Não queira a migalha, você nasceu para o banquete!

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migalha

Quem, em sã consciência, optaria pela migalha em vez do banquete?

Se você respondeu a essa pergunta, aposto que pensou ser impossível alguém escolher a migalha.

Deus nos criou para ser Sua imagem e semelhança. Ele nos dignifica. Não somos servos, mas filhos como diz o evangelista João: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” (Jo 15,15).

O Filho pródigo e sua opção pela migalha

O filho pródigo do relato do Evangelho (Lc 15, 11-32) tinha tudo na casa do seu pai, e resolveu pedir a sua parte da herança, numa tentativa frustrada de buscar a felicidade por si mesmo. Pois bem, como é de conhecimento da grande maioria, chegou um determinado momento de sua empreitada, quando sua fortuna se dissipou, veio uma grande fome e o moço, começou a passar penúria. Na tentativa de saciar a fome que sentia, dividia a comida com os porcos, a lavagem.

Quantas são as vezes em que nós, portadores de uma realeza dada por Deus, nos colocamos na mesma postura do filho pródigo, cheios de nós mesmos, cheios de soberba, achando que seremos felizes, que teremos o mesmo banquete dado por Deus, no mundo?!

Quantas são as nossas motivações para saciar as nossas vontades com a migalha que o mundo nos oferece, mendigando atenção, pedindo a esmola do afeto, reconhecimento das pessoas, dos nossos chefes, dos nossos pais, amigos?!

Na passagem do filho pródigo, vemos um único episódio. Mas nós, quantas vezes pedimos a nossa parte da herança para Deus? 1, 2, 3? Já perdi a conta de quantas vezes me contentei com a migalha, esquecendo-me do banquete, e só me lembrando dele em estado de calamidade, quando me vejo semelhante ao personagem da história, passando penúria…

Nós fomos criados para a grandeza, para a realeza, para o céu, para o banquete.

Nós temos a escolha de permanecer junto à mesa do banquete de Deus ou escolher a migalha.

É tempo de negar nossas vontades desesperadas do pouco, do ínfimo. Nós temos tudo, que o próprio Deus confia a nós. Essa é a promessa d’Ele.

Só Deus basta, como diz Santa Teresa D´Ávila.

Eucaristia é o banquete!

Como um bom pai, que dá a seus filhos o melhor, Cristo nos dá o Seu banquete, nos dá o Seu amor, os Seus caminhos, a Sua vontade que nos leva ao céu, mas também nos dá o alimento que sacia toda a nossa fome e nossa sede.

“Na última ceia, na noite em que foi entregue, nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue, com o qual perpetua pelos séculos, até a sua volta, o sacrifício da cruz, confiando, deste modo, à Igreja, sua amada esposa, o memorial de sua morte e ressureição: sacramento da piedade, sinal da unidade, vínculo da caridade, banquete pascal em que Cristo é recebido como alimento, o espírito é cumulado de graça e nos é dado o penhor da gloria futura” (Catecismo da Igreja Católica, § 1323).

Deus nos ama tanto que desce de Sua realeza em cada celebração eucarística para nos saciar, nos colocar na mesa, nos colocar no banquete.

Pare de buscar a migalha, você já possui o banquete!

 

Jéssica Feitosa Fernandes
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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