Liberdade é fazer tudo que quero?

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Liberdade

iberdade é fazer tudo que quero?

Talvez o conceito de liberdade seja o mais relativizado e mal interpretado de todos os tempos. Muitos prezam mais o direito de “ser livre” do que a própria dignidade humana ou o respeito ao próximo. Liberdade acima de tudo e de todos. Mas o que vem a ser essa “tal liberdade”?

Acredito que a principal e mais defendida ideia sobre o que é a liberdade, é aquela relacionada a “fazer o que quero”, ou seja, ser livre é simplesmente agir conforme a própria vontade. Desta forma, a pessoa que se entregar aos momentos de prazer, de vaidade, de luxuria, de êxtase, de preguiça, fazendo com seu corpo o que “quiser” é a pessoa mais livre.

Mas será que liberdade se resume ao simples ato egoísta de se achar “dono de si”? Será que o fato de sermos os únicos seres racionais, que não são guiados somente pelos instintos, com a capacidade de escolher e discernir, pesando pós e contras e sabendo que seus atos geram consequências, não nos tornam mais aptos, mais dignos e mais inteligentes do que meros animais que só são guiados pelos próprios impulsos?

No Catecismo da Igreja Católica podemos encontrar uma definição muito mais abrangente. A Igreja nos ensina que “A liberdade é o poder, radicado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, praticando assim, por si mesmo, ações deliberadas. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e de maturação na verdade e na bondade. E atinge a sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.” (CIC 1731).

Ou seja, a liberdade realmente nos dá o direito de escolher. No entanto, esta escolha deve estar alicerçada também na razão e voltada para um bem muito maior, que é Deus. Isto nos lançará em um movimento de maturidade e crescimento.

Deus criou o homem racional e desta forma dotado de iniciativa e domínio dos próprios atos. No entanto, O exercício da liberdade não implica o direito de tudo dizer e fazer. É falso pretender que o homem, sujeito da liberdade, se basta a si mesmo, tendo por fim a satisfação do seu interesse próprio no gozo dos bens terrenos. (CIC 1740).

Liberdade

Quando o ser humano se entrega aos seus impulsos ele se torna escravo destes. Por exemplo, a pessoa é livre para ingerir bebida alcoólica, no entanto, se ela só consegue se divertir e se relacionar com as pessoas quando se embriaga, ela se tornou escrava daquilo. Da mesma forma, a pessoa é livre para escolher a roupa que vai usar, no entanto, quando escolhe a ousadia de mostrar o corpo, está se tornando escravo do olhar alheio. Será que uma pessoa que se masturba está exercendo sua liberdade sexual ou é escravo do prazer, tão desesperado que se contenta em buscar sozinho a própria satisfação?

Liberdade e suas consequências

A liberdade pressupõe responsabilidade, já que todo ato gera uma consequência. As escolhas feitas em pleno exercício da nossa liberdade geram frutos, por mais simples que sejam. Tendo boas ou nenhuma intenção, elas vão desencadear algo e é bom que estejamos conscientes disso.

A história da humanidade, desde as suas origens, dá testemunho de desgraças e opressões nascidas do coração do homem, como consequência de um mau uso da liberdade. Inspirados pelo desejo do prazer, do possuir ou do poder, o homem se entrega. E como consequência se vê nu, escravo e infeliz.

É tão evidente quando usamos a liberdade de forma equivocada, já que o prazer e a felicidade que são gerados por essas escolhas, normalmente são passageiros, são finitos e a pessoa precisa buscar novamente para ter aquela sensação. E aí um copo de cerveja não é mais suficiente, só uma tatuagem não é tão legal, só uma transa, só um cigarro de maconha não satisfazem mais. E pessoa precisa sempre buscar por aquilo de novo e de novo.

Deus quis que o homem fosse entregue a sua própria decisão, para que desta forma pudéssemos livremente optar por Ele, por seguir e entregar a nossa vida ao nosso Criador. Este é o ato de liberdade que nos torna dignos de sermos semelhantes a Ele. Quando através do uso da nossa liberdade optamos por ir contra a maré do mundo, encontramos a verdadeira e infinita felicidade.

Vanessa Cícera
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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