Qual a melhor forma de receber a Sagrada Comunhão?

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comunhão

O Catecismo da Igreja Católica (§ 1407) afirma que a Eucaristia é o coração da Igreja, é o ponto ápice da nossa fé e da vivência cristã. É o centro, é o local, é o momento no qual devemos focar nosso olhar, nossos sentidos, nossos desejos e sonhos, nossa vida como um todo, não há como ser cristão sem a comunhão eucarística.

Não há momento maior para nós, pobres homens, mortais, do que receber Jesus na comunhão eucarística. O Céu habita nossa alma no momento da comunhão, Jesus, em Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, vem até nós. Sua carne viva, santa e ressuscitada toca nossa carne marcada pelo pecado e a morte.

Jesus, em toda a Sua Glória, Poder e Majestade deu-Se aos homens, de maneira mais simples e irracional: na aparência do Pão e do Vinho, consagrado em cada Santa Missa. O próprio Jesus nos diz: “A carne que vos darei é a minha Carne em alimento”. O Senhor nos alimenta, nos sacia, nos salva; devemos vir (ir) sedentos e famintos para a comunhão, para esse encontro. Ele está lá! Tão perto de nós, em cada Santa Missa, acessível a todos, se fores a várias missas num mesmo dia, receberás tantas quantas vezes desejar.

Como participar dignamente?

Mas, como podemos receber de modo digno tamanha graça e benção? Como não permitir que essa graça passe por nós sem se perder e de modo pior que não ocorra, como diz o Apostolo São Paulo, “comungar a própria condenação”. Portanto, como devemos nos colocar nessa procissão Eucarística? Quais as posturas adequadas e necessárias para ter uma comunhão com Jesus?

Nos livros dos Provérbios (25,11) e de Oseias (4,6) há uma mesma citação que diz: “meu povo padece por falta de conhecimento” – importante sabermos que a expressão “conhecer” na Bíblia implica uma relação de amor e de intimidade, de união íntima, sem máscaras, sem inverdades. Não sabemos como comungar apenas, mas, não sabemos Quem estamos comungando.

Na Missa, que é a atualização do Único e Eterno Santo Sacrifício de Jesus na Cruz, recebemos Seu Corpo e seu Sangue. O próprio Jesus Cristo, Ressuscitado e Eterno, o mesmo que andou por esta terra há dois mil anos, é Aquele de quem a promessa de um salvador falava. Ele é o Todo-Poderoso, mas, escondido por detrás de um véu, vemos e sentimos os gostos de pão e vinho, uma presença escondida por detrás de um mistério. São estas as palavras que o sacerdote diz após a consagração: “Eis o mistério da fé!”.

Deus próximo

O primeiro passo para uma bela e perfeita comunhão eucarística é saber e conhecer que aquela pequena partícula de hóstia consagrada contém o Senhor da Vida, o próprio Deus, é Jesus, mesmo que eu não sinta, mesmo que eu não creia, é Jesus! Sendo assim, posso me relacionar com Jesus, me relaciono com “Alguém”, não com “algo”. Não é Alguém distante, mas, Alguém próximo! Como diz o Salmo: “Tu, és mais íntimo de mim do que eu mesmo”. Jesus tem sede dessa relação com cada coração na Eucaristia, uma relação íntima afetiva, com todos os sentimentos que essa relação necessita ou gera.

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Um segundo passo é ter Fé, mesmo que o Senhor não precise da minha fé para se fazer presente na Eucaristia, Ele precisa que eu creia, que eu tenha fé, para que sua obra aconteça. Como está escrito no Apocalipse: “Eis que estou à porta e bato, quem abrir, Eu entrarei e cearei com ele”. Deus respeita nossa liberdade. Precisamos nos convencer a cada momento da presença real de Cristo. Mesmo na dor, no sofrimento, na alegria e agitação, saibamos e nos convençamos de que É o Senhor.

O silêncio interior é uma postura importante para bem comungarmos: não deixar que os sentidos nos agitem, de modo que percamos a comunhão com Cristo; se necessário, grite: “sossega, minha alma, pois aí está o Senhor!”

