A importância do silêncio na liturgia

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missa-bento-xviEstamos tão acostumados ao barulho que nos é difícil silenciar. Chegamos à casa, ligamos a TV; vamos ao banheiro, ligamos uma música; vamos dormir, abrimos o facebook no smartfone… Enfim, não sabemos silenciar. Quando ouvimos que precisamos silenciar na Liturgia, ouvimos até chavões como “Vaticano II”, “nova missa” entre outros. Existem tantos caminhos a serem percorridos nessa reflexão, mas proponho um caminho para reflexão:

Estamos em um casamento. O noivo entra, padrinhos e aquele blá, blá, blá. Esse falatório aumenta enquanto ele permanece aos pés do presbitério (coitado, não sabe onde coloca as mãos; tem a expectativa da entrada da noiva etc), até que ela entra. A noiva! E todos silenciam. Ouve-se apenas a música. Comunicam-se apenas com olhares. Entre a assembleia, um profundo silencio (até que a noiva passe e todos deem “pitacos” sobre seu vestido, cabelo etc).

Outra situação: um casal enamorado sai para jantar. À mesa, o garçom já fica desajeitado, pois demoram a escolher o prato. Perdem mais tempo olhando um para o outro do que falando. Há nesse momento uma intensa comunicação visual, emocional. Nenhuma verbal.

A Igreja é a Noiva do Cordeiro. E é nesse sentido que somos chamados a silenciar. Quando estamos apaixonados e encontramos a pessoa amada, basta a troca de olhar, o toque afetivo, o gostoso abraço. Depois conversamos. Na santa Missa encontramos o Amado e, em um momento muito delicado: Seu sacrifico por nós. Por isso, nós, a Noiva, em silêncio contemplamos, amamos, nos deleitamos por Sua paixão por nós! É hora de falar com sussurros (que somente a alma apaixonada faz). É preciso aproximar nosso ouvido da boca do Amado para aí escutar o “eu te amo” do Amado. Eis o motivo de silenciar!

Estou falando que passaremos a Missa inteira, o batismo, o casamento, a confissão mudos? Não! Mas entraremos na casa de Deus, como aquele que quer fazer uma “surpresa” a Jesus: em silencio, na “ponta dos pés”, com o coração ansioso para vê-lo. Cantaremos as músicas com entusiasmo, solenidade, decoro e moderação; escutaremos atentos a Sua Palavra; silenciaremos na sagrada comunhão, pois o próprio Deus nos abraça, nos ama, nos acolhe e o medo, a ansiedade e tudo mais passa! Ao fim, sairemos de mansinho, pois nosso coração estará abrasado de amor. Aí sim, fora, extra muros, explodiremos ao Mundo o amor que recebemos no nosso encontro intimo com Deus.

A Sagrada Tradição vê no silencio o local de encontro com Deus. O próprio Cristo silenciava para falar com o Pai. Que nós possamos redescobrir o sentido do silêncio que, muito mais que um “parar de falar”, é um encontro de amor com Deus.

“Oportunamente, como parte da celebração deve-se observar o silêncio sagrado. A sua natureza depende do momento em que ocorre em cada celebração. Assim, no ato penitencial e após o convite a comunhão, enfim, louvam e rezam a Deus no intimo do coração.

Convém que já antes da própria celebração (eucarística) se conserve o silêncio na igreja, na sacristia, na secretaria e mesmo nos lugares mais próximos, para que todos se disponham devota e devidamente para realizarem os sagrados mistérios” (Introdução Geral sobre o Missal Romano).

Leonardo Pataro
Consagrado na Comunidade Católica Pantokrator

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