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A existência de DEUS: realidade inquestionável

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Crer em Deus não é uma questão de escolha; é uma questão de reconhecimento de uma realidade inegável, irrefutável, uma realidade que torna as demais realidades possíveis, sem a qual tudo o mais é logicamente impossível. Isso ainda não é fé; estamos ainda no terreno do racional, do filosófico.
Deus existe.

Nessa verdade se baseia a verdade da existência do próprio Universo e de tudo o mais que há.  

Crer em Deus não é matéria de fé, como muitos pensam; é matéria de prova racional. Trata-se mais de uma constatação do que de uma crença. A totalidade da religião não é pura questão de fé. Crer em artigos específicos da fé cristã, por exemplo, isso sim, é matéria de fé (se bem que a fé cristã e todo o corpo de sua doutrina guardam uma lógica e coerência perfeitas, e baseadas em dados históricos, difíceis de contrapor… Para não aceitar a fé cristã com seus dogmas, diante dos dados e da Revelação judaico-cristã, é preciso ser mais crédulo do que Jesus nos pede! É necessário crer na “divindade da coincidência aleatória”, num esforço tremendo para acreditar que a coincidência basta-se a si mesma e tira sua lógica dela própria! É mais fácil crer em Jesus!).

A existência de Deus é matéria de prova racional. O Big Bang ocorreu porque houve uma proporção matemática já válida antes do fenômeno se manifestar. O Logos divino preexiste ao Universo. E isso não é matéria de fé, mas de prova racional. A existência – e preexistência – de Deus é condição necessária para a existência do Universo. Uma vez constatada essa verdade, cabe afirmar que ninguém tem o direito de não crer em Deus, do mesmo modo – ou num grau mais alto ainda! – que ninguém pode se opor ao princípio segundo o qual “o todo é maior que as partes que o compõem”. Crer em Deus não é uma questão de escolha; é uma questão de reconhecimento de uma realidade inegável, irrefutável, uma realidade que torna as demais realidades possíveis, sem a qual tudo o mais é logicamente impossível. Isso ainda não é fé; estamos ainda no terreno do racional, do filosófico.

Quando se diz que a existência de Deus é matéria de prova racional, não se está falando de ciência; a prova racional não se limita ao trabalho científico. A ciência é conhecimento racional organizado que parte de premissas universalmente inquestionáveis. A existência do mundo é a primeira premissa da ciência. A segunda premissa é a natureza do conhecimento humano. A ciência começa partindo dessas premissas. O alcance de nosso conhecimento da realidade é muito restrito. Nunca chegaremos ao conhecimento total da realidade terrestre; isso é incompatível com a natureza humana, porque nós morremos. Para alguém conhecer a totalidade da realidade teria que existir desde o princípio e para sempre, enquanto houvesse realidade.

Por isso, a noção de Transcendência é necessária para qualquer raciocínio!

Há duas atitudes possíveis diante da Transcendência: uma é a abertura confiante, que leva à fundação da filosofia, da ciência, da religião; a outra é o receio temeroso, que gera o agnosticismo, o medo a ponto de veladamente odiar a Transcendência; a Transcendência apavora. E a pessoa fica presa numa gaiola mental.

Um grande erro está no fato de se acreditar que aquilo que não pode ser provado por meios científicos se torna mera opinião. Acontece que os métodos científicos não servem para julgar todos os assuntos; por exemplo, quando nos perguntamos sobre o belo ou sobre a moralidade de um ato, a ciência não é capaz de responder. Os métodos científicos também não servem para a religião.

Na verdade, não é científico negar o sobrenatural. A ciência – que lida com o natural e o imanente – não capta o que cai fora da esfera natural; logo, não pode negá-lo. Uma coisa é falar do começo do universo, no sentido científico; outra coisa é a origem do universo – a sua causa –, que vai além do que a ciência pode dizer. Por ser Transcendente, Deus não se limita ao horizonte das ciências e por isso elas não podem se pronunciar a respeito. A ciência lida com recortes hipotéticos da realidade, e tudo o que ela diz vale para esses recortes; o conhecimento científico é sempre provisório: vale até que a próxima pesquisa o corrija. A ciência não tem como lidar com a totalidade da realidade, a realidade concreta. Por isso ela avança lentamente, de pesquisa em pesquisa. Deus é realidade concreta. Os métodos da ciência não podem investigar Deus, a Metafísica etc. A ciência não tem instrumental para isso.

