Primeiramente, fazer a vontade do Pai é saber ser filho dependente. Não podemos esquecer jamais que a vontade é um impulso interior, porém, quando se fala em fazer a vontade do Pai isto implica em uma verdadeira obediência e não em um simples ato da vontade, seja esta via uma condição, um estado ou uma dependência interior.

Todos aqueles que conseguem experienciar em sua vida, em seu cotidiano, por diversas situações, essa vontade na obediência, buscando conformar-se em seu interior os interesses d’Aquele que o ordena, essa atitude o faz feliz e realizado, com o sentido de missão cumprida.

Quando vivo uma obediência desprendida dos meus interesses e vontades as coisas ocorrem conforme o que foi pedido e tudo funciona melhor, de acordo com o projeto ou plano de quem ordenou. Ainda que esteja errado o que se é pedido, pela graça que há na obediência, tudo acaba se ajeitando, “pois quem obedece não erra”.

Na passagem de João 4,34 quando Jesus diz: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra”, isso nos faz refletir o quanto realmente somos conscientes do sentido da palavra obediência e o quanto nos submetemos a ela. Obediência do latim ob-audire, significa escutar com atenção, saber ouvir bem, ou seja, é entender qual a minha função, minha missão e, morrendo para a minha própria vontade, cumprir o que me é pedido.

Graça Sobrenatural

Quando Jesus fala que o Seu alimento é fazer a vontade do Pai, não está simplesmente fazendo o seu trabalho ou cumprindo a Sua missão, mas Ele sabia que estava debaixo da graça do Pai e que podia confiar em Seu projeto de Amor e que este projeto era bom e perfeito.

Posso garantir que, de fato, há uma graça sobrenatural na obediência: “a obediência não existe apenas para o fisiologismo da estrutura, mas é uma graça exultante em nós, que conduz a nós, crianças do Pai, ao caminho certo da Sua morada. É uma graça libertadora de nós mesmos, de nossas vontades e seus afins, capaz de fazer de nós homens livres…”– Regra de Vida Com. Pantokrator

E foi assim, nessa entrega total de Jesus obediente ao Pai, fazendo a vontade d’Aquele que O enviou que Ele realizou o plano salvífico de Deus Pai, trazendo-nos assim, a nossa salvação. Se em um primeiro momento não entendemos e não compreendemos, submetamo-nos a Deus, porque Ele iluminará o caminho, a forma como nós também podemos e devemos caminhar no Seu plano salvador.” – Pe Roger Luis – Comunidade Canção Nova

Quando obedecemos nossos pais, as autoridades, as leis e normas, nós também vivemos essa graça sobrenatural e, “através dessas pessoas que Deus nos apresenta como sinal evangélico de Sua autoridade”, podemos ver os sinais e a graça desse mistério acontecer em nossas vidas.

Colher frutos da obediência

Na bíblia, em Gênesis 3,16-17, podemos ver claramente uma situação de desobediência que gerou uma grande desordem, não somente às pessoas que desobedeceram, mas ao mundo. Em contrapartida, em Lucas 1,26-35, vemos a obediência de uma pessoa que, submetida à vontade do Pai, devolve novamente a ordem.

Posso dizer a você leitor, que nas situações em minha vida sempre procurei fazer a vontade dos meus pais e, desse modo, pude experimentar os frutos bons, porém, quando fui desobediente, querendo fazer a minha vontade, colhi frutos ruins.

Saibamos que, a obediência quando no estado de submissão e conformação, estará sempre ligada à vontade do Pai. Podemos ver na história da humanidade o sofrimento e a dor de muitos povos ou pessoas por escolherem seguir seu próprio caminho, fazendo assim a sua vontade, ao invés da vontade de Deus.

Hoje, na minha e na sua vida, podemos fazer uma breve reflexão e marcar os pontos onde obtivemos sucessos e fracassos, e quais deles estiveram ou não submetidos à obediência.

Jesus é, para nós, em tudo, o Exemplo a ser seguido, desse modo, tudo se tornará diferente e melhor em nossas vidas.

Reinaldo Marques
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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