Namoro e Noivado: tempo de construção

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Como deve ser vivido o tempo do namoro?

O namoro é um tempo de conhecimento mútuo, de conhecer a pessoa pela qual nos apaixonamos, para fazer crescer o amor que sustentará uma futura família. Gosto de comparar a imagem do namoro com a de uma escola: podemos dizer que é uma escola de amor. É no namoro que aprendemos a conhecer o outro; seus gostos, seus gestos, seu coração, seus valores. É durante esse tempo que aprendemos a dialogar sobre tudo e a rezar juntos!

Aprendemos o valor e a dignidade do outro e justamente por isso, por amor a ele, fazemos da castidade uma grande virtude que capacita a vivência de um amor autêntico, nos ensinando também que amar é respeitar a pessoa inteira, corpo e alma, não permitindo que ela seja um instrumento para satisfazer nossos caprichos, prazeres e necessidades. Aqui cabe uma citação lindíssima de Papa Bento XVI: “Deus vos chama a respeitar-vos também no namoro e no noivado, pois a vida conjugal que, por disposição divina, está destinada aos casados é somente fonte de felicidade e de paz na medida em que souberdes fazer da castidade, dentro e fora do matrimônio, um baluarte das vossas esperanças futuras.”[1]

É também no namoro, que aprendemos a exercitar desde cedo o perdão e a acolhida do outro como ele é, sem exigências descabidas e egoístas. Assim, aprendemos a amar. Aprendemos que o outro é o que é diante de Deus e que ele não deve ser como desejamos. Muitos casamentos fracassam pelo fato dos cônjuges não haverem passado pela escola do amor. Pelo contrário, viveram o namoro de forma vazia, carente de valores, de diálogo, de conhecimento e de Deus.

Um namoro verdadeiramente cristão é aquele que dá espaço para o amor nascer, crescer e amadurecer! Um amor autêntico, que é livre e escolhe sempre pelo outro. Aqui entendemos a fala de Santa Gianna Beretta Molla, em uma de suas cartas para seu marido enquanto ainda eram noivos: “…quero mesmo te fazer feliz!”

“Amar é, livre e conscientemente, dar-se a alguém para completá-lo e construí-lo. E isto é mais do que um impulso sensível do coração; é uma decisão da razão. Amar é uma decisão. E a decisão não é tomada apenas com o coração, empurrado pela sensibilidade. A decisão é tomada com a razão”, já nos dizia Professor Felipe Aquino.

Quando tomamos a decisão de amar o outro para o resto de nossas vidas, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, damos um passo mais firme rumo ao matrimônio. Esse passo firme é o tempo de noivado. Momento que firma o amor, o prova e o fortalece para que, em Deus, possamos juntos formar uma família e enfrentar todos os desafios que o Sacramento do Matrimônio nos chama a viver. Por isso, tal sacramento deve ser bem entendido, especialmente no noivado: muito mais do que realizar os noivos, muito mais do que os preparativos, a festa, o vestido, o terno, a lua-de-mel, devemos ter a consciência de que estamos juntos com aquela pessoa que amamos, abraçando um caminho de santificação. Assim nos fala Papa Bento XVI:

“Se sois noivos, Deus tem um projeto de amor para o vosso futuro de casal e de família e, por conseguinte, é essencial que o descubrais com a ajuda da Igreja, livres do preconceito difundido de que o cristianismo, com os seus mandamentos e as suas proibições, constitua obstáculos à alegria do amor e impeça em particular de viver plenamente aquela felicidade que o homem e a mulher procuram no seu amor recíproco. O amor do homem e da mulher está na origem da família humana e o casal formado por um homem e por uma mulher tem o seu fundamento no desígnio originário de Deus (cf. Gn 2, 18-25). Aprender a amar-se como casal é um caminho maravilhoso, que contudo exige um tirocínio empenhativo. O período do noivado, fundamental para construir o casal, é um tempo de expectativa e de preparação, que deve ser vivido na castidade dos gestos e das palavras. Isto permite amadurecer no amor, na solicitude e nas atenções ao outro; ajuda a exercer o domínio de si, a desenvolver o respeito do outro, características do verdadeiro amor que não procura em primeiro lugar a própria satisfação nem o seu bem-estar. Na oração comum pedi ao Senhor que guarde e incremente o vosso amor e o purifique de qualquer egoísmo. Não hesiteis em responder generosamente à chamada do Senhor, porque o matrimônio cristão é uma verdadeira e própria vocação na Igreja.” [2]

Hoje, vivemos em uma cultura acostumada a “saciar-se” com caricaturas de amor. Sendo assim, peçamos a Cristo que levante namorados e noivos capazes de serem testemunhas de um amor fiel, casto, forte, real e comprometido com a vida. Que estes não temam construir suas relações na rocha do coração de Deus, que é a beleza, a vida e o maior bem de todo casal!

Edvane Michelon
Consagrada da Comunidade Pantokrator

[1] Papa Bento XVI. Viagem Apostólica de Sua Santidade Bento XVI ao Brasil por ocasião da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe. Encontro com os jovens.Estádio Municipal Do Pacaembu, São Paulo,10 Maio de 2007.
[2] Mensagem do Papa Bento XVI para a XXII Jornada Mundial da Juventude (1º de abril de 2007)

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