Hoje celebramos a solenidade de São José: O silencioso

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São José: O silencioso

De fato, a importância santifica de uma pessoa dentro do contexto histórico nunca esteve vinculada com o quão barulho aquela pessoa fez, ou seja, quem sabe o que lhe é designado por Deus, sem murmurar, cumpre e não se vangloria. Para muitos, ao longo da história, Deus permitiu o exercício de autoridade sob um povo, como César, Alexandre (O Grande), Genghis Khan e Napoleão, e por mais que venha a dúvida sobre a legitimidade a palavra sagrada é certeira sobre o tema em Romanos 13: 1 “Todos devem sujeitar-se às autoridades superiores; porquanto, não, há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Ele.

Diante desta realidade, percebemos que os maiores conquistadores da história sempre buscaram a vangloria e serem ícones do seu tempo, até mesmo, adorados como deuses na época dos seus governos. Mesmo assim, diante de tantas terras e povos aos seus pés, nenhum sequer chegou a poeira das sandálias de São José, pois a este foi dada a missão de servir e proteger os maiores tesouros que Deus enviou para nosso mundo, Jesus e Maria. São José, dignificado por Deus, em silêncio e obediência, foi chamado para ser o Guarda do Redentor participando, como nenhuma outra pessoa, do mistério de nossa salvação.

E diante de tal missão, a maestria de José na humildade e obediência passa pelo silêncio interior, onde Deus habita. E como pôde então estar sempre na oitiva de Deus? Foi pelo coração submisso e a razão límpida que São José pode, pela graça divina, prosperar no plano que Deus lhe sonhou, pois, o Senhor diz: “Meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não são os meus” (Is 55,8-9). Esse é o ponto crucial que diferencia o grande servo de Deus, deixar de escutar a voz mundana e ter uma escuta espiritual perante ao Criador.

Essa virtude do glorioso São José foi inspiração para muitos Santos da Igreja, por assim dizer Santo Agostinho, que comparava São José ao Sol, e Santa Teresa de Ávila (1515-1582), a primeira doutora da Igreja e a reformadora do Carmelo:

“Quem não achar mestre que lhe ensine a orar, tome São José por mestre e não errará o caminho”.

São José, o terror dos demônios.

Como nos elucida Santa Faustina: O demônio pode ocultar-se até sob o manto da humildade, mas não sabe vestir o manto da obediência. Vejamos que a obediência de São José aos mandos de Deus é notória e cirúrgica na proteção de Jesus dos ataques de Herodes “de noite, tomou o menino e sua mãe e retirou-se para o Egito, onde ficou até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor tinha anunciado por meio do profeta: ‘Do Egito chamei o meu Filho’” (Mt 2,14-15) e no cumprimento em acolher a Virgem Maria como sua legítima esposa “Despertando do sono, José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa” (Mt 1,24).

Ainda devemos considerar que  José havia colocado sua vontade humana recentemente, fato esse que nos revela a grandeza da sua humildade e obediência ao reformular sua vontade diante da voz de Deus, “José, seu esposo, sendo justo e não querendo difamá-la, resolveu abandoná-la em segredo” (Mt 1,19). Que sejamos corajosos para cumprir os desígnios de Deus, assim como o esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus o fez.

Dirigimo-nos a São José, portanto, confiando-lhe os encargos de um pai, pois ele nos protege incondicionalmente. Todavia, façamos isso com abandono e gratidão, pois é preciso nos esforçar para entrar no mistério da pobreza, castidade e obediência espiritual do glorioso São José. Afinal, é impossível um aparelho analógico receber um sinal digital. Uma boa dica que Santa Terezinha do Menino Jesus nos alerta é para que busquemos fazer tudo aquilo que é contrário à nossa vontade.

Glorioso São José! Pai e cuidador da Sagrada Família

Quantos ensinamentos podemos nos alimentar pelo matrimonio de Maria e José! Nesta união vemos plenamente o cumprimento da missão da família, guardar, revelar e comunicar o amor, qual reflexo vivo do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja sua Esposa. Ele a amava de maneira superlativa, pois o amor humano natural foi elevado em sacramento e, portanto, virou caridade, sendo um amor em Deus. A presença de Deus na Virgem Maria era o que fazia incendiar o amor de São José pela sua esposa.

Quanto ao relacionamento de José com Jesus é importante tomar consciência que se Jesus era igual a nós em tudo, exceto no pecado, houve também a necessidade de desenvolver sua masculinidade. Assim, São José, masculino, puro e viril foi exemplo para Jesus Cristo, e temos essa clareza da influência de José em João 2: 15 “tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos cambistas e virou as mesas”. Essa virilidade do Leão de Judá é fruto do serviço de São José ao Cristo.

E ao final de sua vida, José, esposo e pai, cumprido o plano de Deus, foi chamado a descansar nos braços do Pai, sendo acompanhado por Jesus e Maria. Que bela morte após combater o bom combate!

BIBLIOGRAFIA

Exortação apostólica: “Redemptoris Custos” do Sumo Pontífice João Paulo II sobre a figura e a missão de São José na Vida de Cristo e da igreja.

Thiago Casarini
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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