Não fuja da Cruz!

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Cruz

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O próprio título desse artigo já causa calafrios, é como dizer, não fuja da morte. É óbvio que iremos fugir daquilo que nos causa dor, desconforto, insegurança ou até mesmo que nos ameace de alguma forma. Somos feitos de carne, temos dentro da nossa natureza o instinto de sobrevivência. Entretanto, Cristo veio triunfar sobre a morte, desta forma, a Cruz, que outrora era causa de maldição, agora se torna caminho da graça da verdadeira liberdade em nossas vidas. Sim, abraçar a Cruz é abraçar a nossa liberdade!

Porque a Cruz me parece tão pesada?

“Gravai nos vossos corações estas palavras: O Filho do Homem há de ser entregue às mãos dos homens! Eles, porém, não entendiam essa palavra e era-lhes obscura, de modo que não alcançaram o seu sentido, e tinham medo de lhe perguntar a esse respeito.” (Lc 9, 44-45)

Vejam só, tal é a condição do homem antes da ressurreição de Cristo e do envio do Espírito Santo aos nossos corações? Aqueles homens corajosos, que deram suas vidas pela construção da Igreja de Cristo, enfrentaram o repudio das autoridades, foram açoitados, torturados e provaram do martírio, ficaram com medo de perguntar o que significava a fala de Jesus. Está aí a diferença entre antes do Espírito Santo e pós Espírito Santo, sem Ele todo o nosso esforço para carregar alguma Cruz é pífio. Sem o Espírito Santo somos limitados, fracos, covardes e não conseguimos transcender as nossas cruzes, temos elas como peso, como um estorvo.

Não fugir da Cruz é viver o sobrenatural!

O sofrimento é algo natural, Cristão ou não, todos iremos sofrer. Precisamos parar de ser ingênuos e compreender que até mesmo pessoas ricas, que expõem suas vidas perfeitas por aí, também sofrem; tudo neste mundo é perecível, não há nada aqui que seja eterno, além de nossas almas. Sendo assim, buscar meios para resolver os problemas, dar a volta por cima, buscar ajuda de um psicólogo, estudar alguma solução, enfim, todas estas coisas também são naturais. Cristãos e não cristãos buscam formas de resolver seus problemas o que é algo totalmente compreensível e necessário, não estou criticando isso, de forma alguma.

Entretanto, amar a Cruz, encará-la com amor, por ser uma oportunidade de se unir a Cruz de Cristo e, com Ele, redimir o mundo, não é natural. Isso é algo extremamente sobrenatural, é obra do Espírito Santo, é um poder que vem do alto, que age em nós, nos fazendo amar a Cruz e ressignificar as questões da vida humana para a redenção do mundo, seja uma doença, desemprego, frustrações, luto e etc. Tudo é encarado com firmeza pelo poder do próprio Deus! Isso não é natural em nós, por isso quando não temos fé, tudo parece insuportável.

A fé é a porta da liberdade!

Adão e Eva tinham a Palavra de Deus: “Vos não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais” (Gen 3, 3), mas a serpente implantou a dúvida no coração deles, os fez questionar: Será que Deus é realmente bom? Porque não posso comer deste fruto?

Essa dúvida é exatamente o oposto da Fé, quando duvidamos da Palavra de Deus, somos vulneráveis ao demônio. Adão e Eva tinham a possibilidade de dizer não a serpente, bastava a Fé, crer naquilo que não se vê, abandonar-se nos braços do Pai, mas eles escolheram a dúvida e duvidando foram privados da inocência, decidiram dizer para Deus e para si mesmos o que lhes era bom e conveniente. É como se uma cadeira dissesse ao seu carpinteiro: “- Por favor, me deixe escolher meu caminho, me deixe ser lenha!” E o carpinteiro desesperado diz: – “Não faça isso, você vai se destruir desse jeito!” Mas a cadeira, duvidando da bondade do seu criador diz: – “Deixe-me escolher o que é bom pra mim!” E na sequência se lança em uma labareda de fogo qualquer para concretizar sua escolha.

Portanto, precisamos viver da fé, parar com essa palhaçada de querer ser conhecedor de todas as coisas, de querer ter uma opinião formada sobre tudo, de querer julgar tudo e ter respostas para todos os problemas do mundo. A verdade é que somos vulneráveis e extremamente limitados, se quisermos ser realmente livres, é necessário ter fé no Deus incompreensível e inesgotável, nos abrirmos para a graça do Espírito Santo, sermos gerados nesta vida sobrenatural e, assim, não fugiremos das cruzes, pois veremos nelas oportunidades de amar a Deus e ao próximo, quem é livre opta por melhores escolhas e a melhor escolha é amar. Não fuja da Cruz!

Lucas Sturion
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator 

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