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Não consigo vencer o vício do alcoolismo

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O alcoolismo é um sério problema e uma grave questão que todos nós devemos estar atentos. É comum verificar jovens, noite adentro, em todos os lugares, de todas as classes sociais fazendo uso de bebidas alcóolicas em suas primeiras saídas para as baladas, bailes, bares e convivências comunitária ou familiar. De algum modo, o álcool tornou-se um meio que está associado à liberdade, alegria e satisfação em nossa sociedade. É comum ouvirmos a expressão: “eu preciso tomar uma!” sinal de relaxamento, alívio do estresse, fuga dos problemas e das angústias do dia a dia na vida.

O álcool por ser uma droga lícita, possibilita um acesso rápido e mais aceito no meio social. Aquela velha história presente em muitas famílias: “você pode se acabar de beber, está tudo bem, só não use drogas”. Essa é uma mentira que tem que acabar! Sim, as bebidas alcoólicas são drogas e são responsáveis, todos os anos, por 3,3 milhões de mortes em todo o mundo, dado da OMS – Organização Mundial da Saúde.

É comum encontrarmos pessoas que relatam o quanto suas vidas foram marcadas por algum familiar, principalmente a figura paterna, devido ao consumo exagerado de álcool. Marcas profundas que vão desde a depressão e fobias quanto à timidez excessiva, falta de segurança em si mesma, baixa autoestima… No caso dos homens, ausência de firmeza e de tomada de decisões de vida, dependência emocional, a própria repetição do alcoolismo e a agressividade. No caso das mulheres: busca de parceiros com mesma problemática paterna; baixa autoestima; timidez excessiva; depressão; marcas na sexualidade, na afetividade.

Não são poucos os problemas causados pelo alcoolismo, porém, por que é tão difícil tratá-lo?

Segundo especialistas na área, há uma associação comportamental e cerebral de que o bem-estar e o prazer estariam ligados ao consumo da bebida e não aos momentos no qual estariam vivendo. Por exemplo: encontrar os amigos num churrasco, o prazer estaria na quantidade de bebida alcoólica utilizada e não na convivência e amizade, trazendo um distúrbio relacional e social, de modo que a mente condicionará o bem-estar ao consumo e não às pessoas ou a si mesmo.

Continuando nessa mesma linha, o alcoólatra se importará ou fixará seu sentido de vida apenas no bem-estar que o uso da bebida alcoólica traz. Os momentos não serão com a mesma qualidade de prazer e satisfação se não tiver a bebida. Torna-se insuportável participar de uma festa sem a bebida.

Aqui trago uma experiência pessoal. Convivo com pessoas: amigos de trabalho, amigos de infância, familiares que experimentam essa sensação com frequência, sendo uma dor tolerável, mas terrível; basta a primeira oportunidade e eis a pessoa fazendo uso do álcool para a própria satisfação. Há pessoas que conseguem manter suas relações sociais e afetivas, mesmo com essas questões, no entanto, é evidente que a dependência se faz presente.

A relação com a bebida ganha proporções maiores afetando a continuidade no trabalho, nas relações familiares, amizades e responsabilidades civis. O prejuízo e danos para o dependente e suas famílias ficam cada vez mais estruturais afetando todas as esferas da vida do indivíduo.

Cabe aqui reforçar que não há uma linha, um limite que demarque ou que caracterize a dependência. Há indivíduos mais afetados e desestruturados pelo consumo que outros. Há milhões de pessoas que vivenciam uma vida dependente do álcool ou de outras substâncias para ter uma pseudofelicidade ou para conseguir ser melhor enturmado, ser mais desinibido e tantas outras características que os tornam dependentes, entretanto, conseguem manter seus planos e projetos pessoais melhor preservados, contudo, não quer dizer que esses não são ou não vivam a dependência da bebida alcoólica.

A dependência é caracterizada pela necessidade de um objeto externo que não seja eu ou que não esteja em mim, que me faça ou me mantenha num estado de ânimo que julgo necessário para manter e/ou que norteiem minhas relações com o mundo.

Como faço para curar-me da dependência do álcool?

