossos, pois se Deus nos permite situações complicadas é porque Ele será o sustento necessário. Mas… e quando as coisas são piores do que isso? E quando sentimos que decepcionamos Deus? E quando pecamos? Será que Ele ainda continua conosco?

Deus sempre permanece. Ele espera por nós. Quando queremos viver a vida como o filho pródigo e saímos andando mundo afora sem rumo, Deus permanece de braços abertos como o pai da parábola. Ele mantém-se na casa, Ele se prepara e anseia pela nossa volta. Ele limpa nosso quarto, Ele organiza uma festa. Deus não desiste de nós, não importa o quão longe nos distanciamos.

Às vezes, caímos no erro de pensar que precisamos fazer muitos esforços e conquistar o Céu com nossas próprias forças, e que o Senhor desistirá de nós diante de nossas misérias. É claro que o caminho ao Paraíso não é fácil, mas o problema é quando nos esquecemos de que Jesus já morreu em uma cruz para nos dar o Céu! Nós já ganhamos este Céu! Cristo veio para nos salvar da morte depois de tudo o que o homem fez contra Deus, porque Ele é misericórdia pura. E o sacrifício de Cristo, ao contrário do que muitos pensam, não parou no tempo. Não está preso na história. O sacrifício de Cristo é atual! Ele se renova todos os dias, ele acontece verdadeiramente todos os dias. Deus não desiste de você, ao contrário, Ele morre por você a cada segundo necessário. Quando tomamos posse da salvação, entendemos que não é das nossas forças que chegaremos à santidade, não somos capazes assim. É da insistência do Senhor em nos salvar sempre que caímos.

Pois é! Quem é esse Deus que insiste e não desiste de nós? Quem é esse Deus que anseia pela nossa salvação mais que nós mesmos? É um Deus que ama a sua Criação mais do que qualquer pecado, um Deus que entende nosso tempo para compreender nossas demoras. Deus é paciente, é pedagógico. Deus nunca irá nos abandonar.

 

Deus investiu muito em nós ao longo de toda a história da humanidade e de nossa história pessoal. Ele tem toda a paciência do mundo para continuar a nos gerar a cada instante, a cada segundo; para nos formar e para nos acompanhar em todos os nossos processos de crescimentos humano e espiritual até enquanto durar nossa existência neste tempo, nesta terra de exílio. Ele esperou anos pelo momento certo de esbarrar em nosso caminho ou de falar conosco pela primeira vez. Deus preparou cada detalhe para nos fazer entender sobre o Seu Reino. Existe muito por trás do que pensamos de nossas vidas, coisas que talvez só descubramos ao morrer. Você sabe quantos anos Deus esperou pelo seu nascimento? Você tem noção de tudo o que Ele precisou fazer para que você encontrasse com o Seu amor? Diante de tudo isso, de todo esse amor, você ainda acha que Deus seria capaz de te abandonar? Pois é. Parece tudo muito insano alguém como eu e você ser amado de tal forma por um Ser divino. Isso nunca vai entrar em nossa cabeça completamente. No entanto, seria estranho se entrasse, pois Ele é Deus e nós somos apenas criaturas. Criaturas essas que nunca estarão sozinhas e que todos os dias ganham o presente mais importante que alguém poderia ganhar: a companhia incessável do Todo-Poderoso em sua vida.

Giovana Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator 

Deixe uma resposta

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui.