O Homem é Imagem de Si Mesmo ou Imagem de Deus?

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As diferentes respostas da ideologia de gênero e da Sagrada Escritura.

“E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher” (Gn 1,27). O homem é imagem de si mesmo, ou imagem de Deus? A ideologia do gênero, que eleva o homem a criador e juiz de si mesmo, reivindicando o direito a se autodeterminar na sua pertença de gênero sexual, tem exigido do mundo católico aprofundar a doutrina da Igreja e dar ao mundo a razão da própria fé. Aquilo que até pouco tempo atrás era considerado evidente e certo em relação à identidade do gênero masculino e do gênero feminino, hoje não é mais. Como dizia o cardeal Newman, “se tiramos Deus do ciclo do pensamento, é o próprio pensamento que se enfraquece e perde o contato com a realidade, não apenas no ponto de vista da fé, mas também da razão”. Desta forma parece sempre mais urgente e sensato se perguntar: quem é o homem?

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Uma grande escritora e poetisa italiana, Elena Bono, respondeu da seguinte forma a uma pergunta (no dia 12 de maio de 2003), sobre o que era a palavra: “A palavra é aquilo que conota o homem e o distingue de todos os outros seres vivos sobre a terra. Os latinos chamavam os animais de ‘muta animalia’ e os gregos de ‘àloga zòa’, criatura privada de logos (pensamento, palavra, razão)”. Ou seja, existe uma relação profunda entre “palavra” e “homem” e – continuava a poetisa – “é preciso se perguntar quando foi que o homem adquiriu o ‘privilegium magnum’, o privilégio real da palavra, e se o homem chegou à palavra com suas próprias forças, em perfeita autonomia, ou por meio de um impulso inicial de alguém”. Quantos de nós hoje temos o sentido da sacralidade da palavra e, sendo assim, a sacralidade do homem? A Sagrada Escritura é um texto com o qual cada um de nós deveria se confrontar, comparando com as mais modernas descobertas científicas, para formar as próprias ideias sobre o mundo e a vida, compreender o que é o bem e o mal, fazer as próprias escolhas conscientes e responsáveis. O homem e a mulher de fé escutam a Palavra de Deus com uma sabedoria e intelecto particulares, que são dom do Espírito Santo. Mas, de um ponto de vista exegético, válido para crentes e para não crentes, a Sagrada Escritura, assim como a ciência, exige muito estudo e competência.

Para ir ao encontro das exigências do homem moderno, a Igreja católica fez o Catecismo da Igreja Católica e o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, apresentando a doutrina sobre a base bíblica e litúrgica, com uma linguagem adaptada à vida de hoje. Trata-se de dois textos extremamente ricos e preciosos de conteúdo, muitas vezes não reconhecidos até mesmo entre os fiéis.

O Catecismo da Igreja Católica, no seu prefácio, inicia assim: 

“A vida do homem – conhecer e amar a Deus

1. Deus, infinitamente perfeito e bem-aventurado em Si mesmo, num desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para o tornar participante da sua vida bem-aventurada. Por isso, sempre e em toda a parte, Ele está próximo do homem. Chama-o e ajuda-o a procurá-Lo, a conhecê-Lo e a amá-Lo com todas as suas forças. Convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade da sua família que é a Igreja. Para tal, enviou o seu Filho como Redentor e Salvador na plenitude dos tempos. N’Ele e por Ele, chama os homens a tornarem-se, no Espírito Santo, seus filhos adoptivos e, portanto, herdeiros da sua vida bem-aventurada.” (CIC Prólogo I).

Em algumas linhas, tem todo o sentido da história humana, vista segundo a fé cristã. Na parte dedicada ao homem podemos ver toda a grandeza e a beleza com a qual a Igreja nos indica e aprofunda a mensagem cristã, sobre o fato que: 

“‘Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus. Ele o criou homem e mulher’ (Gn 1, 27). O homem ocupa um lugar único na criação: é ‘à imagem de Deus’ (I); na sua própria natureza, une o mundo espiritual e o mundo material (II); foi criado ‘homem e mulher’ (III); Deus estabeleceu-o na sua amizade (IV).” (CIC 355).

Alguns capítulos a frente, na parte intitulada “Homem e mulher os criou”, encontra-se:

“O homem e a mulher foram criados, quer dizer, foram queridos por Deus: em perfeita igualdade enquanto pessoas humanas, por um lado; mas, por outro, no seu respectivo ser de homem e de mulher. ‘Ser homem’, ‘ser mulher’ é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher têm uma dignidade inamissível e que lhes vem imediatamente de Deus, seu Criador (239). O homem e a mulher são, com uma mesma dignidade, ‘à imagem de Deus’. No seu ‘ser homem’ e no seu ‘ser mulher’, refletem a sabedoria e a bondade do Criador.” (CIC 369).

Não basta ter uma opinião própria sobre as coisas para estarmos certos de que temos as ideias válidas e bem estruturadas. É preciso aprender a nos confrontarmos com a cultura clássica, com o pensamento crítico, com o método de aprendizagem de formação da nossa consciência. 

Fonte: Aleteia

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