Não se torne escravo dos elogios

| 30 de janeiro de 2019 | 0 Comentários

É fato que receber elogios é maravilhoso. É muito bom ser reconhecido e receber elogios por algo bom que fizemos; isso nos estimula e nos impulsiona a querer sempre acertar e melhorar o desempenho.

Quando você está realizando um trabalho, ou se tem metas a cumprir, o elogio te valida e, de certa forma, ratifica que você está no caminho certo e te anima para continuar.

Também é maravilhoso ser elogiado por alguma característica física: gostamos daquela voz ecoando dentro de nós: “Nossa! Como você é amoroso!”, ou “Que lindos olhos você tem”.

Isso nos alegra e ficamos repensando durante o dia o elogio que recebemos. Isso não é mal. Pode, por exemplo, nos tirar de uma tristeza, uma fase ruim ou nos impulsionar à perseverança em uma obra que precisamos realizar.

Mas não devemos nos deixar escravizar pelos elogios.

A vanglória

O elogio é bom, mas deve ser vivido santamente e com equilíbrio, porque podemos ficar dependentes deles e criar uma contínua necessidade de ser reconhecidos e amados por aquilo que fazemos, e fazemos bem. O elogio gera em nós um profundo medo de errar… Aquela voz interior afirmando constantemente o quanto somos bons gera em nós uma vanglória.

Segundo o Dicionário, vanglória significa: presunção; vaidade exagerada; opinião excessivamente boa acerca de si mesmo; ter vanglória significa orgulhar-se em demasia de suas próprias qualidades ou aptidões pessoais. Numa palavra: a vanglória é o oposto da humildade.

Na verdade, gostamos de receber glórias e méritos, de ser reconhecidos. Quando estamos constantemente querendo ser reconhecido pelo que fazemos, nós nos tornamos vaidosos porque, no fundo, é a única maneira de nos sentirmos amados.

É “glória vã” porque queremos preencher as carências, a baixa autoestima e a falta de amor próprio realizando, empreendendo forças, tentando redimir o vazio em uma busca desiludida por louvor.

Torna-se uma busca desenfreada por afirmação; e vamos nos tornando dependentes dos outros de maneira negativa; e, quanto mais buscamos afirmação nos outros, tanto mais inseguros nos tornamos, tanto mais presos nos tornamos.

Quanto mais glória e elogios recebemos, mais rejeitamos a nossa condição humana, de frágeis e finitos, e passamos a não suportar nossos erros; e escondemos a qualquer custo nossas imperfeições.

E passamos a não suportar nossas fragilidades.

Como combater a vanglória?

A melhor maneira de nos libertar da vanglória, da necessidade constante de receber glória, e louvor, é a humildade. O humilde sabe que nada lhe pertence, que ele não é digno de receber glória e louvor porque tudo que ele é vem de Deus. O humilde não tem medo de errar, de olhar para suas fragilidades.

São Francisco de Sales vai nos dizer: “Do que se admirar que a miséria seja miserável”? De fato somos miseráveis. Todo e qualquer brilho se assim achamos que possuímos vem de Deus, Ele é Digno de louvor nós não somos, Ele é o Poderoso. Como diz São Francisco diante de nossas misérias não há o que se admirar por que somos fadados ao erro, se a infinita misericórdia não nos visitar.

Diante de um erro, ou miséria, diante de um fracasso, quando somos humildes não tememos ou não nos desesperamos porque sabemos que isso é tudo vaidade e passa.

O humilde se dobra diante da grandeza de Deus e deixa Deus ser seu tudo.

Mas o humilde também sabe que ele não precisa fazer nada para ser amado, ele é amado por aquilo que é como pessoa. Ele não precisa fazer, ele precisa ser. Mas, ser o quê?

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1, 26). Não existe nada mais forte, palavra mais exorcista que nos liberte profundamente da necessidade de nos afirmar, da necessidade de ser amado, do que esta: somos imagem e semelhança da Trindade, em nós a Trindade habita e somos imagem e semelhança de Deus.

Ele nos ama, fomos somos criados por Ele, n’Ele está todo amor de que necessitamos. Quando nos humilhamos e reconhecemos seu amor sua grandeza, e que tudo que possuímos de bom vem d’Ele, somos saciados em seu amor.

Isso é profundamente libertador: não ser escravos de elogios significa que quando estamos em Deus, mergulhados no Seu amor, nada nos falta, como criancinhas que estão sentadas aos joelhos do pai, sem preocupação com suas meninices e infantilidades porque sabem que aquilo agrada ao coração do pai.

Sejamos assim como essas criancinhas que não se preocupam tanto em ser perfeitos, bons e sábios, que não se preocupam em receber flashes. Mas em tudo procuram agradar o pai. Deus é esse Pai maravilhoso que nos espera porque nos ama e nos ama com amor incondicional, porque Ele pensa algo sobre nós, e quer constantemente nos dizer de Seu amor por nós. Ele nos amou por primeiro!

De fato, diz São João, “nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como oferenda de expiação pelos nossos pecados” (1Jo 4, 10).

Ele nos amou primeiro; nós necessitamos somente de Seu olhar sobre nós, somente Ele nos conhece como somos, e conhece nossos dons e capacidades porque Ele nos deu, e também conhece nossas misérias e pecados, somente o Seu olhar pode nos curar e libertar, Santa Teresinha vai nos dizer lindamente: “Eu sou aquilo que Deus pensa de mim”.

Deus pensa algo de você, não espere dos outros algo que somente Ele pode te dar. É Ele que te afirma, é n’Ele que está sua segurança e sua verdade.

Ninguém tem mais propriedade para dizer algo a você do que Ele, que te criou. Coloque-se em Sua presença, humilhe-se e deixe Deus te olhar nas profundezas do teu coração. A Ele, somente a Ele é devido todo louvor e toda glória!

Jaqueline Moreira
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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Category: Artigos Pantokrator

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