Deus, que é amor, é capaz de nos castigar?

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amor

Ouvimos tanto falar sobre o amor que Deus tem por nós, que nos é estranho pensar na possibilidade de sermos castigados por Ele. Isso se torna até mais aversivo no contexto social em que vivemos, no qual castigar é cada vez mais entendido como contrário ao amor.

Temos visto leis que se impõe, com o discurso de proteger os filhos de pais agressivos, que não têm medidas ao castigar. Que, no entanto, tiram dos pais o dever e o direito que têm de determinar limites àqueles que estão aprendendo a viver.

O castigo, quando utilizado de forma correta, é sinal visível de amor, de cuidado, de quem deseja o bem do outro. Muitos pais afirmam que se sentem com o coração apertado quando precisam castigar seus filhos. Pois não sentem prazer ao verem os filhos sofrer. Contudo, sabem que o castigo e o sofrimento são um bem, uma vez que conscientizam sobre o mal e educam para o bem.

Um pai que realmente ama seu filho e que tem consciência de seu papel em sua formação e desenvolvimento, por exemplo, sabe em qual momento deve ser mais dócil e quando deve ser firme para preservar o filho de maiores sofrimentos.

Da mesma forma, Deus, porque nos ama como Pai. Ele Se utiliza do castigo para nos educar e nos preservar no bem. Obviamente, como nos ensina as Sagradas Escrituras, Deus prefere manifestar Seu amor por nós tomando-nos pelos braços, com laços de amor (cf. Ose 11). Contudo, se Lhe somos indiferentes, se resistimos às Suas manifestações e nos desviamos do caminho de felicidade que Ele tem para nós, Ele não nos abandonará, porque é fiel. Mas Se utilizará de qualquer outro meio para nos atrair novamente para Si.

Amor e sofrimento

Quantas pessoas só se voltam para Deus e se convertem após um grande sofrimento, como a morte de um familiar, um acidente ou uma doença. Deus não se alegra com o sofrimento do homem, mas permite pedagogicamente alguns sofrimentos para que nos voltemos para Ele, para que nos voltemos para a felicidade verdadeira. Deus prefere nos castigar e nos ver sofrer temporariamente nesta vida a nos ver sofrendo para sempre no inferno.

Aceitar os sofrimentos e os castigos que nos são impostos exige de nós maturidade e uma profunda convicção de que somos amados como filhos.

“Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige? Mas se permanecêsseis sem a correção que é comum a todos, seríeis bastardos e não filhos legítimos.” (Heb 12,7-8)

Uma criança que não é corrigida pode aparentemente pensar que é muito amada pelos pais. Pois faz o que quer, quando quer, sem se preocupar em ser repreendida, mas no fundo de seu coração não se reconhece amada de verdade. Isto porque, ao perceber que os pais a deixam solta à deriva da própria vontade, não se sente cuidada. Pois a repreensão, de alguma forma, revela que os pais estão com a atenção voltada para ela.

Num primeiro momento, o castigo é, sim, doloroso. Mas quantas pessoas adultas são gratas a seus pais por terem recebido uma educação severa que proporcionou a formação de um caráter reto e evitou desvios para caminhos tortuosos, muitas vezes sem volta.

O que lemos em Eclesiástico 2,1-5, conforme abaixo, evidencia muito bem que o sofrimento, humilhação, dor e provação, para nós, cristãos, são grandes sinais de que somos agradáveis a Ele. Somos amados, e de que tudo isso tem a finalidade de nos corrigir e nos purificar, assim como é feito com o ouro e a prata:

Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação.”

A graça no sofrimento

Peçamos ao Senhor a graça de encararmos os castigos como manifestação do imenso amor e misericórdia que Ele tem por nós. Lembremo-nos de que Deus, que deseja nos ter para sempre com Ele no céu, prefere nos ver sofrer aqui a nos ver sofrer eternamente na outra vida.

Que em nós haja sempre a disposição de exclamarmos como São Paulo: “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada.” (Rom 8,18)

Edvandro Pinto
Discípulo da Comunidade Católica Pantokator

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