O cristão não caminha sem rumo

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rumo

Certa vez vi um pregador fazer uma reflexão que me marcou e que gostaria de partilhar: qual a diferença entre peregrino e errante? Peregrino:  é aquele que caminha, tem um percurso, um propósito, um fim a se atingir. Errante: que anda sem destino, que vive a vaguear sem rumo.

Trazendo esse significado para a vida espiritual, fica claro que o cristão caminha e sabe para onde vai, é feliz mesmo diante das provações, sabe que busca o céu e pode contar com o Espírito Santo, nunca está só; o errante está perdido, sem rumo e nunca é feliz.

No nosso cotidiano vivemos muitas experiências, inclusive coisas que não são de Deus, mas quando já se teve a oportunidade de ter um encontro pessoal com Jesus, sentiu a vida ser tocada por Ele e foi envolvido pela força do Espirito Santo, descobre que só há verdadeira felicidade caminhando rumo ao céu!

Este caminho de santidade exige muita determinação. Precisamos nos submeter à ação do Espírito Santo para nos tornarmos aquilo que Deus quer. Com isso, seremos homens, mulheres, profissionais, pais, maridos e esposas melhores. A graça de Deus atua em nós para que possamos viver aquilo que Ele quer de nós. A Santidade simples, do dia a dia, é um caminho que deve ser percorrido com coragem e esperança.

“Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática do bem. ” (Tito 2, 11-14)

O Papa Francisco nos exorta: “A semente da santidade é precisamente o Batismo”, enfatizou. “Trata-se de amadurecer sempre mais a consciência de que estamos enxertados em Cristo, como o ramo está unido à videira, e por isso podemos e devemos viver com Ele e Nele como filhos de Deus. Então a santidade é viver em plena comunhão com Deus, já agora, durante a peregrinação terrena”.

É no dia a dia que precisamos viver a nossa fé. Sem Deus, não somos nada! Todos temos fraquezas, por isso não podemos nos acomodar. Nossas fraquezas são combatidas quando as reconhecemos e clamamos a força do Espírito Santo, o Divino Auxílio, diariamente.

Não se angustie se suas lutas não dão o resultado humanamente esperado, mas se alegre ao saber que o Pai vê e conhece profundamente seu coração e suas intenções.

Santa Teresinha não escondia de ninguém o quanto se via limitada e incapaz, e mesmo assim, o seu abandono dava-lhe forças para alçar os altos voos de santidade. Ela nos aponta um caminho, “uma pequena via” que é resposta para nossas angústias, afinal, quantas vezes nos sentimos limitados, sem forças e incapazes de achar o rumo certo para o céu?

Ela nos ensina que mesmo vendo suas fraquezas com clareza, isso não a fez desistir de seu propósito de ir para o Céu. Pelo contrário, isso foi um impulso para descobrir o novo caminho:

“Estamos num século de invenções. Agora já não se tem a maçada (o esforço) de subir degraus; em casa dos ricos o ascensor (elevador) substitui-o vantajosamente. Eu queria também encontrar um elevador que me elevasse até Jesus, porque sou demasiado pequena para subir a rude escada da perfeição. Então, procurei nos livros sagrados a indicação do ascensor – objeto do meu desejo –, e li estas palavras saídas da boca da sabedoria eterna: se alguém for pequenino, venha a mim. Então, aproximei-me, adivinhando que tinha encontrado o que procurava, e querendo saber, ó meu Deus! O que faríeis ao pequenino que respondesse ao vosso apelo. Continuei as minhas buscas, e eis o que encontrei: – como uma mãe acaricia o seu filho, assim eu vos consolarei; levar-vos-ei nos meus joelhos! Ah! Nunca palavras tão ternas e tão melodiosas me vieram alegrar a alma. O elevador que me há de elevar até ao Céu, são os vossos braços, ó Jesus! Para isso não tenho necessidade de crescer; pelo contrário, é preciso que eu permaneça pequena, e que me torne cada vez mais pequena. Ó meu Deus! Excedestes a minha esperança, e eu quero cantar as vossas misericórdias.” (HISTÓRIA DE UMA ALMA, Manuscrito C – 271)

Nos tempos em que tantas pessoas se encontram desanimadas consigo mesmas, sem esperança, Santa Teresinha aparece como uma excelente companheira na luta diária pela santidade.

Essa espiritualidade de Teresinha produz a virtude da humildade e da magnanimidade.

Sobre a humildade ela nos ensina: ficar pequeno é reconhecer o próprio nada, tudo esperar de Deus, não se afligir com as faltas, porque as criancinhas, se caem muitas vezes, por serem pequeninas, pouco se machucam.

Magnanimidade:  virtude que capacita a ir além de si mesmo, sabendo que a grandeza é de Deus. Desejo de lutar por coisas grandes, desafiar-se, saber esperar com confiança, não se contentar com medidas baixas, mas almejar voos altos rumo ao céu.

Nos coloquemos humildemente na presença do Pai, com as mãos vazias, e, reconhecendo nossa miséria, deixemo-nos alcançar pela misericórdia e pela graça divina. A exemplo de Santa Teresinha nos coloquemos nas mãos Daquele que deseja mais do que nós mesmos a nossa salvação, Ele nos quer no Céu. Se correspondermos à Sua graça, um dia poderemos contemplá-Lo face a face na eternidade.

Para finalizar, um conselho de São Paulo: “Só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo.” (FL 3,13-14)

O mais importante é primeiro decidir se quer andar sem rumo, ou peregrinar rumo ao céu. O caminho é árduo; é preciso caminhar sem parar e sempre com os olhos, pensamentos, sentidos e vontade fixos no Senhor.

Mônica Laura dos Anjos Tavares de Andrade
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

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