Há um entendimento teológico a respeito da Criação de Deus que me faz pensar no tamanho do amor de Deus por mim e pelo homem: “Deus está me criando a todo o momento, agora mesmo, quando você está lendo este texto, Deus está criando você”. Com isso, Ele nos mostra que quem sustenta a nossa vida é o Seu amor. Se Deus parar de pensar em mim, eu deixo de existir, tudo aquilo que tenho e que Deus me deu: as pessoas, os sonhos, famílias etc; simplesmente não terá lembrança de minha existência. Mas, ao mesmo tempo, mostra que tudo o que tenho foi Deus quem me deu, tudo é mostra de Sua criação e de Seu amor por mim, que se atualiza e permanece a todo o momento na minha vida. Deus sustenta a minha vida, a minha existência!

Esse pensamento me leva à experiência de comunhão com Deus e com tudo aquilo que faz parte da minha vida: família, trabalho, relacionamentos, amizades, bens materiais, ou seja, tudo aquilo que compõe a minha vida. De modo que tudo isso me leva a experimentar Seu amor na minha vida; são mostras concretas deste amor.

Quero com isso lhe propor que olhe para a sua vida neste momento, de modo a reconhecer o que Deus lhe deu. E pergunto: “E se Deus não der mais nada além daquilo que já deu?”.

Nós, homens, temos o defeito de reconhecer algo valioso quando perdemos, de não dar o valor adequado e necessário para aquilo que temos. Por exemplo: qualquer ameaça à vida nos faz pensar e refletir sobre o modo como estamos vivendo. Se alguém perde o emprego, isso nos faz pensar como estamos trabalhando para que não corramos o risco. Ou seja, somos levados e influenciados pelo medo. No medo não há amor; um é justamente oposto ao outro.  O apóstolo São João, em sua Primeira Carta, escreve: “No amor não há temor; antes, o amor perfeito lança fora todo temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor” (1Jo 4 18).

Pensar que posso perder algo me move a querer algo de alguém e de Deus; nossos relacionamentos com os homens e com Deus são tomados por essa lógica de ganho. E quando há possibilidades de perda, nós nos angustiamos, temos medo e duvidamos da legitimidade dessa relação. Somos tomados por um desamparo humano, pelo medo. Porém, quando me encontro com este Amor que me criou e me deu tudo, passo a pensar: como posso perder algo se foi Ele (Deus) quem me deu tudo? Que posse (propriedade) tenho das coisas e da vida?

Com isso, eu me deparo com a conclusão de que tudo aquilo que tenho me foi dado com a finalidade de ser sinal do amor de Deus. Nada é meu; é apenas meio e motivo para me encontrar e permanecer neste amor.

Tudo está nas mãos de Deus

O mundo, marcado pelo pecado, gera a necessidade e a ideia de sermos apenas seres materiais, de uma realidade única e concreta deste mundo, distantes de uma vida de fé e no Espírito. Chegamos ao ponto de ter que nos esforçar muito para sair da correria e da agitação do mundo e do nosso interior, para conseguir encontrar Deus e se relacionar com Ele. Por outro lado, e como consequência desse encontro, ao nos relacionarmos com Deus, somos tomados a uma compreensão nova com relação à vida e a uma nova relação com as coisas deste mundo. Somos chamados a dar ordem para cada coisa. Assim é a ação de Deus, que vem ordenar e reger cada área da minha vida.

Precisamos hoje realizar um ato de fé de que tudo está nas mãos de Deus e que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus. Há uma música de que eu gosto muito, que diz: “Se Deus fizer, Ele é Deus; se não fizer, Ele é Deus!”, ou seja, Ele rege todas as coisas. E a minha e a sua vida estão guardadas em Sua Mão. Seu amor nos é favorável e fiel. Ele não nos abandona; temos certeza de sua presença em momentos em que nos concede graças concretas a partir de uma necessidade material, ou de uma necessidade espiritual, de uma cura física ou nos momentos em que Ele não Se mostra tanto, mas, Ele está lá. Santa Teresinha nos diz que a fé é a certeza de Deus em nossas vidas e que Suas ausências são como o sol que se esconde acima das nuvens: a gente não vê, até mesmo não sentimos seu calor, mas temos a certeza de sua presença e que, em algum momento, ele se mostrará e brilhará para nós.

Julio Della Torre
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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