Para começar, é necessário encarar que você não quer perder essa dependência mesmo que reconheça e verbalize os estragos que ela lhe traz. Porém, há um estado viciante que afeta todas as áreas de sua vida. Assim, o passo primordial e básico é reconhecer-se alcóolatra, porque a primeira ação de um alcoólatra é achar que não precisa de ajuda e que não está tão dependente assim. É uma luta interior ligada as áreas de consciência e decisão, portanto, de escolhas. O que eu quero dizer com isso? Meu amigo, mesmo que você saiba ser alcóolatra, você precisa pedir ajuda, sozinho não dá. É preciso quebrar o orgulho e estender a mão!

Aqui faço uma pequena caracterização de estrutura psíquica do dependente: todo dependente é uma pessoa narcísica, imatura, perversa, voltada apenas para si e para a satisfação de seus desejos, mesmo que leve a destruição de lares e famílias inteiras, ele não está nem aí para os seus, quer primeiro saciar seus desejos mais destrutivos inclusive.

Escrevo isso não para gerar qualquer desânimo ou estado negativo com o dependente, todavia, esta é a verdade. Este é o papel tão difícil das famílias: encarar essa verdade sem desistir ou desanimar. Você, família, pode desanimar, mas não desistir! Perceba que essa realidade também pode lhe ser favorável para que seja uma pessoa melhor e mais próxima de Deus.

Voltando para a dependência – reconhecer-se da maneira que está acima descrito é o início de um bom caminho de cura. Pois, se você se convence que é tudo isso e que somente com ajuda de Deus e de outros poderá se curar, você terá forças para querer caminhar rumo a uma mudança de vida. Caso contrário, viverá constantes altos e baixos, recaídas e novas tentativas que também fazem parte do processo de cura.

No evangelho de São Mateus, há um versículo muito importante no processo de cura: “o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam.” – Mt 11, 12 – Você precisa ser violento consigo mesmo na DECISÃO pela sobriedade e busca pela santidade.

Outro passo para a cura: é necessário mudar todo o comportamento viciado que o leva ao consumo do álcool. Notará que há um ciclo que o move ao consumo e percebendo essa tendência comportamental, identificando que sua busca incessante pela satisfação o conduz a ter ações e reações que o levará ao consumo do álcool, terá que MUDAR! O que isso implica na prática: se você passa naquela rua, no mesmo lugar, na mesma hora e que o resultado é a parada no bar, MUDE! Desvie!

O caminho, o trajeto, o horário, as companhias, precisam ser submetidos até mesmo a amigos de boa vontade e fé que lhe ajudem nos primeiros dias a sair desse ciclo.

Se você faz uso do seu salário assim que o recebe, organize-se de modo que seu cônjuge passe a ficar com o salário até você se estruturar melhor, no entanto, isso pode levar uma vida toda e talvez você não possa ficar com o dinheiro nas mãos devido ao vício.

É essencial buscar ajuda em grupos de apoio voltado ao acolhimento de dependentes. Na Comunidade Católica Pantokrator, ocorre todas às segundas-feiras o Grupo Sempre Fiel, destinado a oferecer apoio e ajuda aos dependentes e suas famílias que acabam vivendo uma codependência (pessoas fortemente ligadas emocionalmente a uma pessoa com séria dependência física e/ou psicológica de uma substância). Você poderá utilizar-se do uso de medicamentos específicos destinados a auxiliar nos momentos de crises; a psicoterapia é uma ferramenta necessária nesse caminho de cura; envolver-se em grupos que prestam auxílio a outras pessoas é imprescindível. Um parêntese: se o dependente é voltado para si, um caminho é sair de si mesmo e buscar ajudar o outro.

 Um terceiro passo muito importante é a busca por Deus. Você no caminho da sobriedade terá suas dificuldades, no entanto, saiba que somente Deus preencherá o vazio do seu coração, somente Deus poderá organizar as bagunças e desordens causadas pela bebida, somente Deus poderá recapitular sua vida. Não há outro caminho para a cura senão o caminho e a luta pela santidade, o deixar-se ser transformado pela ação de Deus. Desse modo, é essencial a busca pela confissão, pela vivência Eucarística através da Sagrada Comunhão, pela oração do Santo Terço e outras práticas devocionais. Saia de suas inseguranças e satisfações que a dependência traz em sua vida e passe a trilhar um caminho de cura que Deus fará na sua vida.

Deus o abençoe e … PERSEVERE! Não desista nunca, pois Deus nunca desiste de você!

Julio Della Torre
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator 

Julio Della Torre
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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