O conhecimento científico não é o “único” acesso à verdade; esse tipo de conhecimento tem limites inerentes a seu próprio método, que impede a ciência experimental de tratar de realidades não quantificáveis.

Que não existe prova científica da existência de Deus, todos sabem. Também não há prova científica de que um cientista tenha consciência (porque isso não pode ser provado cientificamente), logo, não preciso aceitar a sua humanidade; e, no entanto, ele existe.

Se digo que Deus é onipresente, onisciente, onipotente, é claro que Ele não pode ser sequer concebido como objeto externo. Se Ele é onipresente, não posso me destacar d’Ele para observá-l’O de fora.

O único método para saber se há provas da existência de Deus é o do aprofundamento da autoconsciência. Porque você está dentro de Deus: “n’Ele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17, 28). Porque todos os entes criados recebem o ser de Deus. Nada que existe é, ou seja, tem o ser independentemente de Deus. Se nós somos, somos n’Ele. Além de me criar, Deus me mantém no ser.

A existência de uma entidade onipresente, onisciente e onipotente está dada pela simples existência da realidade. Não é algo que seja contestável, a não ser que alguém prove que não há consciência dentro da realidade, que não há autoconhecimento. Se posso dizer a palavra “eu” com alguma consciência de causa, é porque isso existe dentro do Universo. Aí, o ateu é que tem que provar que essa possibilidade de autoconhecimento só existe nele e não existe no resto. Mas para haver autoconsciência em você, é preciso que exista no Universo.

O universo finito em que vivemos está dentro do infinito.

Deus não é uma coisa externa que criou o Universo. Às vezes, parece que o ateu entende Deus e o universo como se pensa o sujeito e o objeto, como coisas totalmente separadas e estanques. Existe o Transcendente e o imanente. Mas Deus é Transcendente e imanente. E isso não tem nada a ver com panteísmo (segundo o qual o Universo ou a natureza e Deus são idênticos; as coisas são Deus e Deus está difuso nas coisas). Deus é Transcendente. O que transcende, por natureza abrange. Deus não poderia criar o Universo e ficar fora dele uma fração de segundo sequer, senão o Universo se desintegraria. A criação do Universo é uma das propriedades internas de Deus – é expressão Sua. É como disse São Paulo aos atenienses: “n’Ele vivemos, nos movemos e existimos”.

O Universo está dentro de Deus; não é que o Universo seja Deus! O Universo está dentro da eternidade. Se Deus é eternidade, absolutidade, ele não pode estar ausente, não posso observá-l’O de fora. Somente posso compreendê-l’O por participação. Tenho que intensificar minha participação nesse senso de realidade universal para entender a Sagrada Escritura e a questão da Criação.

Portanto, não há como escapar da realidade mais concreta e inquestionável: a existência de Deus!

Há aqueles que um dia acreditaram em Deus e deixaram de crer n’Ele. Dessa evasão (porque “saíram” da companhia de Deus!), surgem muitos ateus, ex-crentes. Como diz o filósofo britânico G. K. Chesterton (1874-1936), “quando se deixa de crer em Deus, já não se pode crer em nada; e o problema mais grave é que, então, se pode crer em qualquer coisa”. Há muito tempo, ouvi uma entrevista com um físico e matemático europeu famoso, que era ateu, e acreditava no poder de uma pequena pirâmide de cristal, que ele não largava por nada… O que dizer???

Então, só tem um jeito:

Abra-se em contemplação amorosa à maravilha que é o amor de Deus, pois é Deus que o espera, bate à porta de seu coração. Todo o mundo criado está contido na imensidão infinita que é Deus, como num gigantesco útero que o mantém. Ninguém encontra Deus. É Ele que nos encontra e vem nos buscar, por meio de Cristo.

Então, deixe-se encantar e conquistar pela figura luminosa de Cristo! Ele, de fato, é a Verdade e a Vida! Porque nada fora d’Ele ou sem Ele tem sentido algum.

Kátia Maria Bouez Azzi
Consagrada na Comunidade Católica Pantokrator

Kátia Maria Boues Azzi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator, Teóloga e Filósofa

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