Quem nunca escutou da sua mãe a expressão: eu te desejei, te sonhei e imaginei durante nove meses, esperei, ansiosamente, para conhecer seu rostinho e constatar se ele era realmente como em meus sonhos. Por isso, dizem que o amor de mãe é o amar mais semelhante ao amor de Deus, pois é assim que Ele nos ama, com um desejo. E tudo que existe no desejo de Deus se torna real. Então, assim fomos gerados, eu e você, do desejo e do sonho de Deus, ainda que este não fosse o desejo e o sonho dos nossos pais.

Tempo Presente

A verdade é uma só: Deus nos quer e nos deseja neste instante. Como para Deus o tempo é sempre presente, então, neste exato momento, Deus está nos criando e dizendo eu te desejei; isso acontece porque Ele é amor. O que isso quer dizer? Parece-me que este termo – “Deus é amor” – está tão batido, tão fora de moda, mas a verdade é que ao longo dos anos a palavra amor foi sendo banalizada, foi perdendo o verdadeiro sentido e, por conseqüência, o amor de Deus também foi.

A que se deve a banalização da palavra amor? Sabe-se que a referência do homem deveria ser o amor de Deus, pois Ele o fez à Sua imagem e semelhança, ou seja, o dotou de capacidade de reconhecer o amor e de persegui-lo. Não satisfeito, Deus Se encarna no seio da Virgem Maria e Se faz homem para nos ensinar como amar.

Mas o que vemos é justamente ao contrário, o homem por não se sentir amado e desejado por seus pais biológicos, transfere para Deus esta relação e se fecha ao Seu amor, que é sempre dom, que sempre se derrama. A verdade é que Deus é amor e o amor é difuso de si mesmo, ou seja, ele está em constante movimento de si para fora, é um derramar-se constante e perene. Deus nos desejou e nos deseja a cada instante e isso nos mantém na existência. Existimos porque Ele nos cria a cada instante de nossas vidas; isso é lindo demais.

Sonhados, Desejados e Queridos

Então, essa é a verdade a nosso respeito: no coração de Deus, fomos sonhados, desejados e queridos. Isso deve ser para nós um motivo de grande alegria, de júbilo e de louvor a Ele! Meu amado irmão e minha amada irmã, saber que somos amados por Deus é uma coisa, mas nos sentirmos amados e desejados vai além da nossa razão, passamos a ter com Deus uma relação pessoal de intimidade e damos à nossa história um novo direcionamento.

Nós não somos frutos do acaso, muito pelo contrário, nosso nome está gravado na palma da mão de Deus, e nenhum fio de nosso cabelo cai de nossa cabeça sem que Ele saiba. Reflitamos sobre isso: com que amor Deus amou o mundo que deu seu Filho para morrer na Cruz por nós. Cristo, no alto do madeiro, suspirou por mim e por ti – “eu te desejei, eu te sonhei” – e este amor não mediu consequências para que nos descobríssemos verdadeiramente amados até o fim.

Guilherme Granja
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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