Podemos observar, não só nos tempos atuais, mas durante toda a história, uma visão distorcida sobre Deus. A maldade do mundo, heresias e testemunhos contra os cristãos (especialmente lideranças religiosas) contribuíram para que muitos formassem uma imagem de Deus “carrasco” e maldoso, sendo que na verdade, Ele é um Deus de Amor!

Se você se assusta ao encarar sua própria verdade, com todos os pecados e misérias, até aí tudo bem, é importante reconhecê-los. Mas se você acha que Deus o quer longe de Sua presença, que Ele, em Sua Santidade e Perfeição, te condena por algo, a ponto de te excluir de Seu Amor, abandone já este sentimento! Troque esse peso por esta alegria: Cristo veio ao mundo justamente em busca dos pecadores! (Cf. Mt 9,13)

“Não desanime, não se entristeça; ame a sua miséria, porque é sobre ela que Deus exerce a Sua Misericórdia”. (Santa Elisabete da Trindade)

Sondando esse incompreensível amor 

Esse Deus de Amor nos criou para o Paraíso. No Mistério da Santíssima Trindade, Ele é o Pai que ama eternamente o Filho, que se deixa amar eternamente, sendo que o Espírito Santo é o próprio elo de Amor. Nós fomos criados para participar desta dinâmica!

Mas o pecado entrou no mundo, e deixou-nos com a tendência de nos afastar de Deus, atraídos por tantos vícios, que insistimos em idolatrar. Isso fere o Coração de Deus, mas Ele não se cansa de nos perdoar. É o primeiro a cumprir o que nos ensinou: “perdoar setenta vezes sete”, isto é, sempre! (Cf. Mt 18,22) E ainda nos promete: “Se, no entanto, o mal renuncia a todos os seus erros para praticar as minhas leis e seguir a justiça e a equidade, então ele viverá decerto, e não há de perecer”. (Ez 18,21). E garante que nenhum pecado será lembrado. Deus não se compraz com a morte do pecador, mas se regozija com sua conversão e salvação (Cf. Ez 18,22-23).

Mais uma entre tantas passagens que expressam a Misericórdia: “(…)Meu coração se revolve dentro de mim, e eu me comovo de dó e compaixão. Não darei curso ao ardor de minha cólera, já não destruirei Efraim, porque sou Deus e não um homem, sou o Santo no meio de ti, e não gosto de destruir”. (Os 11,8c-9)

E, para nos libertar de nossa própria culpa, o Deus de Amor enviou seu Filho ao mundo. A essência do que Jesus nos ensinou consiste nisto: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos”. (Jo 15,12-13) E ele se entregou à Cruz, para a nossa Salvação.

Antes de Sua Paixão, Jesus orou: “Pai, quero que, onde estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo. Pai Justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste. Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lhes manifestar, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles”. (Jo 17,24-26)

Aqueles que mataram Jesus, ao saberem que o Crucificado era o Messias, ficaram aflitos, e indagaram Pedro sobre o que fazer diante disto. “Pedro lhes respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a Promessa é para vós, para os vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus”. (At 2,38-39) Quem são estes que ouvem de longe (não somente a distância física, mas temporal)? Entre eles: eu e você!!!

Então…Posso pecar à vontade? 

De maneira alguma devemos nos “folgar” na Misericórdia de Deus: isto não é amor para com Ele, mas sim ingratidão!

Diante de tanta Bondade, não é justo que nos acomodemos. Nossa forma de tentar corresponder ao amor de Deus consiste em sermos fiéis, decidirmos pelo que Lhe Agrada e fugirmos do que Lhe ofende, por mais atraentes que sejam as propostas do mal para nós.

“Se alguém me ama, guardará a minha Palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada”. (Jo 14,23)

De piores pecadores a santos 

Lembremos da história de São Paulo (perseguidor de cristãos), de São Dimas (um dos ladrões crucificados junto a Jesus), de Santa Maria Madalena (flagrada em adultério), do filho pródigo (que exigiu sua herança mesmo com o pai vivo, abandonando-o em seguida), de Zaqueu (cobrador de impostos), entre tantos outros. Eles são exemplo de vidas transformadas pela Misericórdia Divina. Por pior que fossem suas práticas, houve um momento em que decidiram abandoná-las, por amor a Deus.

Precisamos nos deixar “cair do cavalo” da soberba e, como Paulo, abraçarmos ao seguimento de Cristo, decididamente. O primeiro passo é fazer como Dimas, que na Cruz se confessou pecador junto a Jesus, o Sumo Sacerdote. Atraído por seu coração contrito, Jesus garantiu-lhe o perdão, e foi além: prometeu-lhe o Paraíso! Ele vê potencial em cada um de nós, e nos convida a aderirmos ao Seu Amor (mesmo que nos últimos instantes da vida). O Deus de Amor está sempre de mãos estendidas para nos levantar, como fez com Maria Madalena, quando seus acusadores saíram de cena. Resta-nos acolher o Seu auxílio, como filhos dependentes do Pai (ao nos percebermos distantes, tenhamos a humildade de retornar aos Seus braços e receber novamente a dignidade de filhos, o que fez o “filho pródigo”). Imitando Zaqueu, sejamos generosos com uma vida nova, buscando reparar nossos erros – quem sabe, quatro vezes mais!

São Paulo afirma: “(…) nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rom 8,38-39).

Luíza Torres
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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