Não sinto vontade de namorar; é um problema?

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Namorar ou não namorar: eis a questão. Vivemos a geração da tecnologia, do acesso rápido a informação, das facilidades que um mundo conectado aparentemente nos fornece. Tudo funciona muito rápido, muito passageiro, muito descartável. E isso afeta o comportamento das pessoas. Nesse mundo, enganosamente sem fronteiras, as pessoas querem ser “livres”. Liberdade vista como sinônimo de não comprometimento, de relações efêmeras, de sentimentos superficiais.

Diante dessa realidade, o “ficar”, ou seja, ter uma relação afetiva sem manter um compromisso, vem ganhando cada vez mais espaço. O que antes era tido como algo da adolescência vem se tornando muito comum entre os adultos. Não é raro encontrar pessoas de 30 ou 40 anos que não querem assumir um namoro, muito menos um casamento.

Será que esse comportamento é “normal”? Não querer assumir um relacionamento mais sério pode ser um problema? Diante desses questionamentos é preciso refletir sobre quais os motivos que realmente impedem uma pessoa de buscar algo mais duradouro.

Namorar implica comprometimento e entrega. Para isso, é preciso assumir com responsabilidade suas atitudes. E é nesse ponto que muitas pessoas “desistem” de namorar. Um dos motivos pode ser a falta de maturidade.

Não sinto vontade de namorar; é um problema?

As “facilidades” do mundo moderno estão permitindo que as pessoas prolonguem a adolescência. Os jovens não se veem mais pressionados a ter uma independência financeira, sair da casa dos pais, constituir família etc. O que antes era visto como uma meta a alcançar, hoje já pode esperar. Os anseios são outros e a busca por alcançá-los também perdeu força. Isso acaba gerando adultos imaturos, com medo de se arriscar, com medo de se comprometer. Isso afeta todas as áreas de sua vida, inclusive os relacionamentos.

Vivemos numa sociedade egocêntrica, em que o “eu” deve estar em primeiro lugar: o meu prazer, o meu descanso, as minhas vontades, a minha liberdade. Um namoro, quando vivido com autenticidade, deve envolver as duas pessoas e isso requer partilha, requer doação.

Outra causa que pode influenciar esse “não querer namorar” é o conjunto de ideais sobre o que vem a ser um relacionamento. Existem duas vertentes: a primeira é aquela que idealiza uma relação e está sempre em busca de algo perfeito, a pessoa perfeita, o relacionamento perfeito. A outra é aquela que, seja por experiências próprias, seja por de outras pessoas, vê o relacionamento como algo negativo, que tira a liberdade, que faz sofrer. Ambos trazem sentimentos de frustração e de medo diante de novas oportunidades. As pessoas hoje não querem sofrer, têm medo da dor e por isso preferem não assumir o risco.

Vale a pena namorar!?!

Assumir um namoro é um momento importante do amadurecimento humano. E vivê-lo com responsabilidade e respeito certamente fará gerar frutos, como a alegria de sair de si e fazer algo pelo outro, aprender a dialogar, descobrir como é importante a amizade dentro de um relacionamento, o companheirismo. Viver um namoro vai muito além do não estar sozinho ou do satisfazer meus afetos. Não é somente ter alguém; envolve estar com outra pessoa, dividir as alegrias, os sonhos, é ter alguém que torce por você e pode te ajudar a crescer.

Namorar é o início de uma jornada a dois. Deve-se caminhar juntos olhando na mesma direção. É um caminho que deve gerar crescimento e fortalecimento para ambos.

Quando vivido sob o olhar amoroso de Deus, um namoro santo, além de ser abençoado, pode gerar frutos de conversão, testemunhando que namorar é tempo de conhecer, de planejar, de amadurecer, de dar os primeiros passos de uma história que pode se tornar a história de sua vida.

Vanessa Cícera Ramos
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

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