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Minhas dores eu venho Te mostrar

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Há momentos em nossa vida em que o Senhor permite que passemos certos “apuros”. Deus nos ama e deseja o nosso bem, mas permite que passemos por sofrimentos. Por que temos tanto medo?

Esse “apuro” pode ser uma situação financeira ruim, uma doença, a perda de alguém querido, uma decepção, enfim, algo que nos tire as forças. E nos sentimos derrotados, fracos, injustiçados e impotentes. Queremos rejeitar tudo aquilo e resolver o mais rápido possível a situação. 

No amor não há temor. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor“. (1Jo 4, 18a)

O inimigo é um aproveitador. Ele usa da provação para tentar nos convencer de que somos esquecidos por Deus e que Ele não nos ama. A tentação nos rodeia e podemos nos deixar abater por ela, permitindo-nos acreditar que Deus de fato nos abandonou e que não merecemos passar por aquilo. 

O sofrimento pode gerar a brecha da amargura e, se não estivermos em sintonia com o Senhor, o inimigo pode nos levar a uma experiência de morte, enquanto o Senhor nos deseja levar à vida! Ele deseja nos dar vida em abundância!

Somos seres humanos, criados e marcados pelo pecado original e suas concupiscências. Por isso possuímos o medo, uma angústia em sofrer. No momento do sofrimento, esse medo aparece quase que incontrolável e arrebatador, como Cristo no Getsêmani, que sofreu a angústia da morte. Era a Sua humanidade gritando. Cristo orou ao Pai naquele momento. Ele suava sangue, mas orava incessantemente para que o Seu coração se conformasse por inteiro à vontade do Pai e assim arrebatasse a tentação. Sua união com Deus O fez acolher ao invés de rejeitar.

Veja, temos duas opções: deixar-nos seduzir pela mentira do diabo ou nos submeter por inteiro ao Pai.

Como Cristo, queremos fazer a vontade do Pai; porém, nossa carne fraca cai e logo desiste; e nos deixamos abater. Começamos a murmurar, cansamos de sofrer, somos frouxos na fé, orgulhosos e até prepotentes dizendo: “até quando?”

O “até quando?” te rouba da vontade de Deus e faz com que você se coloque no centro, tirando Deus do comando do seu barco.

Os discípulos, na ocasião do mar agitado, remavam cansados contra as ondas. É assim que fazemos quando murmuramos com o “até quando?”. Remamos contra a vontade de Deus. Isso só nos cansa mais, além de nos colocar mais longe da vontade de Deus, fazendo-nos sentir sozinhos. Precisamos ser dóceis e deixar os remos, deixar que Deus faça toda a força, enquanto nós apenas descansamos n’Ele. Deixar Deus trabalhar, deixar que Ele nos atraia para Si, apossando-nos verdadeiramente do fato de que pelo sofrimento e tribulação sou chamada a ser louvor da glória de Deus. As minhas dores redimem o mundo, a minha cruz está inserida na Cruz de Cristo. Há recompensa maior do que adiantar o céu nesta terra com a minha vida?

O medo nos faz querer remar mais ainda, enquanto Deus nos chama a fazer a experiência da confiança. Aquele que ama e sabe ser amado, confia. Precisamos ser corajosos para permanecer no barco, uma audácia de quem aposta no amor de Deus, de quem já se apossa da vitória que um dia virá.

E aqui voltamos no “até quando?”, ou seja, no tempo, na espera. Como esperar o tempo se completar?

O tempo de Deus não é o nosso tempo. Costumamos dizer que tudo ocorre no tempo de Deus, quando na realidade é no nosso tempo. Vou explicar. Deus está sempre pronto, enquanto nós é que precisamos ser muito lapidados ainda para chegamos à forma da santidade, à configuração de Cristo. 

É necessário ter consciência disso para não querer apressar o tempo com nossas ideias e “jeitinhos”. O sofrimento é uma maneira que Deus usa para forjar em nós a santidade, para nos purificar e nos converter a Ele. É preciso aquietar-se e abrir espaço para o Senhor sem criar prazos e expectativas, o que pode minar aos poucos toda a obra de Deus. A nossa única perspectiva é o amor de Deus e isso nos basta.

Deus nos quer por inteiro, não somente uma parte, não somente aquilo que eu quero dar. Ele quer tudo. O medo nos faz reter, nos faz temer avançar para as águas mais profundas da conversão a que o sofrimento nos leva. Enquanto não fizemos a experiência de esvaziamento Deus não será o Tudo, pois haverá outras coisas no lugar dele, competindo com Ele. É necessário rasgar o coração e dar livremente tudo ao Senhor, com toda a sinceridade de coração, inclusive as coisas mais lícitas e íntimas. Foi essa a experiência da Virgem Santíssima, foi essa a experiência dos santos. Eles permaneceram no vazio de si para que a vontade de Deus fosse a termo. E sofreram para isso. O sim que damos a Deus é um passo no desconhecido que nos desinstala de nossos esquemas, dos nossos apegos, defeitos e pecados. De alguma forma Deus encontra um jeito de nos fazer enxergar o que precisamos curar, converter, mudar e o sofrimento é uma delas. Louvemos pelos sofrimentos e dores que nos tornam mais parecidos com Cristo e que ordenam nossa vida a Ele!

Somente permaneceremos no sofrimento fiéis à vontade do Pai com a ajuda do Espírito Santo. Ele nos eleva ao Senhor para que não façamos força alguma. Ele nos ensina a nos abandonar, Ele nos convence da graça de permanecer. Ele nos ensina a esperar esperando, na esperança ativa que busca incessantemente a graça.

É assim que caminha a nossa vida. Quando superamos um sofrimento com Deus, saímos mais fortes e mais unidos a Ele. Amadurecemos. Contudo, outros sofrimentos virão, como um novo ciclo, mas de alguma forma saberemos por onde ir.

Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nas necessidades, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte“. (2Cor 19, 10)

Deus abençoe você!

Luciana Santos Ronqui
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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