Há uma diferença entre cuidar e mimar

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Estamos presenciando diversas tragédias envolvendo adolescentes e jovens, que sem motivos, optam por tirar a vida de maneira brutal e violenta de outras pessoas. Há uma série de contextos envolvidos e entre eles, o mais evidente é a educação ou cuidado que estas pessoas receberam na infância. Afinal, por qual motivo além do padrão socialmente aceitável devo educar meus filhos e qual a diferença entre cuidar, educar, mimar ou humilhar?

Há uma linha tênue na educação dos filhos, visto que isto dependerá do autoconhecimento dos genitores. Eu muitas vezes ouvi e pronunciei a frase: “Meus pais faziam assim comigo e não morri!”. Louvado seja Deus pelas suas permissões e seus cuidados, mas será mesmo esta a forma que Deus deseja que continuemos na educação de nossos filhos? Nossos pais fizeram o melhor que podiam para nós, mas hoje, com a possibilidade de acesso a ótimos conteúdos é correto que continuemos nos guiando por nossas próprias experiências? Como podemos fazer deste mundo um lugar melhor, sem promovermos a educação de nossas crianças para isto, ou se quer nos educamos para poder educá-las com seriedade?

O catecismo da igreja católica nos orienta que:

O papel dos pais na educação dos filhos é tão importante que é quase impossível substituí-los”. E que: “O direito e o dever de educação são primordiais e inalienáveis para os pais” (CIC n. 2221; FC 36). Para isso os genitores devem criar um lar tranquilo para os filhos, no qual a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado sejam cultivados. Nele a abnegação, o reto juízo, o domínio de si devem ser cultivados, para que haja verdadeira liberdade.”

Nós pais recebemos do próprio Deus a missão de educar nossos filhos. Não o bastante, o livro do Eclesiástico continua a nos ensinar:

Aquele que ama o filho castiga-o com frequência; aquele que educa o seu filho terá motivo de satisfação” (Eclo 30, 1-2). Este castigo tem o sentido de correção. São Paulo ainda lembra uma importantíssima regra na educação dos filhos: “Pais, não exaspereis vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e doutrina do Senhor.” (Ef6,4) ou seja, que os pais não devem humilhar e magoar os filhos ao corrigi-los.

Tudo o que precisamos saber sobre a educação dos filhos, as escrituras e a igreja tem nos dito há séculos: não devemos terceirizar ou esperar que outros façam o trabalho que é próprio dos pais, priorizando o convívio e o cuidado familiar. Devemos saber corrigir nossos filhos no momento e de maneira oportuna, e jamais em nenhum momento humilhá-los, seja com rótulos, agressões verbais ou físicas.

O cuidado e o mimo 

O que diferencia o cuidado do mimo é a firmeza que os pais têm para educar uma criança provendo afeto e ternura sem deixar de repreendê-la quando necessário, devendo os pais compreender que nem tudo convém a seus filhos e ensiná-los que o mundo não gira em torno de seu querer. Assim como o outro extremo do mimo é a humilhação ou as constantes podas desnecessárias. Há necessidade de sensibilidade diante da educação, o conhecimento do outro, diálogo, atenção. Há necessidade de ensinar com que a criança se conheça, saiba o que está lhe incomodando, saiba verbalizar o que sente, e que os pais proporcionem os meios.

Na sociedade atual urge a diminuição de dispositivos eletrônicos e o aumento do contato social, de pais pacientes e afetuosos, dispostos a ter tempo para seus filhos, repetir e corrigir educadamente, sem berros, beliscões e tapas. Não existe educação de filhos com pais mal educados. É um comportamento adequado somente para aceitação social, para ser bem visto. Precisamos de pais que estejam dispostos a santificar seus lares através da educação de sua família, no sacrifício incruento de todos os dias de se deixar ser educado para educar. Pais que conheçam suas fraquezas, que saibam pedir perdão, que param diante dos excessos de desejo de controle, e que não sejam hipócritas depositando o peso de uma boa ou má educação a aqueles que ainda não sabem se quer o peso de sua própria existência.

Precisamos de pais que eduquem seus filhos sob a segurança das leis do evangelho e do amor de Deus e não sob o medo, a reprovação e ameaças (se você não se comportar, ficará sem vídeo game), de pais que sejam pacientes na escuta da frase até o final sem interrompê-los com suas opiniões ou se quer sem ainda ter compreendido o que o filho estava lhe comunicando. Eduque seus filhos por amor. Seja sincero diante dos “nãos”, e questione sempre a você mesmo os porquês dos “nãos” e dos “sins”. Se ali, na infância, até os 12 anos estas crianças forem amadas e educadas, se tiverem um ambiente familiar minimamente organizado, teremos no futuro menos tragédias, menos adultos hipersensibilizados e inseguros, e que realmente acreditam que este mundo pode ser melhor.

Que Deus nos dê a graça de saber educar seres humanos livres e dispostos ao amor, com boa formação física, moral e intelectual, nos capacitando na busca dos meios para que possamos cumprir com alegria a missão que o Senhor nos confiou.

Que Deus nos abençoe.

Larissa Machado
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator 

2 COMENTÁRIOS

  1. A paz de Jesus e o amor de Maria!

    Parabéns pelo artigo, Larissa. Como é difícil educar os nossos filhos e fica mais difícil ainda quando não temos o auxílio do Espírito Santo e a sabedoria que vem dEle.

    Oremos pelas famílias para que saibam se amar e perdoar e que possam aceitar Nosso Senhor Jesus Cristo em suas vidas. Que as mães sejam Marias e que os pais sejam Josés. Amém!

    • A paz Fabiana!
      Ficamos muito felizes que tenha gostado do nosso artigo.
      Com o auxilio do Espírito Santo tudo fica mais fácil.
      Deus abençoe.
      Abraços fraternos.

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