Nosso ser, constituído por razão e vontade, por causa do pecado original, tem muitas tendências e fragilidades. Nossa razão não consegue ver com nitidez.

O pecado original, cometido por Adão e Eva, nos deixou essa mácula. Eva, ao dialogar com a serpente, foi por ela enganada. Esse era o mais astuto de todos os animais do campo.

A serpente chega repentinamente e começa um dialogo direto com Eva: “Deus vos disse realmente: “Não comereis de todas as arvores do jardim?…” Eva responde prontamente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Dela não comereis e não a tocareis, para não morrerdes” (Gn, 3, 1-5).

Daí em diante, a serpente contradiz Deus e convence Eva a fazer o que Ele a proibiu.

Não vos exponhais ao diabo

Temos no início das Escrituras Sagradas, um texto que nos alerta sobre a astucia da serpente. Serpente que representa o maligno. Quantas vezes em nossa vida, assim como Eva, dialogamos com o diabo?

Nas murmurações e reclamações do dia a dia, perdendo a oportunidade de louvar e dar graças, nos resignamos mediante contrariedades. Entramos num espiral pessimista e vamos nos contaminando por aqueles pensamentos.

Recentemente, o Papa Francisco, em uma de suas homilias, alertou os católicos sobre a existência do maligno. Uma pessoa real e armada com poderes obscuros, com inteligência superior a nossa. Qual seria, então, nossa chance contra o mal? Seria não dialogar com ele.

Orar e vigiar

Primeiramente, temos que estar atentos a sua presença. Vigiar, orar e jejuar, como nos ensina Jesus. Estar atentos aos nossos pensamentos e atitudes. Renunciar a toda amargura, irritação, cólera, gritaria, injúria, devassidão, impureza e ganância.

Saber que Satanás toca-nos, em especial nas vaidades, no vitimismo, pela falta de reconhecimento de nossas qualidades e feitos, ajuda-nos a traçar um plano de combate.

A humildade e o louvor são armas que nos ajudam. A humildade atrai a Deus e o louvor reconhece a bondade do criador. Exorta-nos São Paulo, que devemos nos revestir da armadura de Deus (Ef. 6, 14-17): verdade, justiça, ardor para anunciar o Evangelho e a fé, que nos permite apagar todos os dardos inflamados do inimigo.

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Maria, aquela que esmaga a cabeça da serpente

Recorramos também à Maria, nossa mãe e mestra. Se por Eva o pecado entrou no mundo, por Maria Santíssima, a salvação nos alcançou. Oremos sem cessar à nossa querida mãe do céu, que nos guarde na dobra de seu manto. A oração diária do terço é uma poderosa arma na luta contra o mal, no combate diário de não dialogar com o diabo.

Nossa vida é um dom precioso que precisa ser colocado a serviço. Viver esse servir pode muitas vezes ser uma luta. Sair de nós mesmos para ir de encontro às necessidades do outro, agindo com amor, deixando o comodismo, gastando a vida, pode, muitas vezes, ser um desafio a ser vivido sem murmurações.

Leia também: Não entremos em diálogo com a tentação!

Thais Casarini
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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