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Filho: o meu fardo é leve

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Fim de ano se aproximando: momento propício para refletirmos sobre o fardo que nos cansa tanto. O que é que nos pesa? Será preciso aguardar ansiosamente o momento de calmaria para nos restabelecermos? Qual a verdadeira fonte de nosso descanso?

É compreensível que os excessos de trabalho que se acumulam nesta época do ano sejam motivo para aumentar nosso cansaço. Mas há questões que muitas vezes nos passam desapercebidas, e se as reconhecermos podemos descansar, independente de estarmos no momento de calmaria…

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve”. (Mt 11,28-30)

Vejam: Cristo nos faz uma linda proposta: uma “troca de fardo”! Ele, sendo Forte, deseja que Lhe entreguemos nossos fardos tão pesados, recebendo em troca o fardo leve!

VINDE A MIM”

Em primeiro lugar, devemos ter a consciência de que somente nos Braços de Deus encontramos repouso! Ele é a fonte de todo Amor. Se permanecermos nesta fonte, nosso ser é reestruturado, assim como nossa maneira de amarmos a nós mesmos e de nos relacionarmos com os outros, com as coisas e com o próprio Deus.

É somente nesta relação com Deus que conseguimos realizar esta “troca” de fardos.

OS PESOS QUE NOS AFLIGEM

Como vimos acima, além dos excessos de trabalho, existem outros motivos que nos cansam  e que, muitas vezes, são imperceptíveis a nós. Tratam-se de nossas decisões, intenções e apegos. Para resumirmos a infinidade de motivos que nos pesam, podemos relacioná-los com os sete pecados capitais: o fardo das consequências de ser guloso, preguiçoso, avarento, dado à luxúria, facilmente irado, invejoso, orgulhoso…

Muitas vezes nos confundimos nas prioridades de nossos afazeres e na maneira de realizá-los, conduzidos pelo perfeccionismo e pelo medo de frustrar as expectativas alheias.

O FARDO LEVE

“(…) E recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração (…)”: Tudo o que o Mestre nos ensina é para o nosso próprio bem. Seu maior ensinamento é o Amor.

Nesta Passagem, Jesus destaca as virtudes da humildade e mansidão como principais “contrapesos” ante nossos fardos. Elas requerem certo esforço para serem vividas, mas “simplificam a nossa vida”! Vejamos como elas nos aliviam:

MANSIDÃO

Nossa cultura tem a tendência de encarar a mansidão como fraqueza, timidez… Mas, na verdade, a mansidão é a fortaleza de quem tem um domínio sobre a própria ira, e a utiliza com sabedoria. Vejam: A ira é algo dado por Deus, e há muitas situações em que ela deve ser utilizada: na promoção de justiça, no estabelecimento de limites em se tratando da relação com as pessoas… A ira é importante para a defesa de nossa própria sobrevivência. Mas é preciso sabedoria para utilizá-la conforme os planos de Deus. Quem aprendeu a mansidão de Cristo, consegue livrar-se da tendência à vingança, tem a capacidade de dialogar com quem tem opinião diversa (e muitas vezes o “ganha para sí”). O manso é o oposto ao agressivo e rude.

Santa Teresinha é um grande exemplo neste assunto: “Um pequeno vaso colocado atrás de uma janela foi encontrado quebrado. Pensando que fosse eu quem o largara ali, (nossa mestra) mostrou-o para mim dizendo que eu deveria ter mais cuidado. Sem dizer uma só palavra, beijei a terra e prometi ter mais ordem no futuro. Devido à minha falta de virtude, essas pequenas práticas custavam-me muito e precisava pensar que, no juízo final, tudo seria conhecido, pois pensava: quando se cumpre com sua obrigação, sem se desculpar nunca, ninguém toma conhecimento; pelo contrário, as imperfeições aparecem logo… Cultivava sobretudo a prática das pequenas virtudes, não tendo facilidade para praticar as grandes; gostava de dobrar os mantos esquecidos pelas irmãs e prestar-lhes todos os pequenos serviços que podia”. (História de uma Alma, Manuscrito A)

São Paulo nos ensina que a mansidão é um fruto do Espírito Santo, ou seja: Dom de Deus para nós. (Cf. Gl 5,22-23)

“Bem-aventurados (felizes) os mansos, porque possuirão a terra!” (Mt 5,5)

HUMILDADE

Segundo Santa Teresa D’Ávila: “Humildade é a verdade”. Esta definição combate a “falsa humildade” de quem nega seus reais talentos e qualidades. Mas também mostra que devemos reconhecê-los segundo a verdade, sem exaltações. Outra característica da humildade é não esquecer que estes mesmos dons e talentos nos são dados por Deus.

Também faz parte da humildade reconhecer o que há de negativo em si mesmo(a), acolhendo bem a estas verdades, já que elas não são o que define o nosso ser por inteiro.

Assim como disse Santa Teresinha: “Não demorei em compreender que mais se avança nesse caminho, mais se acredita estar afastado da meta; agora, resigno-me em ser sempre imperfeita e fico contente…”

A pessoa humilde, reconhecendo-se pequena, conta com a Bondade e Onipotência de Deus. Assim nos ensina São Paulo: “Mas ele me disse: “Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força”. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo.” (II Cor 12, 9)

Contemos sempre com o auxílio de Deus, que se interessa pelo nosso descanso e alívio. Além de identificarmos as tendências que mais nos cansam e buscarmos uma postura nova frente às mesmas, entreguemos nossas preocupações, e tudo o que está fora de nosso alcance. Confie! Ele cuida de tudo!

Luiza Torres
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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