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O papel dos batizados nas eleições

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01A meu ver, o batizado tem uma responsabilidade política por dupla força: do batismo e como cidadão. Todo batizado é chamado a trabalhar na construção do Reino de Deus, e não há dúvidas que a política é uma forma privilegiada para isso, inclusive as eleições. Se a organização da sociedade, se as instituições, se as leis não se ordenam para o Reino de Deus, toda a evangelização será fragilizada, se não anulada. Como cidadão, o batizado é parte constitutiva e responsável pela organização da sociedade, para que ela seja ordenada para o bem comum. Platão dizia que “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”. Gostando ou não, a política faz parte de nós e da sociedade. Os que não gostam são governados por outros, os que se isentam, provavelmente serão manipulados por outros.

Para animar cristãmente a ordem temporal, no sentido que se disse de servir a pessoa e a sociedade, os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política” 1.

Essa participação na política, a meu ver pode ser de 3 formas:

Por uma consciência política, bem formada tanto nos fundamentos da Doutrina Social da Igreja, tanto em bases políticas sadias que se harmonizam com a fé, quanto no acompanhamento consciente da vida política da comunidade em âmbito regional, nacional e internacional. Dessa forma, se é capaz de, ao menos, situar-se de forma cristã diante dos desafios da sociedade, e especialmente dar o voto realmente consciente nas ocasiões das eleições.

luz da fé

Pela participação em atividades políticas de associações, bairros, organismos e partidos políticos. Dessa forma, se é capaz de cooperar de maneira mais eficaz com a organização da sociedade e a construção do bem comum

Por fim, alguns se sentem vocacionados a assumir cargos públicos e assim assumirem uma maior responsabilidade política. Trata-se de uma missão, e talvez uma das missões mais dignas e desafiadoras.

Voto e eleições

“Um voto é como um rifle: sua utilidade depende do caráter de quem usa”.2  Na democracia, o voto é a arma fundamental do cidadão. A eleição é a hora privilegiada de se usar essa arma. Digo “hora privilegiada”, porque na verdade, um cidadão consciente faz seu voto ter valor, mesmo fora do momento das eleições, no dialogo com os governantes. Mesmo assim, o meu voto pode parecer de pouco valor em meio a multidão. No entanto o voto ganha valor extraordinário unido aos outros votos iguais. Na democracia, se torna uma real força política.  E isso, mesmo que se tenha perdido as eleições, porque no equilíbrio das forças políticas, numa verdadeira democracia, onde os governantes governam para todos, não somente a maioria conduz a história, mas todos juntos, mesmo os perdedores nas eleições.

O essencial é que o voto seja feito de forma consciente. E para nós cristãos algumas premissas são fundamentais na escolha de candidatos nas eleições:

Que o candidato seja comprometido com o Bem Comum: deve ser alguém que assuma a política como uma missão, onde os interesses pessoais estejam realmente submetidos aos interesses da comunidade. O bom político é ao mesmo tempo um patriota que zela pelos interesses na Nação (Cidade, Estado) e solidário, que se sensibiliza e age em favor dos mais necessitados na sociedade.

Que o candidato seja capaz de trabalhar para o Bem Comum: querer não é poder. O político deve ser alguém que conheça o Bem Comum, ou seja, a Moral e a Doutrina Social Católica, respeitando a laicidade do Estado.  Deve ter o mínimo de conhecimento técnico para exercer sua função, tal como, organização social, economia, legislação, e especialmente nesse momento, é preciso conhecer também os mecanismos globalistas de Revolução Cultural que militam contra os costumes cristãos e contra a família. Também é necessário que seja capaz de engendrar a política, ou seja, que tenha eficiência no trato político para a construção do Bem Comum (Equilíbrio humano, capacidade de diálogo, inteligência política, boa base política).

Que se mantenha no Bem Comum: É comum um político, inclusive entre os batizados, começar bem intencionado e terminar triturado pelos mecanismos corruptores do atual sistema político. Para isso duas coisas ajudam muito: a transparência do mandato, de forma que os eleitores e a população em geral, possam conhecer os passos do político. E ainda, que tenha um grupo de pessoas firmes e preparadas, que ajudem o político nos inúmeros desafios.

Leia também: Patriotismo para um Brasil Gigante

Ser cristão é ser apóstolo da caridade. Para se-lo não podemos negar essa via, a política, que conforme o papa Paulo VI, é “forma privilegiada de caridade”

André Luis Botelho de Andrade
Fundador e Moderador Geral da Comunidade Católica Pantokrator

1 – EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL CHRISTIFIDELES LAICI 42, João Paulo II
2- THEODORE ROOSEVELT, Foi presidente dos Estados Unidos

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