Maturidade humana: 10 aspectos a partir da Palavra de Deus

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maturidade

A maturidade, em geral, evoca algo desenvolvido, formado. Quando falamos de um fruto maduro, queremos dizer um fruto que se desenvolveu e atingiu um bom tamanho, um bom sabor, a ponto de alimentar alguém e gerar outros frutos com suas sementes. Resumidamente, a maturidade gera vida. Entretanto, ela não se restringe ao aspecto biológico, mas diz respeito à vida humana em todos os seus aspectos: emocional, psicológico, emocional, espiritual, etc. Enfim, a maturidade humana é o desabrochar, o desenvolvimento do ser humano em todas as suas capacidades. 

Ora, o Senhor criou a humanidade para o seu pleno desenvolvimento e a incentivou a isso ao dizer aos primeiros pais: “sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e dominai-a” (Gn 1,28). Cristo lembra que “nos escolheu e nos designou para que produzamos fruto e frutos que permaneçam” (Jo 15,16). A partir disso, podemos concluir que a Palavra de Deus como fonte privilegiada de encontro com Deus torna-se fonte privilegiada de aprendizado da maturidade humana.

Com isso, tentemos esboçar alguns aspectos da maturidade humana a partir da Palavra de Deus.

1 – A maturidade e a fonte da vida

A pessoa que atingiu sua maturidade é aquela que percebeu dentro de si a fonte da vida. De fato, o maduro é aquele que descobre em si, em suas essência e em suas características toda potencialidade da qual necessita para ser quem é e para desenvolver-se mais e mais. É o que aprendemos com o homem enfermo do Evangelho de João (Jo 5,1-9). Este homem estava doente há 38 anos. No entanto, não estava doente fisicamente, embora se encontrasse em meio a muitos doentes físicos. De fato, o evangelista diz que ele está com fraqueza, falta de tensão em seus músculos. Portanto, trata-se de uma falta de energia interior.

O Senhor Jesus se apresenta diante dele e o convida a crer em sua Palavra para descobrir que possui em si a força da vida. Ao ouvir e crer na Palavra de Cristo – “levanta-te, toma tua maca e anda” – aquele homem fica curado imediatamente. A relação com Cristo a partir da fé em sua palavra, reconecta aquele enfermo com sua fonte de vida interior.

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2 – A maturidade não combina com a vitimização

Um outro aspecto da maturidade é de o não se colocar como vítima das situações e das pessoas, como se a solução da vida estivesse muito longe de seu alcance. Este aspecto da maturidade está muito ligado ao precedente e, por isso, o mesmo personagem bíblico pode nos ajudar a percebê-lo.

De fato, antes da experiência com Cristo o enfermo da piscina de Betesda colocava-se como vítima de sua fraqueza e espera que a cura viesse de fora, esperava que alguém o colocasse dentro da piscina e que assim ficasse curado. Ao contrário, Cristo lhe mostra que ele não é vítima de sua fraqueza e que também não está condenado à espera da boa vontade de alguém. Realmente, a Palavra de Cristo – Queres ficar curado?”o interpela a assumir a responsabilidade sobre sua vida e sua cura.

3 – Maturidade é saber enxergar as próprias imperfeições

Além disso, a pessoa madura é aquela que não se posiciona como alguém que está acima dos outros, como se fosse a fonte da vida. Desta vez, quem pode nos auxiliar é Zaqueu (Lc 19,1s) que sobe em cima da árvore para ver Jesus. De fato, o chefe dos publicanos está curioso para saber quem é este Jesus que tantos comentam. No entanto, ele não tem coragem de ir ao seu encontro, prefere permanecer a distância a ir até Jesus para vê-lo mais de perto. O sicômoro, árvore na qual ele subiu, era na verdade árvore sob a qual os judeus se colocavam para meditar a lei.

Assim, ao ouvir Jesus que lhe diz “desce depressa porque quero permanecer em sua casa”, Zaqueu é interpelado a não se colocar acima, à distância, a não esconder suas fragilidades em posturas superficiais de distância ou indiferença, mas a estabelecer relações construtivas e duradouras. Ele desce depressa e com alegria, ou seja, se realiza de verdade em relações profundas.

4 – Evite se projetar nas pessoas

Tal traço de maturidade também nos ensina Zaqueu. De fato, o evangelista (Lc 19,1s) detalha que Zaqueu era rico e chefe dos cobradores de impostos. Os cobradores de impostos eram conhecidos como pecadores públicos devido ao fato de cobrarem injustamente mais do que o imposto exigia. É por isso que muitos reprovavam o fato de Jesus conviver com tais pessoas.

Sendo chefe, parece coerente acreditar que ele recebia dinheiro de tais impostos cobrados injustamente. De fato, a passagem afirma pela boca do próprio Zaqueu, a possibilidade de que ele teria prejudicado alguns. Desta forma, ao ouvir o chamado de Cristo de descer da árvore, Zaqueu rompe também com relações utilitaristas que colocam as pessoas como meio de autoprojeção. Com Jesus, ele aprende a alegria de dar generosamente.  

