Não há o que temer

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Todos nós passamos por situações que nos angustiam em algum momento de nossas vidas, seja uma enfermidade, a morte de um ente querido, uma situação familiar delicada, um desemprego ou qualquer outra situação delicada. Nesses momentos, nos sentimos inseguros, com medo, mas é também aí que experimentamos nossa impotência, nossa incapacidade de ter o controle sobre todas as coisas, nos deparamos com nossa pequenez, com o nosso nada e experimentamos a potência de Deus em nós, o Seu amor, a Sua providência e por isso nada devemos temer.

Deus, em Sua infinita bondade, nos presenteou com uma Mãe, a Virgem Santíssima, que nos acolhe em nossas dores, em nossas dificuldades. É Ela quem nos ensina a nada temer, remetendo-nos Àquele que governa todas as coisas, que possui em Suas mãos a realeza, o Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

“Não estou eu aqui?”

Em uma de Suas aparições ao pequeno índio São Juan Diego, a Virgem de Guadalupe se apresenta como Aquela que nos acalma diante de nossas dificuldades. Certa vez, Juan Diego se deparou com a enfermidade de seu tio, que pediu a ele que se dirigisse a Tlatelolco para buscar um sacerdote a fim de confessar seus pecados, pois tinha certeza que chegara a hora de sua morte. Juan Diego, com receio de que a Virgem o encontrasse novamente, contorna a colina de Tepeyac, local onde aconteceram Suas primeiras aparições ao índio. Ele tinha pressa diante da situação de seu tio, porém Nossa Senhora vem ao seu encontro e lhe indaga acerca do seu destino, quando então Juan Diego relata a doença de seu tio e a aflição em chamar o sacerdote para confessá-lo antes que partisse. Diante disso a Virgem de Guadalupe lhe diz palavras de consolo, que também se dirigem a nós, diante de nossas aflições:

“Escuta, e guarda-o no teu coração, meu filhinho, que o que te assusta e te aflige é nada. Não se perturbe o teu rosto nem o teu coração, não temas essa doença, nem nenhuma outra doença ou coisa dolorosa e aflitiva. Porque te preocupas? Não estou eu aqui, eu que sou tua Mãe? Não estás sob a minha sombra e resguardo? Não sou eu a fonte da tua alegria? Não estás debaixo do meu manto e no meu colo? Por acaso tens necessidade de alguma outra coisa? Nada te aflija ou te perturbe, não te aperte com aflição a doença do teu tio, porque dela não morrerá por agora. Tem por certo que ele já está bom” 1

Juan Diego sente-se plenamente consolado com essas palavras, suas aflições e preocupações são consideradas um nada diante da graça de Deus que se derrama pelas mãos da Virgem Maria. E nós, filhos desta mesma Senhora precisamos ecoar em nossos corações essa certeza de que nada devemos temer, pois tudo aquilo que nos assusta não é nada diante da grandeza dessa Mãe, que nos coloca sob Sua sombra, debaixo de Seu manto, em Seu colo, a medianeira de todas as graças.

1 “O mistério de Guadalupe”, Francisco Ansón, Ed. Quadrante, 1998, pg.21

Maria deseja ser para nós esse porto seguro, onde podemos descansar, n’Ela encontramos esse colo de mãe, o consolo, a segurança e a certeza de que nada devemos temer, pois nos lembra em todas as situações que nos afligem: “Porque te preocupas? Não estou eu aqui, eu que sou a tua Mãe?”.

Como bem nos lembra São Bernardo, nenhum daqueles que recorreram à proteção da Virgem Maria ficaram por ela desamparados, Ela jamais despreza nossas súplicas e livra-nos de todos os perigos.

Temos uma Mãe

Aos pés da Cruz, Jesus entrega a Virgem Santíssima aos cuidados de João, o discípulo amado. “Eis aí tua Mãe” (Jo 19, 26-27), com essas palavras, Jesus revela Maria como mãe do Salvador e, por consequência, Mãe de todos nós, remidos pelo Seu sangue que jorrou na cruz. Em Maria, encontramos a via que leva a Cristo. Por isso, se recorremos a Ela, nada devemos temer, pois, pela Sua intercessão, certamente receberemos as graças de Deus.

Precisamos, assim como João, acolher a Virgem Santíssima em nosso coração, entregar a Ela toda nossa vida, a fim de que, por Sua intercessão, possamos estar cada vez mais próximos de Seu Filho.

Assim, confiantes e entregues aos cuidados da Mãe, podemos trilhar pelos caminhos que o Senhor tem preparado para nós sem medo ou receio, pois ainda que venhamos a encontrar dificuldades durante o percurso, estaremos com o coração repleto de paz, pois a Virgem Santíssima estará conosco, ela que é a nossa Mãe.

Allan Oliveira
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator 

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