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Devo rezar mesmo sem vontade?

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Uma das estratégias do inimigo é tentar minar a força de seu opositor. Ele vai tentar, de todas as formas, que você deixe de rezar. Pode te atrapalhar com inúmeras distrações, sono, preguiça, pensamentos desanimadores de que você não sabe rezar, de que não tem tempo para isso ou até que rezar é “perda de tempo”!

Ao deixarmos algo tão essencial para nossa vida com Deus ao léu de nossa vontade, abrimos caminho para o fracasso. Por acaso o paciente tem vontade de engolir as amargas e incômodas pílulas de seu tratamento ou ele faz por necessidade?

O fato é que precisamos rezar se queremos alcançar nosso objetivo final: nossa união com Deus, o céu! Com ou sem vontade, com ou sem consolações, sabendo ou não; porém nos dispondo a sempre aprender mais, buscando os meios que a Santa Mãe Igreja nos dá para crescermos na oração.

Ao experimentarmos a graça de uma oração constante em nossas vidas, não deixaremos mais de rezar! Encontraremos tempo e momento, segundo a graça que o próprio Espírito Santo nos dará se pedirmos.

A oração alimenta a alma. Uma boa comparação é o alimento corporal. Será que devo comer mesmo sem vontade? Qualquer um verificará que se uma pessoa, por alguma doença, se recusar a alimentar-se justificando não ter vontade, além de não colaborar na cura, piorará. Se a pessoa perder a vontade de comer de forma permanente e nada for feito, vai emagrecer até morrer. Isto é fato!

Na realidade espiritual acontece da mesma forma, porém com uma diferença essencial, não é tão aparente. A alma enfraquecida, doente, acaba ficando escondida até morrer de inanição, mas a pessoa continua sua “vida” exterior, muitas vezes até fabricando falsos sorrisos nas redes sociais.

Nossa humanidade marcada pelo pecado não pode e nem deve esperar de si as motivações para lutar pelo Bem, pois a todo o momento o “falso bem” nos atrai, prometendo mil prazeres passageiros. Tantas vezes nos confundimos! Mas como discernir o Bem verdadeiro do falso? Se minha alma está bem alimentada, ela é capaz, pela graça do Espírito Santo; porém, se está enfraquecida, não conseguirá enxergar, e se alguém apontar, não terá forças próprias para lutar por ele e aí só a misericórdia de Deus!

Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-lhe um de seus discípulos: Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos” Lucas11,1

Jesus não “precisava” rezar, mas o fez por nós, para nos ensinar, nos mostrar a necessidade, a potência e a essência da oração. Ele não tinha “vontade” de ser pregado na Cruz, porém se deixou pregar por amor a nós e ao Pai que Lhe havia confiado essa imensa missão de nos salvar.

Aba! (Pai!), suplicava ele. Tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres.” Marcos14,36

A liberdade verdadeira está em escolher sempre o Bem e a sabedoria está em submeter a minha vontade à Vontade desse Bem! No caminho para o Céu, quem basear sua vida em sua própria vontade desordenada, acabará pegando os atalhos da conveniência do pecado que o levará a outros lugares.

Quando a falta de vontade de rezar quiser nos afastar da vida de oração, há inúmeros conselhos e exemplos de perseverança na vida dos Santos que nos ajudam nesse combate, sigamo-los! Conhecendo a vida desses homens e mulheres que alcançaram a santidade, saberemos que todas as fraquezas humanas, iluminadas pela graça divina, podem ser superadas pela perseverança na oração, pois é nela que recebemos a força de Deus!

Para terminar, é importante estabelecer e preservar o tempo da oração, cumprindo-o com fidelidade. Se ajudar, uma dica simples é o uso de meios que favoreçam a concentração nesse período, por exemplo, pode-se observar um crucifixo e pensar sobre ele, contar para Deus o que você vê ali; ler uma oração simples, como a Ave Maria e pensar sobre cada palavra.

A vontade de rezar pode ser um desafio em vários momentos em nossas vidas, porém, a vontade de amar a Deus e nos unir a Ele deve nos impulsionar a seguir em frente na oração com “determinação determinada”, como nos ensina a Santa e Doutora da Igreja, Teresa d’Ávila, com a qual termino esta breve reflexão:

Não vos espanteis, filhas, das muitas coisas que é necessário considerar antes de dar início a esta viagem divina, que é caminho real para o Céu. Indo por ele, ganha-se inestimável tesouro: não é muito que, ao nosso parecer, nos custe caro. Tempo virá que se entenda como tudo é nada em comparação de tão grande prêmio.

Tornando agora aos que os querem seguir sem parar até o termo – que é chegar a beber desta água de vida – direi como se há de fazer quem principia. Importa muito, e acima de tudo, uma forte e inquebrantável determinação de não parar até chegar à fonte, – venha o que vier, suceda o que suceder, custe o que custar, murmure quem murmurar; quer chegue ao fim, quer morra no caminho ou não tenha coragem para os trabalhos que nele se encontrem; e ainda que o mundo venha abaixo, como acontece muitas vezes.”(Caminho de Perfeição, cap.XXI)

Rosana Vitachi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

Rosana Vitachi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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