Família – Projeto de Deus, Base da Sociedade

O futuro do mundo está escondido na vida familiar, responsabilidade de todos os homens e mulheres.

“A estrutura básica dos povos, a paz das nações, apoia-se na entrega livre, por amor, do homem e da mulher; na sua fidelidade a um sim que marca as suas vidas para sempre em vista do bem dos cônjuges e da geração e educação dos filhos, pois é precisamente da família que se forma a sociedade no mundo” (Papa Francisco, Audiência, 18-2-2015).

Os lares em que os filhos aprendem a amar com os pais dão os melhores cidadãos, dispostos a sacrificar-se pelo bem comum – trabalhadores honestos nos assuntos próprios e alheios, pessoas entusiastas, com comportamentos coerentes, modos de agir justos, abnegados, que fazem em cada ato o melhor de si.

Neste meio crescem novas mães e pais fiéis, e muitos que se entregam a Deus completamente, para servir a família humana comum. Existe por isso “um vínculo estreito entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações (…). A alegria dos filhos faz palpitar o coração dos pais e reabre o porvir” (Papa Francisco, Audiência, 11-2-2015).

Assim, o futuro do mundo não se forja só em grandes decisões internacionais – por mais decisivas que sejam – decide-se, sobretudo nesse esforço cotidiano da vida familiar, no “amor paciente” que é a tarefa discreta de avós, pais e filhos (Papa Francisco, Homilia, 27-10-2013), pois a família é um projeto de Deus para a vida humana e é base da sociedade.

Importante destacar que a família é imagem da Santíssima Trindade, pois nos diz o Catecismo da Igreja Católica que no plano de Deus ela é “vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educativa é o reflexo da obra criadora do Pai” (CIC, 2205).

Deste modo, a responsabilidade pela instituição familiar compete-nos a todos: como filhos, irmãos, pais ou avós. Todos são responsáveis a dar o melhor de si próprios com a ajuda de Deus, para dar forma à família.

Se a família é destruída a sociedade não se sustenta, pois perde a sua célula vital. Mas, atualmente, vemos que as famílias estão sendo atacadas por uma revolução cultural que ameaça e deforma a imagem da família como Deus quer, de modo que o Papa Francisco declarou que a “imagem da família – como Deus quer, formada por um homem e uma mulher em vista do bem dos cônjuges e também da geração e educação dos filhos – é deformada mediante poderosos projetos contrários apoiados por colonizações ideológicas” (Audiência, 9-9-2015).

Nós não podemos ficar inertes a isso.

“A família é a comunidade em que, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, começar a honrar a Deus e a fazer bom uso da liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (CIC, 2207). A missão da família é comunicar o amor, a vida, a fé e todos os valores necessários para a formação de pessoas responsáveis e livres. Jesus quer estar com a família para levá-la a viver segundo o projeto do Pai.

A presença do Senhor nas Bodas de Caná é exemplo disso, mostrando que com Ele é possível vencer todos os desafios.

A Família de Nazaré é para nós o grande modelo: de unidade, de amor e fidelidade. Acima de tudo, vemos uma família que vive por Deus e para Deus; o seu projeto é fazer a vontade do Pai e ser-Lhe em tudo obedientes.

A Sagrada Família é a escola das virtudes por meio da qual toda pessoa deve aprender e viver desde o lar para amar e ser fermento na massa desse mundo, que mais parece perdido e empenhado em suicidar-se.

Disse o Papa Francisco que o matrimônio não é uma invenção humana, nem uma utopia de adolescentes, mas o sonho que Deus teve para a sua criatura predileta.

A alegria “profunda e insubstituível que o Senhor lhes permite experimentar na intimidade doméstica entre as alegrias e as dores, na felicidade da presença do cônjuge, no crescimento das crianças, na fecundidade humana e espiritual que Ele lhes concede, tudo isso testemunhado, anunciado, comunicado àqueles que estão do lado de fora, a fim de que, sigam por este caminho” (Audiência, 9-9-2015).

Hoje, no entanto, a família sofre destruição em sua identidade e em seus valores e surge uma “nova família” que nada tem a ver com a família de Deus e com a Família de Nazaré. É enorme a porcentagem dos casais que se separam, destruindo as famílias e gerando toda sorte de sofrimento para os filhos.

A família desses nossos tempos pós-modernos só poderá se reencontrar e salvar a sociedade se souber olhar para a Sagrada Família e copiar o seu modo de vida: serviçal, religioso, moral, simples, humilde e amoroso; sem isso, não haverá verdadeira família e sociedade feliz. Quem ama de verdade sabe compreender e desculpar; ou melhor, precisa disso. E da família, exporta para o mundo esse ambiente. Para transformar o mundo, comecemos pela nossa vida, nossa casa, nosso trabalho(Papa Francisco, Audiência Geral, 13-5-15).

Mas a vida familiar cresce abrindo-se para o exterior, por isso, a solidariedade é parte importante da missão das famílias – sair ao encontro dos mais necessitados, criar proximidade às famílias feridas, dos casais que têm medo de comprometimento e dos pais que se sentem incapazes de educar e orientar os seus filhos.

Devemos ter a coragem de entrar em contato com estas famílias de maneira generosa, materialmente, humanamente e espiritualmente, naquelas circunstâncias onde elas se encontram vulneráveis (Papa Francisco, Audiência, 9-9-2015).

Não permita que o mundo destrua às famílias. Lute por elas, projeto de Deus, base e futuro da sociedade.

Gabriela da Silva
Consagrada da Comunidade

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