Extrovertido e tímido, como assim?

Extrovertido e tímido, como assim? Há uma sensação psíquica, vivida em aspecto emocional que atinge universalmente o homem. Sentida desde a mais tenra idade e que permanece e nos acompanhará até o fim. É a experiência do desamparo.

Para imaginarmos: pensei num recém-nascido, quando vem ao mundo, ele perde algo que lhe era adequado e lhe dava segurança, conforto e alimentação. Ele perdeu o útero materno; assim, vive ao nascer uma sensação de desamparo.

É uma sensação que nos faz depender, necessitar do outro, nos faz buscar um ponto de equilíbrio, um lugar em que passe a me sentir seguro. Muitos buscam até mesmo vencê-la demonstrando coragem, segurança, domínio de si, mas, na verdade, estão buscando lidar com esse desamparo.

No entanto, quando essa sensação passa a ser predominante nas relações que estabeleço e vivencio, no modo como me vejo e como me coloco no mundo, posso ter dificuldades em muitas áreas da minha vida.

Terei dificuldades em estabelecer amizades sólidas e sinceras, pois terei uma timidez excessiva; bem como nas demais áreas da minha vida: família, relacionamentos, profissão e vocação.

Muitas pessoas trazem maneiras e maneiras de ser e de se fazer perceber nas relações com as pessoas, dependendo do lugar e dos envolvidos. Em alguns momentos, somos mais extrovertidos e em outros, mais tímidos.

tímido

Mas, aí faço a pergunta: Como assim? Como isso pode acontecer?

Vamos diferenciar uma coisa da outra: extroversão é um aspecto da personalidade pelo qual o indivíduo direciona sua força psíquica para fora, num mundo de fatos e pessoas. O Introvertido direciona sua força psíquica para o mundo interno de representações e impressões psíquicas. Porém, esses dois fatores da personalidade não estão ligados à timidez.

Timidez é uma reação à sensação do desamparo sentida, uma insegurança interna e psíquica sentida nas relações, ligada ao modo de agir e reagir ao cotidiano. O tímido possui características de introspecção intensa, uma autocobrança excessiva, uma preocupação elevada acerca de sua performance social, levando a mudanças comportamentais como esquiva, baixa autoestima, isolamento e todo o impacto dessas alterações na qualidade de vida.

Nos locais em que nos sentimos seguros conseguimos nos expressar, somos mais autênticos, mais espontâneos, mais sinceros, mostrando e dando mais aos outros de nós mesmos. Porém, ao nos sentirmos inseguros, ou seja, com a sensação de desamparo, nós nos fechamos, inibimos respostas essenciais para a interação social na qual estamos expostos.

O que fazer?

Precisamos de uma avaliação muito sincera neste momento para verificar se a timidez vivida traz prejuízo social, familiar, profissional e até mesmo para viver a vocação: o plano de Deus em nossa vida.

Se você, ao fazer essa avaliação, descobrir que há prejuízo significativo, um bom caminho é o processo de psicoterapia visando ao autoconhecimento, para buscar na sua história de vida marcas que levaram você a ter tal desajuste na interação social. Outro caminho que indico seja feito em conjunto com o primeiro é o processo de cura interior, a partir do acompanhamento em uma comunidade cristã, ou com um padre ou orientador.

Porém, já adianto que será necessário um movimento de se abrir para algo novo.

Se a sua timidez o incomoda e você percebe que não é dessa forma que gostaria de ser ou se você sabe que Deus não lhe quer assim, abra-se e trilhe esses caminhos. Existem Comunidades que fazem retiros direcionados para a cura interior.

Na Comunidade Pantokrator, temos o Retiro Raio X, que trabalha questões como afetividade e sexualidade, o que está diretamente relacionado com o nosso tema; pois são justamente feridas na sua afetividade que não lhe permitem vencer a timidez ou outros complexos e traumas de sua vida.

O Relato da Criação no Livro do Gênesis nos dá um caminho de cura interior que todos deveriam seguir.

Quando Deus está criando, olha para cada coisa e vê que tudo é bom; porém, quando cria o homem, Deus olha e diz: “Muito bom!” Não é apenas um “plus” na Criação, mas é o motivo pelo qual a Criação existe: o homem. Deus contempla o homem como que dizendo: “Valeu apena criar tudo para o homem, pois ele é Minha imagem e semelhança”. Tal é a beleza tal a importância do homem para Deus, tal é a dignidade que portamos dentro de nós! Não somos qualquer coisa.

Somos filhos de Deus! Temos em nós o esplendor da glória da Deus, somos morada do Altíssimo!

A Santíssima Trindade habita em nossa alma. Imagine “que um Deus que criou tudo, por causa de Seu amor, resolve morar em nós, em mim e em você”. Que dignidade eu tenho! Nenhum trauma ou timidez tirará minha importância ou valor. “Nada me separará do AMOR de DEUS!” (cf. Rm 8 39).

Julio Della Torre
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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Category: Artigos Pantokrator

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