Fidelidade: a melhor expressão do Amor

Amor é uma palavra muito usada, e tantas vezes abusada. No paganismo pré-cristão, philia (amor de amizade), eros (amor sexual) e mesmo o ágape (com sentido pouco definido), o amor nem sempre é visto com grande valor. Foi o Cristianismo que trouxe seu pleno valor, dando a ágape um significado novo que aponta para a doação total e gratuita de uma pessoa à outra.

Ágape é o amor de Deus.  Jesus, em toda a Sua vida, prega esse amor, e o modela na Cruz, expressão máxima do amor total e gratuito.

Apesar da grandeza do ágape, o amor tantas vezes vale muito pouco. Chama-se de amor a qualquer afeto e afeição, e tudo parece a mesma coisa. O amor é subjetivo; cada um tem o direto de amar da forma que quiser. Quem pode questionar o amor de alguém, num mundo em que não existe verdade?  Dizia Bento XVI: “Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor, numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada, chegando a significar o oposto do que é realmente” (Caritas in Veritate, 3).

Nesse mundo sem verdade, a fidelidade vem nos salvar. O senso comum, movido pela lei natural, por enquanto, tem como regra do amor a fidelidade, ou seja, o amor não pode ser apenas subjetivo, intimista, ou do jeito que se quiser, mas precisa se expressar na realidade, precisa acontecer na vida, nos gestos; ele precisa ser verdadeiro.

A fidelidade protege o amor de suas ameaças intimistas. Fidelidade, em certo sentido, é a verdade do amor.

Fidelidade é a encarnação do amor, o acontecimento do amor.

Na fidelidade o amor ganha coerência entre aquilo que se sente e aquilo que se vive. É infiel aquele que diz gostar, mas vive como se não gostasse. Se a verdade é a “adequação entre aquilo que se dá na realidade e aquilo que se dá na mente”, conforme Santo Tomás de Aquino, a fidelidade é a verdade do amor.

Sem fidelidade, o amor é uma mentira.

A fidelidade é, então, “a melhor expressão do amor” (Papa João Paulo II). Na fidelidade, o amor se realiza na sua grandeza, mesmo que em gestos simples do dia a dia. Na fidelidade, importa menos a grandeza dos gestos; importa mais que sejam sacrifícios vividos na decisão de ofertar a si mesmo pelo outro.

É vida doada, tantas vezes no sofrimento, mas, sendo a melhor forma de expressar o amor, a pessoa fiel é feliz com as exigências que a fidelidade lhe impõe.

André Luis Botelho de Andrade
Fundador e Moderador Geral da Comunidade  Pantokrator

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