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Divina Misericórdia: conheça essa Devoção e como bem praticá-la

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A Devoção à Divina Misericórdia é hoje conhecida mundialmente. Queremos aqui mostrar o surgimento dessa devoção e como você pode praticá-la a fim de alcançar as graças prometidas por Jesus a todos os que se confiarem à Sua Divina Misericórdia.

A misericórdia talvez seja a ação de Deus mais intrínseca à vida do ser humano. Jesus, o “Rosto da Misericórdia”, é a prova mais concreta de que Deus nos ama. Vale reforçar o significado da palavra misericórdia: miserere (miséria) + cordis (coração): o amor que acolhe e se derrama sobre a miséria. Assim é o amor de Deus ao homem. Um amor que ultrapassa a justiça e acolhe aqueles que, contritos, abrem-se a esse amor. O amor de Deus ao homem é essencialmente misericórdia! E a prova desse amor infinito de um Deus que se derrama em favor do homem é a salvação que Cristo nos alcançou com Sua Paixão e Ressurreição.

Divina Misericórdia: conheça essa Devoção e como bem praticá-la

Essa é justamente a imagem que Nosso Senhor Jesus Cristo escolheu para revelar à Santa Faustina Kowalska a imensidão de Sua misericórdia e o quanto Ele deseja que o ser humano A receba. A imagem de Jesus Misericordioso  tão conhecida em nossos dias, fala por si: do peito aberto de Jesus Crucificado pela lança do soldado, jorraram sangue e água. Jesus declara a Santa Faustina que essa é a fonte da Divina Misericórdia.

Ponto central da Devoção

Se Jesus se entregou, padecendo uma morte terrível e humilhante por amor a nós para nos salvar da morte eterna e nos livrar da condenação ao inferno, o que haveremos de temer? Por que não confiar em Sua Bondade e Amor? O ponto central das aparições de Jesus à Santa Faustina é a confiança na Divina Misericórdia. Santa Faustina escreveu em seu diário, publicado sob o título “A Misericórdia de Deus em minha vida”, os desejos e promessas de Jesus aos que confiarem em Sua Misericórdia, bem como, o desejo que celebrassem no Segundo Domingo da Páscoa, a Festa da Divina Misericórdia.

Quem foi Santa Faustina?

Santa Faustina, nascida Helena Kowalska, veio ao mundo em 1905 no seio de uma pobre família camponesa no lugarejo de Głogowiec, a oeste de Łódź na Polônia. Santa Faustina Kowalska entrou para a vida religiosa em 1924 na Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia. Seu confessor, Beato Miguel Sopoćko, exigiu de Santa Faustina que ela escrevesse as suas vivências em um diário espiritual. Este diário compõe-se de alguns cadernos. Desta forma, não por vontade própria, mas por exigência de seu confessor, ela deixou a descrição das suas vivências místicas as quais ocupa algumas centenas de páginas. Faleceu em 5 de outubro de 1938. Sua canonização aconteceu em 30 de abril de 2000, pelas mãos do Papa João Paulo II, de quem também conseguiu a instituição da Festa da Divina Misericórdia.

Deus é acima de tudo Misericórdia!

Vale ressaltar que a Igreja nessa época vivia ainda sob uma influência velada do jansenismo. O jansenismo, a pretexto de severidade, acabava inculcando os preceitos morais tão erradamente que a pessoa desanimava de se salvar, pois afinal de contas, não podia cumprir aquela moral de fariseus como eles a apresentavam. O ponto mais desconcertante defendido pelo jansenismo dizia respeito à doutrina da predestinação. Segundo essa, o homem deveria cumprir aquela moral tremendamente severa, pairando sobre ele o olhar propenso à irritação e à vingança de um Deus, cuja santidade consistia apenas em estar à espera do pecado para infligir o castigo. Assim, a exemplo de Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Faustina revela ao mundo que esse Deus é acima de tudo: Misericórdia!

Divina Misericórdia: conheça essa Devoção e como bem praticá-la

João Paulo II, o papa da misericórdia

São João Paulo II, o papa que canonizou Santa Faustina, instituiu essa Festa na Igreja por um decreto emitido pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em 23 de maio de 2000. Disse o então Papa João Paulo II, no dia 30 de abril de 2000, dia da canonização de Santa Faustina: “Em todo o mundo, o segundo domingo de Páscoa receberá o nome de Domingo da Divina Misericórdia. Um convite para o mundo enfrentar, com confiança na benevolência divina, as dificuldades e as provas que esperam o gênero humano nos anos que virão”. Voz de um profeta que sabia o valor da confiança na Divina Misericórdia para os dias que hoje vivemos.

Cinco pontos fundamentais da prática devocional à Divina Misericórdia

Abaixo vemos pontos fundamentais que Jesus pede a Santa Faustina e a todos os que desejam viver sob a graça da devoção à Divina Misericórdia. Esses textos foram retirados do Diário de Santa Faustina.

  1. Confiar na Divina Misericórdia

“Desejo conceder graças inimagináveis às almas que confiam em minha misericórdia. Que se aproximem deste mar de misericórdia com grande confiança. Os pecadores obterão a justificação e os justos serão fortalecidos no bem. A quem depositar sua confiança em minha Misericórdia, Eu encherei sua alma com minha paz” (Diário 687).

