Existe sentido em meu sofrimento?

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“Por que eu sofro tanto? Por que isto aconteceu justamente comigo e com minha família? Quando este sofrimento terá fim? Como posso ser feliz sofrendo deste jeito?”

Se você nunca fez alguma destas perguntas, acredito que as tenha, de alguma forma, escutado de alguém.

O sofrimento sempre foi uma grande incógnita para o homem, pois nos parece incabível termos sido criados por Deus, que é Amor, e termos que sofrer.

Ao olharmos para o relato da criação, no livro do Gênesis, veremos claramente que Deus criou o homem para a felicidade. Ao submeter toda a criação ao domínio do ser humano, concluímos que o desejo de Deus era ver o homem realizado, pleno, feliz (cf. Gn 1, 28).

A partir do pecado original, ou seja, do pecado cometido por Adão e Eva, a morte, que até então era desconhecida pelo homem, passa a ser um fato concreto em sua vida. Com isso, o homem torna-se, também, um ser suscetível ao mal, ao pecado, às fraquezas e limites, ao sofrimento. Desde então, o sofrimento passa a fazer parte da vida do homem, não por desejo de Deus, mas como consequência do pecado original.

Se o sofrimento é inerente à condição humana, então não há nada a ser feito? Teremos que sofrer para o resto de nossas vidas e devemos nos conformar com isso?

De forma mais ou menos intensa, nós sofreremos até o fim de nossas vidas. Contudo, a boa notícia, que temos para você, é que há, sim, o que ser feito a partir do sofrimento.

Segundo Victor Frankl[1], “Quando já não somos capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos”.

Esta mudança, apontada por Frankl, diz respeito à postura que devemos adotar quando estamos sofrendo.

Nosso sofrimento ganha sentido, quando, pela vida de oração, principalmente, somos capazes de olhar para ele de forma nova, com o olhar de Cristo, e de unir os nossos sofrimentos ao sofrimento de Cristo, Aquele que sofreu para nos resgatar do pecado e da morte, como podemos ler no YouCat, 102:

“Os cristãos não devem procurar o sofrimento. Se, porém, são confrontados com um sofrimento inevitável, ele pode ganhar um sentido para eles, caso unam o seu sofrimento ao de Cristo. “Cristo sofreu também por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os Seus passos. (1Pd 2,31).”

Cristo, ao ir para a cruz, sabia qual era o sentido de seu sofrimento: a sua e a minha salvação. Ele quis sofrer em sua carne humana para nos ensinar que é possível irmos além e n’Ele encontrarmos a razão do nosso sofrer.

Se você tem enfrentado sofrimentos em sua vida, permita a Cristo dar um sentido novo a eles. Una-se ao Senhor crucificado, eleve a Ele sua oração, para que, participando de Seus sofrimentos, você participe também de Sua glória (cf. I Pd 4, 13).

Não sofra mais sozinho, clame sobre sua vida o Espírito Santo, nosso Consolador, para ele que te dê a graça de suportar com paciência os seus sofrimentos, até o momento de contemplarmos a face gloriosa de Deus no céu, onde Ele mesmo “enxugará toda lágrima de seus olhos e já não mais haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor…” (Ap 21, 4).

Como Igreja, nos unimos aos seus sofrimentos e queremos rezar por você, pedindo ao Senhor toda a graça que te é necessária neste momento. Conte conosco!

Edvandro Antonio Pinto
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

[1] Médico psiquiatra austríaco, fundador da escola da Logoterapia, perseguido durante a II Guerra Mundial pelos Nazistas, por ser judeu.

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