Não tenhais medo!

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Se procurássemos em todo o Novo Testamento as palavras que mais foram repetidas nas Escrituras,  veríamos que foram exatamente essas que nos exortam sobre não ter medo de nada. Em Mt 28, 5 quando os anjos disseram as mulheres sobre a Ressurreição de Jesus que já havia acontecido: ‘Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Não está aqui: ressuscitou como disse.’ Em Mc 6,50, os discípulos pensavam estar diante um fantasma e, no entanto, o Próprio Senhor se apresenta a eles: ‘Não tenhais medo, Sou Eu’. Finalmente, em Jo 20, 19, quando os discípulos haviam fechado as portas  do lugar onde se achavam por medo dos judeus, e o Senhor mais uma vez se apresentou a eles dizendo: ‘A paz esteja convosco!’ E em tantos outros momentos!

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De fato, essas palavras do Novo Testamento ressoam em nosso coração como uma palavra de ordem: ‘Não tenhais medo! Não tenhais medo!’ Não tenhais medo porque o Verbo Se fez carne, habitou entre nós, morreu em expiação dos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia. Em Jesus, vê-se revelado o tamanho do amor do Pai pelo homem, vê-se a face de um Deus rico em bondade e fidelidade, que não mede esforços para salvar suas criaturas! Jesus se torna, portanto, o fundamento  de toda esperança cristã! Por Ele é que somos salvos! Como diz o Salmo, só em Deus repousa minha alma, por que é Dele que vem a minha salvação! Mais ainda, Jesus é, como Ele mesmo afirmou, a porta estreita pela qual devemos entrar para chegar ao céu! E porque o céu existe e está acessível outra vez a nós, e pelo fato de que Deus nunca nos abandonou e nos acolhe em sua misericórdia, não devemos temer coisa alguma!

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A certeza, porém, que Deus nos ama e continua nos amando em seu Filho Jesus e que o céu existe e nos espera, é uma certeza que devemos ter, não apenas no momento de nossa morte, em que poderemos contemplar o céu! É uma certeza que é antes de tudo:

  1. Uma decisão radical de se abandonar inteiramente em Deus, e nos seus planos para nós, um abandono que não deve apenas acontecer em um momento na oração. Claro que se deve iniciar aqui, mas deve se estender durante todo nosso dia, pelo resto da nossa vida. No mais simples e concreto do nosso cotidiano.
  2. Uma entrega total de tudo aquilo que era antes considerado como nosso e, por fim, de nós mesmos. No sentido de que tudo aquilo que temos e somos deve estar nas mãos de Deus, pois Ele é o Senhor de Tudo. Mas Ele só poderá governar nossa vida quando resolvermos entregar tudo para Ele.
  3. Uma consciência madura do fato de que, por vezes conviveremos com o sofrimento em nossa vida. Ao contrario do que se pensa, confiar em Deus não nos exclui de passarmos por dificuldades, porque muitas vezes é na noite escura que Deus prova nosso coração. Mas é nessa hora que Ele mesmo fortalece nossa decisão!

Mas por que, afinal de contas, confiar? E mais agora, que descobrimos que confiar é muito mais do que receber, é doar, é dar de si! Por que confiar? Porque, contradizendo os pensamentos humanos, em termos evangélicos, a razão é sempre o amor! Porque só quem ama, e se sabe amado, confia. E faz de si uma oferta total para o outro, sem nada esperar em troca. A confiança é ainda a prova do nosso amor a Deus!

Mas, quem pode trair um pessoa se essa se entrega livremente por confiança e por apostar tudo no amor? Nem o mais vil dos criminosos não sente seu coração ao menos abalado quando alguém deposita nele um voto de confiança, um voto de amor? Imaginemos então Deus, em sua infinita perfeição!

Por fim, por que o amor, que é o Próprio Jesus, tudo crê, tudo espera , tudo suporta! E assim como fez Jesus com o Pai nas horas mais difíceis da sua vida, devemos também nós, que somos Seus discípulos, entregar tudo nas mãos do Pai, na certeza de que somos sempre acolhidos em sua infinita misericórdia e vivemos sempre em baixo de suas asas, amparados por seu ciúme!

‘Não tenhais medo, eu estou aqui!’

Leandro Andrade
Postulante na Comunidade Pantokrator

 

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