Natal, uma noite que mudou todos os dias

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Em uma noite fria, em um barraco na periferia de São Paulo, uma família gemia de fome e frio e, pior, as crianças ardiam de febre fazia dias, sem conseguir qualquer tratamento médico. Desespero! Os pais, desolados, fracassados, não sabiam o que fazer. Naquele barraco reinavam as trevas e a morte era como um urubu esperando o primeiro a quem devorar. O caos estava instalado naquela família. Já bem à noite, quase meia noite, da porta, do lado de fora, se ouve um voz dizendo: “Eu estou chegando”. Os pais se entreolham, mas ainda céticos em acreditar que aquilo tinha a ver com eles. Mas alguém bate à porta. Ao abri-la, um cesto ao chão. Nele havia alimentos deliciosos, remédios necessários para os filhos e um convite que dizia: “Convido-os a mudar de casa. Conheçam a mansão do meu pai”. Alguém visitou aquele barraco, alguém salvou aquela família. Isso é Natal!

Natal é essa visita do Divino na favela da humanidade para arrancá-la da sua condição miserável, do poder da morte. No Natal o Divino nasce na manjedoura da humanidade, para que nasçamos na mansão da graça de Deus. Deus passa a morar no barraco, para que nos ensine o caminho da Sua mansão. De fato, Jesus vai dizer: “Na casa do meu Pai há muitas moradas… Eu vim preparar-vos um lugar” (Jo 14,2). No meio de nós, Deus faz um caminho: da criança na manjedoura até o homem ressuscitado, mas passando pela Cruz. Esse é o caminho que nos leva dos nossos barracos à mansão da Casa do Pai.

No Natal somos presenteados por Deus. Tudo muda na história da humanidade.

O Menino divide a história em antes d’Ele e depois d’Ele, como passamos a contar os anos. Porém, como na parábola acima, o presente principal é um convite maravilhoso, mas, ao menos tempo, apenas um convite. O menino Deus vem nos fazer um convite: o de morar na Casa de Seu Pai. O que se pode fazer diante disso? Por incrível que pareça, muitos celebram o convite, festejam o Natal, mas não saem de “seus barracos”. Logo a festa passará e ficará somente a lembrança de bons momentos, uma bela noite que passou. Outros, ao contrário, acreditam.

De fato, é preciso ter fé. Aqueles que têm fé seguem a trilha do convite e se tornam habitantes da mansão da graça de Deus. Para esses, aquela noite ilumina todos os dias, até o dia em que “não haverá mais noite: não se precisará mais da luz da lâmpada, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus vai brilhar sobre e eles reinarão para toda a eternidade” (Ap 22,4-5, Oração das Completas).

André Luís Botelho de Andrade
Fundador e Moderador Geral da Comunidade Pantokrator

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