Fé na Juventude: é possível cultivar a fé nessa etapa da vida?

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A fé na juventude nem sempre é uma tradição familiar. É comum ver uma criança que desde pequena é introduzida na fé católica, umas, em famílias mais praticantes, outras menos, mas no mínimo por uma questão cultural, muitas vezes a criança é batizada, faz a Primeira Comunhão, recebe o Sacramento da Crisma e depois segue o seu caminho na juventude. Mas, que caminho é esse? É o caminho do final do Ensino Médio, do Cursinho, do Vestibular, da Faculdade, das saidinhas com os amigos, dos relacionamentos, do desejo de tirar habilitação, das experiências e muitas experiências tanto boas como ruins em todas as áreas da vida. Mas, fica a pergunta: e a fé que ele recebeu e que talvez tenha vivido? Onde foi parar? Caminhou junto ou ficou pra trás no último compromisso “sacramental”?

Esse é o dilema que muitos jovens têm dentro da sua juventude. É comum ver muitos deles dizendo que, depois que começam a cursar uma Faculdade ou entram na vida profissional, não têm mais tempo de viver a sua fé porque essas realidades consomem demais. Que as duas realidades consomem, eu não duvido, mas será que o entendimento sobre a fé está claro a ponto de ter que esperar “sobrar um tempo para vivê-la”? Com certeza, não! Ao mesmo tempo em que ele acha que não tem tempo para a fé, ele procura viver a fé, mesmo que não seja a fé verdadeira.

Para falarmos sobre fé na juventude, primeiramente é preciso falar da intensidade natural que o jovem tem na busca de uma identidade para si, de um jeito de ser, de pensar, de agir, de comunicar, de viver e quando ele encontra algo ou alguém que seja uma resposta ao que busca, logo adere àquela ideia ou ideologia e alicerça sua vida, seu comportamento, decisões, buscas e pensamentos a partir do que encontrou, ou seja, ele bota fé em algo, mesmo que não tenha a consciência de que isso é fé.

Se buscarmos no dicionário a primeira definição de fé é “adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro” e é justamente o que o jovem está buscando para a sua vida, aderir a algo, a alguém, a alguma ideia, algo que nem ele sabe direito o que é. Ao mesmo tempo em que ele diz que não tem tempo para viver a sua fé na juventude, naturalmente vai alimentando a sua busca por crer e seguir algo, mesmo que seja o que não vale e não vai valer a pena para a sua vida.

Faço esse caminho para dizer que a fé é algo intrínseco no ser humano e que sempre teremos a busca por algo que seja transcendente e que não nos faça parar em nós mesmos. “No nosso contexto cultural, há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro ‘preâmbulo’ da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus. De fato, a própria razão do homem traz inscrita em si mesma a exigência ‘daquilo que vale e permanece sempre’. Esta exigência constitui um convite permanente, inscrito indelevelmente no coração humano, para caminhar ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele mesmo não tivesse já vindo ao nosso encontro. É precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé” (Porta Fidei, 10).

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O cultivo da fé na juventude é de extrema importância porque em Cristo está a resposta para o coração do jovem, uma resposta de amor absoluto que faz com que ele não perca a capacidade de sonhar e construir o futuro zelando pelo hoje que ele vive. No mundo tão bombardeado por ideologias que são violentamente difundidas e que acabam construindo os valores dos jovens, a fé precisa ser misturada à vivência do jovem para que a vida dele esteja construída sobre a rocha e não sobre a areia, porque sobre a areia, qualquer temporal levará facilmente os valores construídos.

A fé em Cristo não pode ser uma ideia, precisa ser vivenciada. O jovem precisa buscar no seu desejo de intensidade e de busca por uma referência e identidade a força para transformar a sua fé em vida porque “a fé sem obras é morta” (Tg 2,26) e traduzir essa fé em tudo o que vive e faz. Todos os ambientes, relacionamentos, escolhas, ideias, precisam ser contagiados por essa fé em Cristo que faz com que escolhamos e vivamos sempre o melhor e o que vem do coração de Deus.

A fé na juventude, a fé nessa etapa da vida, ajuda o jovem a lutar contra o imediatismo – o sentimento de que “tenho que curtir o hoje sem pensar no amanhã”. É claro que o hoje é importante, desde que ele esteja dentro de uma perspectiva positiva de vivência e sem reduzir a vida a um instante passageiro. É justamente aí que os jovens sem uma fé verdadeira em Cristo caem, pois se deixam levar pelo imediatismo que faz com que pensem de forma egoísta e sem perspectivas de futuro, fazendo com que não tenham esperança e uma autoestima muito baixa. Hoje em dia tem sido muito fácil encontrar jovens que não acreditam em si mesmos.

O jovem precisa ser desafiado e precisa se desafiar a conhecer e confiar em Cristo e fazer a sua experiência pessoal com Jesus. É comum encontrar jovens que gostam de debater e convencer os outros de que a fé pode ser em qualquer coisa ou em qualquer um, mas no fundo eles querem encontrar um alicerce sólido para a sua fé; e mais, para a sua vida, e quando descobrem que essa rocha é Jesus, tudo muda.

O jovem só precisa usar da sua inteligência a seu favor e dar nome para a sua busca e assim, ser introduzido nessa “PORTA DA FÉ (cf. At 14,27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, que está sempre aberta para nós.”

Sempre é tempo de começar ou recomeçar, jovem! Sua fé tem um nome e é Jesus Cristo e você tem um lugar que é a Igreja.

Nilton Junior
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

1 COMENTÁRIO

  1. Gostei muito! e me ajudou muito também.
    Eu entendo que a fé é preciso ser vivido em toda caminhada da minha vida, onde eu estiver e com quem eu estiver. No meu trabalho, na minha casa,nas conversas com os colegas…que não sou obrigada a agradar pessoas e desagradar a Deus.É claro que existe momentos no dia, que preciso me reservar só eu e Deus. Isso também é possível,nem que seja pouco tempo.
    É verdade que eu perco muitas coisas também por conta do trabalho,mais nada impede de viver a minha Fé em Deus.

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