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Nadando contra a corrente do mundo

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Correntes podem levar consigo uma bagagem enorme. Qualquer objeto que não se firme, se mistura com elas. Correntes se emaranham por entre cada corpo inativo que encontram à frente e o carregam por seus caminhos. São capazes de arrastar até barcos imensos para lugares distantes, se ninguém se dispuser a remar. Mas a maior verdade de todas, por fim, é que correntes também arrastam muitas pessoas para longe de Cristo.

O mundo é uma grande corrente. Uma corrente de ideologias, uma corrente de falsos valores, uma corrente de pecados sendo transportados por pessoas, marchando para um mesmo sentido sem ao menos saberem que estão perdidas. E apesar de tudo isso, também é uma corrente que cresce sempre que consegue puxar mais um para si. Caminhar contra ela é uma jornada longa, a qual, querendo ou não, todo cristão é chamado.

A quem Deus Se deu a conhecer é, autenticamente, portador de uma graça e de uma responsabilidade enorme. Deus escolhe bem a quem mostra Sua realeza, e quando o faz, é por que sabe que, portando a Sua graça e os dons que Ele confere, aquela pessoa é capaz de dar ao mundo o que nenhuma outra pode dar. Por isso, encontrar-se com o Pai pela primeira vez é uma experiência inigualável. A luz cai aos olhos e pode-se enxergar a desordem ao redor. Este primeiro impulso que nos leva a nadar contra a corrente do mundo deve ser sustento constante de todos os outros, porque se a força do mundo já é grande, para vencer uma correnteza batendo contra nosso peito é necessária uma força ainda maior.

Quem dera, porém, se a portássemos todos os segundos. Ao nos depararmos com rejeições, medos, desejos ou dúvidas, acabamos travados na luta e cada passo começa a parecer um peso impossível de sustentar. A tendência a parar de andar e se contentar com a frouxidão, achando que Deus não nos exige tudo isso, é pura ilusão. De nada adianta ser um navio gigantesco parado no meio do oceano. Sem movimentos, a corrente o levará consigo.

… o texto continua após a imagem…

Uma corrente se afasta da origem

Deve-se lembrar de que uma corrente que corre em uma direção, se afasta cada vez mais de sua origem. E é, pois bem, na origem que se encontra Nosso Senhor. Por isso, o cristianismo nunca foi e nunca será estático, pelo contrário, ele é puro movimento. A vida com Cristo é movimento de voltar-se à origem; movimento de mudança, de superação, de recapitulação e, principalmente, de missão. É a essência do cristão e o caminho para o Céu. Afinal, quando se ama verdadeiramente a Deus, as coisas do mundo perdem a atração e o sentido. A Carta aos Romanos já diz: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito (Rm 12,2).” São Paulo, em sua dissertação, deixa bem claro nosso papel diante da desordem mundana: transformá-la, e não conformá-la. Até mesmo no sentido de não tomarmos a forma desse mundo, de não seguirmos a mesma corrente. Além disso, em Tiago 4,4 também é dito: “Adúlteros, não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” É certo de que, então, ou se assume totalmente o chamado do Pai, ou não se conquista a verdadeira alegria.

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito (Rm 12,2)

Ninguém, muito menos Cristo, disse que tantas renúncias seriam fáceis. Nada que é de fácil conquista vale realmente a pena, afinal. O diferencial de quem consegue ou não manter-se em movimento contra a corrente mundana está, sem dúvidas, no lugar a que se recorrem as forças. Você recorre a quem? A si mesmo, ou ao Todo Poderoso? O segredo chave de toda essa jornada se encontra de forma simples na mais pura intimidade com o Senhor. Quanto mais nos tornamos íntimos Dele, mais Ele se derrama. Sua Cruz deixa de ser apenas um modelo distante e se torna realidade encarnada nos corações. Não se deve esquecer de que é Ele, desde a salvação, quem vence por nós todas as batalhas que travamos. Mas, para ser fiel nesse movimento de intimidade e permitir que tudo isso concretize, é necessário coragem. Coragem de quem confia que, tendo Deus no controle, nenhum mal pode lhe atingir.

Mesmo quando tudo pareça confuso, mesmo quando todo mundo ao teu redor te questione, te zombe ou te exclua, mesmo quando pareça que está perdendo muitas coisas, mesmo quando não te entendam, mesmo quando te testem, mesmo quando a insegurança trema em suas mãos, a coragem é ter a certeza carimbada na alma de que Deus está cuidando e de que Ele nada destrói em vão, mas sim para poder reconstruir. Só assim, sendo fiel a Cristo e se submetendo à rota que Ele propõe para a tua vida, pelo amor encontrado na intimidade, a força que terás será tanta que, além de atravessar um mar inteiro de correnteza, por onde passares poderá arrastar contigo também muitas almas que, antes, estavam perdidas.

Giovana Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

Giovana Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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