Home Artigos Pantokrator É verdade que o papai noel existiu e pertencia à Igreja Católica?

É verdade que o papai noel existiu e pertencia à Igreja Católica?

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Não é raro encontrarmos associações entre a figura do “bom velhinho” e a de São Nicolau de Mira, que morreu no século IV. Mas será mesmo que o Papai Noel possui origens cristãs?

Não há como negar que o Papai Noel é um sujeito bastante polêmico, especialmente entre os católicos. Há quem diga que é um ídolo pagão, que não deve ser sequer mencionado dentro de um lar cristão. Há, por outro lado, outros que afirmam que “Papai Noel” foi um santo católico do século IV, e que apenas é chamado por um outro nome.

O santo em questão realmente existiu e se chama São Nicolau de Mira. Foi um homem extraordinário e que viveu nos primeiros séculos da Igreja. São Nicolau nasceu em Patras (Grécia), por volta do ano 250. Era filho de pais ricos e nobres, mas se afeiçoou muito cedo a uma vida de virtude e amor a Jesus Cristo. Após a morte dos seus pais, Nicolau decidiu usar o dinheiro da família para promover obras de caridade e justiça.

São Nicolau

Conta-se que um determinado vizinho de Nicolau estava passando por sérias dificuldades financeiras, a ponto de cogitar mandar suas três filhas para a prostituição. Naquela época, para que as moças pudessem se casar, sua família precisaria pagar um dote (que não era muito barato). Sabendo dessa história, Nicolau encheu um saco com dinheiro e arremessou pela janela da família. Com aquele valor, o pai conseguiu dar a filha mais velha em casamento e pagar seu dote. Posteriormente, Nicolau jogou outros dois sacos (referente às filhas mais novas) e, somente por um descuido, foi descoberto pelo vizinho, o qual lhe perseguiu e cobriu seus pés de beijos.

Nicolau tornou-se bispo da cidade de Mira e foi perseguido pelo imperador Diocleciano, do Império Romano. Desse modo, chegou a ficar cerca de vinte anos na prisão – período no qual manteve firme a sua fé e foi sustento aos outros presos. No final de sua vida, Nicolau teve participação importante no Concílio de Nicéia – o primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, ocorrido no ano 325.

É bem verdade que alguns aspectos da vida do nosso querido santo de Mira podem ser compatíveis com a ideia que fazemos do famoso “Papai Noel”, como o fato de jogar “presentes” pela janela (ou pela chaminé, se assim o desejarem), ou mesmo a predisposição que Nicolau tinha para ajudar as crianças necessitadas. No entanto, é preciso dizer desde já: Papai Noel não é São Nicolau!

O Papai Noel

Papai Noel é, na verdade, uma mistura de elementos reais e fictícios que povoam o imaginário ocidental desde os tempos do paganismo. É possível citar diversos desses elementos, como por exemplo: a figura mitológica de “Belsnickel” (do folclore dos países saxões), conhecido por ser um velho de barbas grisalhas e que castigava as crianças que foram mal educadas durante o ano; ou a figura de “Olentzero” (da cultura dos bascos), que seria um sujeito que distribuía presentes para as crianças boas e deixava carvão para as crianças mal comportadas.

A “mistura” de todos estes elementos foi feita pelo cartunista alemão Thomas Nast, um revolucionário ateu e anticatólico. É certo que, dentre os elementos colhidos na formação desse novo personagem, pode estar realmente presente alguma inspiração vinda de São Nicolau. Mas isso não quer dizer que o Papai Noel tenha surgido da Igreja Católica. Ora, você certamente não encontrará na história do santo alguma menção a gnomos, renas voadoras ou ao polo Norte.

Posteriormente, nos anos 30, a figura do Papai Noel passou por uma remodelação feita pela marca mundialmente conhecida “Coca-Cola”. Foi aí que o “bom velhinho” ganhou a roupagem que hoje conhecemos, vestido de vermelho, com a barba branquinha e um sorriso simpático. Em outras palavras, o Papai Noel foi criado inicialmente por um ateu e, posteriormente, foi reconfigurado para vender refrigerantes.

Apesar de tudo, não é o caso de demonizarmos a figura do “bom velhinho”. Não precisa excluir do seu Facebook aquela foto tirada com o “Papai Noel” do shopping, e nem se sinta mal se um dia incentivou seu tio a se vestir de vermelho pra alegrar as crianças. Ainda que não seja um personagem real e canonizado pela Igreja, não há nada de herético na história do vovô que entrega presentes no final do ano.

O Menino-Deus nascido em Belém

O grande problema não está no “Papai Noel” em si, mas sim no lugar que ele tem tomado na nossa tradição natalina. Infelizmente, não é raro que as crianças saibam mais sobre o habitante nobre do polo norte, do que sobre o Menino-Deus nascido em Belém. Toda aquela bonita tradição de se montar o presépio em família, falar sobre os reis magos e relembrar o episódio importantíssimo da Encarnação, foi sendo lentamente substituída pela mera chegada dos presentes.

Talvez seja esta a principal diferença entre São Nicolau e o Papai Noel. O primeiro viveu toda a sua vida para a honra e glória do nome de Jesus; o segundo tem obtido para si as atenções e os holofotes. O santo colocava Cristo no trono, como verdadeiro Deus; o “bom velhinho” tem tomado o lugar do aniversariante. O nosso querido bispo de Mira distribuía seus bens porque amava Deus nas pessoas; enquanto o mito “Papai Noel” estimula a troca de presentes pra movimentar a economia.

Quanto a nós, irmãos, não nos esqueçamos de que o presente trazido pelo Menino-Deus no Natal é muito mais valioso do que meras caixas embrulhadas e deixadas em uma chaminé. Nosso Senhor não vem na calada da noite e vai embora escondido, como o velhinho de vermelho; ao contrário, Ele bate na porta da nossa família e pede para ficar conosco. Ao invés de limparmos as “lareiras”, que possamos preparar o trono do nosso coração para receber o verdadeiro Rei e dono da festa.

Um forte abraço!

Rafael Aguilar Libório
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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