  1. A confiança é a essência, a alma desta devoção e a condição para receber graças

“As graças de Minha misericórdia se tomam com um só recipiente: a confiança. Quanto mais uma alma confia, tanto mais receberá. As almas que confiam sem limite são meu grande consolo e sobre elas derramo todos os tesouros de minha graça. Alegro-me que me peçam muito porque meu desejo é dar muito, muitíssimo. A alma que confia em minha misericórdia é a mais feliz, porque eu mesmo cuido dela. Nenhuma alma que tenha invocado minha misericórdia ficou decepcionada, nem ficou confusa. Compraz-me particularmente a alma que confia em minha bondade” (Diário 1578).

  1. Nossa atitude com as pessoas precisa ser uma atitude de misericórdia

“Exijo de ti obras de misericórdia que devem surgir do amor por mim. Deves mostrar misericórdia sempre e em toda parte. Não podes deixar de fazê-lo, nem desculpar-te, nem justificar-te. Dou-te três formas de exercer a misericórdia: a primeira é a ação; a segunda a palavra; e a terceira, a oração. Nessas três formas se encerra a plenitude da misericórdia e é um testemunho indefectível do amor a Mim. Deste modo a alma louva e adora minha misericórdia” (Diário 742).

  1. O amor ativo ao próximo: outra condição para receber graças

“Se a alma não pratica a misericórdia de alguma maneira, não conseguirá minha misericórdia no dia do juízo. Ó, se as almas soubessem acumular os tesouros eternos, não seriam julgadas, porque a misericórdia anteciparia meu juízo” (Diário 1317).

  1. Ao menos um ato de misericórdia por dia

“Deves saber, Minha filha, que Meu coração é a própria Misericórdia. Deste mar de misericórdia as graças se derramam para todo o mundo. Desejo que teu coração seja a sede de Minha Misericórdia. Desejo que essa misericórdia se derrame sobre todo o mundo através de teu coração. Quem quer que se aproxime de ti, não pode ir-se sem confiar em minha misericórdia, que tanto desejo para as almas” (Diário 1520).

 

Cinco formas de devoção à Divina Misericórdia indicadas por Jesus à Santa Faustina

Abaixo você confere cinco formas de devoção à Divina Misericórdia indicadas por Jesus à Santa Faustina. Elas têm o intuito de nos fazer permanecer constantemente na Divina Misericórdia, mergulhados, absorvidos pelo Amor Misericordioso de Deus.

  1. A Imagem de Jesus Misericordioso

Em 22 de fevereiro de 1931, Santa Faustina teve uma visão de Jesus, vestido de túnica branca, com a mão direita levantada para abençoar, e a esquerda sobre no peito, de onde saíam um raio vermelho e outro branco. Disse-lhe Jesus: “Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós. Prometo (a quem a venerar) já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte. Eu mesmo a defenderei como Minha própria glória” (Diário 47). Santa Faustina perguntou o significado dos raios da Imagem. Jesus respondeu: “O raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas” (Diário 299).

  1. A Festa da Misericórdia

O Diário de Santa Faustina revela que esta festa é um desejo de Jesus: “Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. Jesus deu a essa Festa tamanha importância que chegou a dizer: O Meu coração se alegra com essa Festa” (Diário 699).

  1. A Novena à Misericórdia

Cada dia da novena se inicia com uma intenção particular, proposta pelo próprio Senhor. Santa Faustina acata as intenções propostas e compõe uma série de pequenas orações. Jesus disse: “Desejo que, durante estes nove dias, conduzas as almas à fonte da Minha misericórdia, a fim de que recebam força, alívio e todas as graças de que necessitam (…) Cada dia, conduzirás ao Meu Coração um grupo diferente de almas e as mergulharás nesse oceano da Minha misericórdia“. As intenções e invocações para a novena estão no Diário, nos números 1210 a 1229.

  1. O Terço da Misericórdia

Trata-se de outra forma de devoção ensinada por Jesus a Santa Faustina. O Senhor lhe disse: “Essa oração serve para aplacar a Minha ira. Tu a recitarás por nove dias, por meio do Terço do Rosário, da seguinte maneira: Primeiro dirás o ‘Pai Nosso’, a ‘Ave Maria’ e o ‘Credo’. Depois, nas contas de Pai Nosso, dirás as seguintes palavras: ‘Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro”. Nas contas de Ave Maria, rezará as seguintes palavras: “Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro”. No fim, rezarás três vezes estas palavras: “Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro” (Diário 474 a 476).

  1. A Hora da Misericórdia

A forma de culto à Misericórdia Divina é a recordação da hora em que se deu a morte redentora na Cruz, hora em que, do coração de Cristo, jorraram Sangue e Água como fonte de misericórdia para nós. Eis as palavras de Jesus: “Às três horas da tarde, implora à Minha misericórdia especialmente pelos pecadores e, ao menos por um breve tempo, reflete sobre a Minha Paixão, especialmente sobre o abandono em que Me encontrei no momento da agonia. Esta é a Hora de grande misericórdia para o Mundo inteiro. Permitirei que penetres na Minha tristeza mortal. Nessa hora nada negarei à alma que Me pedir pela Minha Paixão” (Diário 1320).

Edgard Gonçalves

Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

Referencias

A Misericórdia de Deus em minha vida – Diário de Santa Faustina – Editora Apostolado da Divina Misericórdia

Faustina Kowalska

5 passos para aprofundar o conhecimento na Devoção à Misericórdia

Cinco pontos essenciais da devoção à Divina Misericórdia

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