Aspectos práticos

Em relação à postura prática e funcional para uma boa comunhão: estar em estado de graça, ou seja, não ter cometido pecado mortal, pecados graves. Caso esteja nesta situação, procure o Sacramento da Confissão antes de comungar. Procure não chegar à Missa atrasado, com a Missa já acontecendo, e sem estar com o coração voltado para o mistério que está sendo celebrado. Santo Agostinho nos ensina: “não comungue desta carne sem antes A ter adorado”. Devemos ter uma postura, ou seja, um estado corporal, psíquico e emocional voltado para Jesus, todo o seu ser voltado para o mistério que está sendo celebrado.

Para exemplificar melhor: como você receberia um amigo na sua casa? Sua casa estaria suja, desorganizada, com pó nas cadeiras e nas mesas; você serviria água num copo sujo, não daria atenção, não cumprimentaria, não daria um abraço, um beijo, não lhe serviria um jantar adequado? Da mesma forma, devemos receber Jesus em nossa casa. Devemos lhe dar toda atenção e amor, carinho, dignidade. E isso se faz com atos concreto: uma vestimenta adequada para a Santa Missa – não se recebe Sacramento de bermuda – não esteja disperso na Missa, distraído com seus pensamentos ou dando atenção ao externo e ou para conversas – não peque na Missa.

A Igreja nos ensina que se faz necessário um jejum, sem comer alimentos ou bebidas, a não ser água. Manter esse jejum nos prepara corporal, psíquica e espiritualmente para a Missa e para comunhão eucarística, bom salientar, que é uma hora da comunhão e não do inicio da Missa.

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Adoração após a comunhão

Por fim, é bom manter um momento de adoração e ação de graças a Deus após a comunhão. Quando se namora, ninguém quer passar somente 5 minutos com a pessoa amada, mas quer o maior tempo possível com ela; assim é Jesus conosco e devemos buscar essa relação com Ele. Após a benção final, se possível, permaneça na Igreja ou na Capela, em silêncio, em adoração – sabe aquele momento de olhar nos olhos sem palavras? – Olhe para Jesus presente na sua alma, pois Ele te olha.

Sugiro que utilizemos dos nossos sentidos humanos para agradar a Jesus: abraçá-lo quando O receber, fazer um carinho, dirigir-Lhe pensamentos e palavras agradáveis e belas, tratá-l’O como Ele precisa e merece (um testemunho: quando recebo Jesus, imagino que O coloco num ostensório, em um altar na minha alma, e suplico ao meu Santo Anjo que permaneça adorando-O até a próxima comunhão eucarística. Imagino que eu o incenso na minha alma, imagino um altar digno e bonito para que permaneça exposto).

Sobre comungar diretamente na boca ou na mão, a Instrução Geral do Missal Romano esclarece que:

160. Não é permitido aos fiéis receber por si mesmos o pão consagrado nem o cálice consagrado e muito menos passar de mão em mão entre si. Os fiéis comungam ajoelhados ou de pé, conforme for estabelecido pela Conferência dos Bispos. Se, no entanto, comungarem de pé, recomenda-se que, antes de receberem o Sacramento, façam devida reverência, a ser estabelecida pelas mesmas normas.

161. Se a Comunhão é dada sob a espécie do pão somente, o sacerdote mostra a cada um a hóstia um pouco elevada, dizendo: O Corpo de Cristo. Quem vai comungar responde: Amém, recebe o Sacramento, na boca ou, onde for concedido, na mão, à sua livre escolha. O comungante, assim que recebe a santa hóstia, consome-a inteiramente.

287. Se a Comunhão do cálice é feita por intinção, o comungando, segurando a patena sob a boca, aproxima-se do sacerdote, que segura o vaso com as sagradas partículas e a cujo lado tem o ministro sustentando o cálice. O sacerdote toma a hóstia, mergulha-a parcialmente no cálice e, mostrando-a, diz: O Corpo e o Sangue de Cristo; o comungando responde: Amém, recebe do sacerdote o Sacramento, na boca, e se retira.

Espero que essa reflexão possa exorcizar dos nossos corações toda a frieza da nossa alma no momento em que comungamos Jesus Eucarístico.

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Júlio Della Torre
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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