Dentre tantos amores mundanos, dentre tantos amores falhos, dentre tantos amores nesta Terra, existe um que se diferencia de todos os outros. Existe um amor que, embora não seja perfeito, é aquele que mais se assemelha ao amor de Deus por cada um de nós. Um amor que se pode dizer… autêntico. No dicionário, autêntico significa “de origem comprovada”, ou seja, verdadeiro, genuíno ou legítimo. Soa estranho pensar ser, sequer possível, qualquer amor humano atingir essas características, uma vez que somos profundamente marcados pelo pecado. Mas Deus, em sua infinita misericórdia, derrama essa graça em algumas pessoas escolhidas por Ele mesmo neste planeta: as chamadas mães.

Presente de Deus

A maternidade é um presente de Deus à mulher, pois a capacidade de gerar vida é algo que a transforma por inteiro e a torna mais semelhante a Ele. Semelhante porque a capacidade de gerar vida vem de Deus e a capacidade de se dar por essa vida gerada também é Dele. Nós humanos, sozinhos, não somos capazes de tamanha entrega. Quando Deus permite a maternidade, Ele concede um dom à mulher que traz a toda humanidade uma oportunidade de enxergar um amor semelhante ao Dele de forma concreta. A maternidade, por isso, é sinal divino no mundo e faz parte da Misericórdia de Nosso Senhor, sendo também um presente a todos nós.

A maternidade muda a vida de uma mulher. Tornam-se portadoras de um sexto sentido, de uma habilidade incompreensível em meteorologia, de uma intuição apurada para reconhecer amizades falsas, e acima de tudo, de uma facilidade enorme em colocar as necessidades dos filhos acima das suas. A maternidade educa ao educar, é uma escola de doação. Mães são cuidado de Deus, são mimo, são o porto seguro que todo ser humano tem o direito de ter. Uma mãe é a experiência do amor autêntico do Senhor, permitindo que até famílias distantes de Deus o toquem. Ainda que você não se abra com sua mãe, ela sabe quando há algo errado com você e muitas vezes não deixará você perceber que sabe; ainda que você brigue muito com sua mãe, ela insiste em desejar-lhe o melhor; ainda que você não tenha uma mãe, existe alguém que faz esse papel em sua vida, mesmo que essa pessoa seja “apenas” Nossa Senhora.

Exemplo de mãe

Ah, Maria! Um exemplo de mãe, uma referência de entrega tão genuína, um amor tão amável que permite com que todos que se aproximem, sinta o aroma da doçura exalando de seu coração. Feita de carne e osso como qualquer mulher, nunca em sua vida foi uma mulher qualquer. Aceitou a maternidade de Jesus e desde a concepção, priorizou-o antes que José, antes que sua família e antes que seu futuro. Maria é aquela que inspira todas as mães. Quem a imita adentra ainda mais na graça da maternidade. Nenhum medo parou Maria. Nenhuma desconfiança reduziu a autenticidade do seu amor. Diante da Cruz de seu Filho, ela lá estava, com os olhos fixos Nele, dando-Lhe o sustento que apenas o olhar materno é capaz de dar. Em Maria, o amor autêntico se encarna! De Maria, Deus molda a maternidade. Sortudos os que a têm por mãe além da mãe terrena que nos é dada.

Sendo toda essa expressão da beleza e misericórdia de Deus, o amor autêntico materno, infelizmente, vem sofrendo ataques do inimigo em nosso século. Inimigo do amor e do belo, ele vem inspirando a repulsa no coração de jovens mães que vêm surgindo. Até poucos anos atrás, a ideia do aborto era escandalosa. Hoje, há mulheres que não encontram mais ternura pelo fruto de suas entranhas. Nenhuma artimanha do inimigo, porém, adentra os corações sem que haja brechas para tal. O feminismo e o desprezo pela maternidade abriram portas para a rejeição aos filhos, com a falsa ideia de que a mulher seria livre deste modo. Acontece que, na verdade, não há nenhum emprego digno de mais valor que o de uma mulher que se dedica a educar seres humanos para o mundo. A maternidade é, enfim, a experiência mais libertadora que uma mulher pode ter: ela se liberta de si e de seus egoísmos e encontra uma vida de profunda alegria daquela que porta muitos dons e, principalmente, o amor autêntico do próprio Deus.

Existe honra maior que essa? De que forma portar tantas graças pode ser aprisionador? Nunca fez e nunca fará sentido. A maternidade é a realização mais concreta da essência da mulher: ser a expressão da ternura de Deus ao homem.

Canal de amor e de esperança

As mães e o seu amor autêntico são canais de esperança para nós no mundo, em meio a tantos desamores, em meio a tanta ruindade sendo aflorada dentro dos homens – invadindo até mesmo a maternidade, como dito, – Deus coloca em meros seres humanos um amor que ultrapassa limites, um amor que nos lembra do Seu, um amor que nos lembra do Céu e que nos faz acreditar que ainda é possível se doar pelo outro, que o demônio e seu egoísmo ainda não possuem a palavra final. Por isso, precisamos homenagear essas mulheres. Precisamos valorizar esse amor, regando-o. Precisamos orar por elas, para que continuem sendo fonte de vida em mais sentidos do que a biologia é capaz de explicar. Não apenas hoje, mas todos os dias. Porque todo dia é dia daquelas que fazem da sua vida uma escola do autêntico amor. Parabéns a todas elas! Feliz dia das mães!

Giovana Cardoso
Postulante na Comunidade Católica Pantokrator

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