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Maria: um exemplo a ser seguido

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Mãe, uma palavra tão pequena, mas que traz em si tantos significados. Pode ser sinônimo de amor, carinho, generosidade, colo, realização de um sonho… Ou pode remeter a cansaço, desafios, medos e renúncias. Acredito que, ser mãe, de alguma forma, engloba todos esses sentidos. Tão complicado, tão simples, tão complexo e tão natural, a maternidade pode ser um carrossel de emoções e desafios. Mas a boa notícia é que não estamos sós. Temos um exemplo a seguir: Maria é aquela que melhor pode nos auxiliar nessa jornada da maternidade.

Maria nos ensina a dizer: “Sim”

A decisão pela maternidade não é fácil. Ela exige maturidade, responsabilidade e entrega do casal. Mesmo nos casos em que ela é tão sonhada e planejada. É preciso se colocar diante de Deus e esperar Nele o momento certo.

Mas nem sempre a gestação ocorre de forma planejada e nem sequer desejada. Vivemos uma geração que vê a maternidade e os filhos como um “peso”, como um destruidor de sonhos, como uma pedra no caminho. É uma geração que valoriza o prazer e o possuir, em detrimento do ser e do doar-se. E um filho vai exigir tempo, atenção, vai gerar gastos, vai mudar os planos, vai fazer esperar os sonhos.

Certamente, Nossa Senhora, sendo mulher e estando noiva, também tinha seus planos e sonhos. Quando o anjo lhe anuncia “que conceberás e darás à luz um filho”¹, a Virgem Santíssima, em um primeiro momento, teve medo e questionou:  “Como se dará isso?” Assim como muitas mulheres são pegas de surpresa diante da descoberta de uma gestação, os sentimentos de medo e de insegurança podem vir à tona, principalmente para aquelas que terão que assumir sozinhas esta decisão. Mas, mesmo diante das incertezas, Maria não vacila e, confiante, ela se entrega à vontade de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” ¹

A Virgem nos ensina a dizer SIM à vida, sempre, diante de qualquer circunstância, por mais assustadora que possa parecer. Dando o nosso sim, cremos Naquele  para o qual “nada é impossível” ¹

Maria nos ensina a educar

Na criação dos filhos, acredito que um dos maiores desafios seja o de educar. Seja na educação “escolar”, que se refere ao aprendizado, no qual devemos participar ativamente junto às escolas. Seja na educação “moral”, aquela onde tentamos ensinar o que é certo e errado, como ser uma pessoa integra, responsável, batalhadora, que respeita o próximo, que respeita a si e que quer fazer o bem.  Seja na educação cristã, onde ensinamos aos nossos filhos a seguir os passos de Cristo.

Maria é nosso exemplo de educadora, em várias passagens da Bíblia, vemos Nossa Senhora “ensinando” o menino Jesus. Fiel seguidora das leis e tradições de Israel, a Virgem Santíssima, ao cumprir os preceitos, dá testemunho ao Seu Filho. Como vemos em Lucas 2, 22 “… segundo a lei de Moisés, levaram-No a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor”

A Virgem Santíssima, plena em sabedoria, também nos ensina que no processo de educação dos filhos, muitas vezes, precisamos orientá-los: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). Mas também nos mostra que, às vezes, é preciso silenciar, como vemos no episódio em que o menino Jesus é reencontrado por seus pais, após ficar “perdido” no Templo. Como uma mãe desesperada, Maria certamente tinha muito a dizer, mas ela “guardava todas essas coisas no seu coração” (Lc 2,51). O que vemos nessa passagem não é uma mãe omissa diante do filho e sim uma mãe, que diante de uma situação que ainda não compreende plenamente: “Não sabeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai” (Lc 2,49), ela sabidamente escolhe submeter-se a Deus, confiando plenamente na sua graça. Nem sempre temos a resposta certa, ou a atitude mais sabia a se tomar. Então, aprendamos com Maria, que a sabedoria é colocar-se diante de Deus e pedir a Ele que nos ensine a educar nossos filhos.

Maria nos ensina a sofrer por nossos filhos

Ser mãe nos impõe alguns desafios, deixamos de ser e agir como se fossemos um só. Desde um simples joelho ralado até as mais profundas dores, compartilhamos dos sofrimentos dos nossos filhos.

Ao meditarmos “as Sete Dores da Virgem Santíssima”, podemos contemplar através do coração Imaculado de Nossa Senhora, que os sofrimentos, quando vividos no amor e na entrega total, deixam de ser só sentimentos. Eles nos unem a Cristo e nos elevam. Maria nos ensina a não fugir dos sofrimentos, a não querer mascará-los. “É preciso permanecer de pé diante das nossas cruzes, mesmo que uma espada tenha nos transpassado a alma”.²

A exemplo de Maria, ensinemos nossos filhos a não fugir das duras realidades da vida, mas a encontrar em Deus o nosso consolo.

Maria nos ensina a ser de Deus

Uma das lições que mais aprendi, ao conhecer melhor a Virgem Maria, foi a de ser mais de Deus. Maria me leva a desejar servir, seguir e confiar em Deus. O pouco que conhecemos de seu trajeto na Bíblia nos revela uma mulher plenamente consciente do seu papel de filha e serva de Deus, aberta e confiante nos seus desígnios.

Quando me abro a viver conforme os planos de Deus, enquanto mulher, esposa e mãe, abro-me também para que sua graça aconteça na minha vida. Sou capaz de contemplar a Deus no sorriso das minhas filhas, no abraço apertado e no olhar que pede carinho. Sou capaz de me doar e encontrar alegria ao despertar na madrugada, no meio do choro, na febre, no nariz que insiste em ficar escorrendo, na casa bagunçada.

Através dos exemplos de Maria, posso me aproximar mais de Deus e, assim, viver com alegria, essa doce jornada da maternidade.

Vanessa Cícera
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

Referências
João 19,25
Lucas 2

Vanessa Cícera
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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