5 – Maturidade não é perfeição

Mais uma verdade que a Palavra de Deus nos ensina é que a maturidade humana consiste em compreender que as qualidades, os talentos e até mesmo o chamado de Deus não isentam a possibilidade do erro. Desta vez, o personagem bíblico que nos ensina é o rei Davi (2 Sm 11,2s.).  Ele foi escolhido e ungido por Deus para ser rei de seu povo, e ao cometer um pecado, tentou consertá-lo realizando um outro. Com efeito, Davi parece descansar um pouco na unção, na escolha de Deus por sua vida.

Diante disso, não tem receio algum em usar de sua autoridade de rei para apanhar a mulher de um de seus soldados e trazê-la para sua cama. Além disso, em face da gravidez da mulher, Davi faz vir o soldado chamado Urias e articula uma situação a fim de que ele possa deitar-se com sua esposa e o filho seja considerado por Urias como sendo seu. No entanto, Urias não cai na armadilha.

Para esconder seu pecado até o fim, Davi coloca o soldado em lugar de perigo na frente do exército para que seja morto pelo inimigo e isso acontece. Davi parece estar cego pelo poder. De fato, ele parece estar tão orgulhoso de ser rei, da escolha de Deus, de seu talento que dá impressão de esquecer que pode errar. O profeta Natã denuncia o pecado de Davi e seus olhos parecem enxergar de novo. Deste modo, Davi reconhece seu pecado e pede perdão ao Senhor. Ele aprende que a unção do Senhor e os talentos que Ele confia não nos tornam infalíveis, não estamos prontos, somos pó e é preciso permanecer humilde para ser maduro.

6 – A  maturidade nos ajuda a tirar as máscaras

A Samaritana (Jo 4,1s), por sua vez, vem nos lembrar que a maturidade humana consiste em não mascarar nossa verdade. De fato, diante da indagação de Cristo no poço de Jericó – “vai buscar seu marido” – ela não lhe esconde o fato de não ter marido. Cristo elogia sua resposta porque, de fato, ela teve vários e o último não era seu. É o assumir sua verdade que liberta aquela mulher e lhe dá a oportunidade de amadurecer. Assumir a própria verdade é o único meio de desenvolver-se, pois sem assimilar a realidade sobre si é impossível tornar-se melhor.

7 – Evitar justificativas para o próprio pecado

Ser maduro também consiste em não buscar justificativas para seu pecado. Isto é o que nos ensina a mulher adúltera (Jo 8,1-11.). Jesus a questiona se ninguém a havia condenado, ela não se justifica, não se defende, simplesmente responde afirmando que ninguém a havia condenado. Ser livre de toda justiça própria permite que a mulher receba o perdão e a correção de Cristo. Ele a coloca de novo na capacidade de amadurecer, de ser melhor: “não peques mais”.

8 – Ser maduro não significa ser “bonzinho”

Cristo, sendo Deus e plenamente homem, viveu ele mesmo a maturidade humana. Ele ensina que ser maduro não é ser bonzinho sempre e que, certas vezes, é preciso utilizar a ira para conquistar o bem devido. Entrando no templo (Mc 11,15-19) e observando o comércio aí instalado, Jesus faz um chicote para expulsar os comerciantes aí instalados. A ira de Jesus é utilizada como energia para afastar o mal instalado na casa de Deus e para restabelecer o bem, ou seja, a vocação do templo que nasceu pra ser lugar de oração. Daí concluímos que a maturidade humana não se trata de engolir sapos e resignar-se diante da vida e modo particular diante do mal. Maturidade humana é lutar pelo bem pois “o Reino é dos violentos” (Mt 11,12) .

9 – Maturidade é fazer o bem para todos

Cristo ensina também que a maturidade humana consiste em fazer o bem sempre para os amigos e também os inimigos (Mt 5,44-48). Por certo, a pessoa madura é aquela que age segundo seus valores e não simplesmente reage dependente daquele de quem está diante. A maturidade humana é agir conforme sua fonte interior e sua consciência. O Senhor vai até ao ponto de dizer que é preciso perdoar setenta vezes sete, ou seja, sem limites, como Ele mesmo está disposto a fazer conosco. Enfim, a maturidade consiste em acreditar na força do amor sempre.

10 – Dar a própria vida pelo bem do outro

Cristo ensina que a maturidade está em entregar-se por amor. O bom pastor se despoja da própria vida por suas ovelhas” (Jo 10,11.), pois “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida” (Jo 15,16). De fato, ele ensinou em sua própria carne o que significa a maturidade indo até a cruz para gerar vida para aqueles que tinham rompido com Pai, fonte e origem da vida.

Leia também: A vida de oração como caminho para o autoconhecimento

Estes 10 aspectos são  poucos perto do que a Palavra pode nos oferecer sobre a maturidade humana. Que o seu  coração seja despertado e atraído pelo Espírito Santo para conhecer mais a Palavra e a conhecendo amadurecer, adquirindo traços de maturidade humana no concreto de sua vida.

Deus abençoe.  

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Padre Luiz Henrique Ferreira
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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