Heresia, uma ameaça à Fé

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“Heresia é a negação pertinaz, depois de recebido o Batismo, de alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou ainda, a dúvida pertinaz acerca da mesma” (Catecismo da Igreja Católica § 2089). A heresia, portanto, é quando uma pessoa batizada nega uma ou mais questões de fé ensinada pela Igreja, e que é obrigatória à fé dos cristãos.

É preciso saber separar a heresia de outros pecados contra fé, ou contra a unidade da Igreja:

O parágrafo do Catecismo, acima citado, explica que “apostasia é o repúdio total da fé cristã”; “cisma é a recusa da sujeição ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos”. Dois grandes exemplos de cisma foram a separação da Inglaterra da Igreja Romana, com o surgimento do Anglicanismo (séc. XVI), e o chamado “Cisma do Oriente” em 1054, quando o oriente se separou de Roma, surgindo com isso a Igreja Ortodoxa.

Também existe o “erro de fé”, que ocorre quando alguém ensina algo a respeito da fé e da moral, mas posteriormente a Igreja define um ensinamento diferente. Não é um pecado contra a fé, porque essa pessoa não acreditou em algo diferentemente daquilo que a Igreja ensinava em seu tempo. Grandes santos cometeram erros de fé, como Santo Agostinho, por exemplo.

Existem também as especulações teológicas, feitas pelos teólogos, ou seja, pessoas estudadas nas questões da fé. Essas especulações, se forem feitas sem racionalismo, com humildade e submissão ao Magistério da Igreja, têm grande valor para a reflexão e o entendimento da Revelação, pois a compreensão dos dados da fé progride na Igreja, tendendo para a plenitude da verdade divina (cf. Dei Verbum 08).

Crer com a Igreja

O fiel católico não é alguém que seleciona o conteúdo em que deve crer. O católico não acredita no céu, na Virgem Maria ou na comunhão dos santos, por exemplo. Ele crê com a Igreja. A sua fé é a fé da Igreja. A fé do católico é a fé que está no coração da Igreja, revelada por Jesus Cristo, ensinada e guardada pelos apóstolos e seus sucessores, os bispos e o Papa, e que chega até nós, seja pela Tradição da Igreja, seja pelas Sagradas Escrituras.

Um católico sincero e coerente nunca será um herético, porque ele sabe que ninguém, nem pela grande inteligência, ou pela bela oratória, ou mesmo por uma encantadora caridade, poderá ser fonte de fé. É exatamente o que diz São Paulo aos Gálatas: “De fato, não há dois (evangelhos): há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!” (Gl1, 7-9).

As palavras do apóstolo são fortes para um mundo em que as pessoas têm pouco apreço à sua . As pessoas gastam tempo e dinheiro com tudo: a profissão, o lazer, moda e beleza, mas quando se fala das coisas da fé, tudo tem que ser barato, rápido e fácil. Essa negligência deixa a fé vulnerável aos “anjos baixados do céu”, que facilmente levam o católico aos pecados contra a fé, comumente às dúvidas sobre a fé, à incredulidade, à heresia e até à apostasia.

Em tempos de tantas ideologias e espiritualismos, valem muito as palavras do apóstolo: “Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar…Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram créditos à verdade, mas consentiram-na no mal” (2Ts 2,10.12).

Amar a sua fé

Caro leitor, a sua tábua de salvação, em meio à inundação de “fés”, religiões, espiritualismos, ideologias, é uma só: o amor à fé que o Filho de Deus deixou ao mundo e à Sua Igreja Católica Apostólica Romana, a quem Ele confiou essa fé (Mt 16, 16-19, Mt 18, 18, Lc 10, 16; Lc 22, 32, Mt 10, 40, Jo 20, 23, 1Tm 3, 15), para guardá-la e ensiná-la aos homens até a consumação dos tempos.

Vivemos em tempos em que os cristãos que não amam a sua fé, mas a vivem superficialmente, podem se tornar “não apenas cristãos medíocres, mas cristãos em perigo” (João Paulo II, Novo Millennio Ineunte, 34). Portanto, não basta ter fé, é preciso amar a sua fé. Somente assim ela, de uma pequena semente, se tornará uma frondosa árvore que gera frutos, acolhe os pássaros e forma uma sombra consoladora em meio ao calor da existência.

André L. Botelho de Andrade
Fundador e Moderador Geral da Comunidade Pantokrator

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