O que podemos aprender com os Santos Zélia e Luís Martin

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Temos a alegria de celebrar no mês de julho a memória dos Santos Zélia (1831 – 1877) e Luís Martin (1823 -1894), pais de Santa Teresinha. Foram canonizados em 2015 pelo Papa Francisco. Nossa querida mãe Igreja nos traz vidas de virtudes para nos animar a seguir o que Deus nos exorta: “Sede Santos!” (Lv 20, 26).

Zélia e Luís tiveram uma educação marcada pelo rigor. Os dois tiveram pais militares. Santa Zélia, em cartas trocadas com seu irmão mais novo, define sua infância e juventude como tristes. Sua mãe não era afetuosa. A ela e sua irmã mais velha não era permitido brincar sequer com bonecas.

O estudo dos dois teve base religiosa. Sentiam-se desejosos de viver em uma comunidade religiosa, mas não foram aceitos. Escolheram como profissão, ele, aprender o ofício de relojoeiro, ela, aprender a fazer rendas, obtendo sucesso em seus negócios.

O encontro do santo casal aconteceu quando passavam por uma ponte, em Alençon – França. A ponte São Leonardo literalmente ligou um ao outro. Casaram-se dentro de 3 meses. Nos primeiros meses de casamento, viveram como irmãos. Após uma conversa com um sacerdote, foram convencidos a ter uma família numerosa.

A vida em uma família de santos

A vida da família alternou momentos de alegria pela chegada de cada filho com o luto e profunda tristeza pela perda de quatro deles. Em 13 anos, tiveram 9 filhos no total. As 5 filhas que sobreviveram escolheram ser religiosas.

Viviam os sofrimentos com serenidade e fortaleza, as alegrias, com gratidão e nas dificuldades, conservavam a paz de espírito, sempre dando graças ao Bom Deus.

santos

Santa Zélia soube conciliar a maternidade com a profissão. A educação das filhas foi sempre priorizada, nos minuciosos detalhes, conciliando os estudos com o lazer saudável (recitações, cantorias, jogos). Também com suas colaboradoras em casa e no ateliê mantinha um clima alegre e fraterno. Tal ambiente, ao lado do talento de Zélia, contribuiu para o êxito do empreendimento, o qual prosperou tanto que Luís vendeu sua joalheria para um sobrinho e passou a cuidar das encomendas, entregas e da contabilidade do ateliê.

Luís, tão devotado às filhas quanto Zélia, dava-lhes uma educação firme e marcada pelo carinho. Ao mesmo tempo austero e divertido, gostava muito de brincar com as filhas e levá-las para passear.

O santo casal vivia o autêntico espírito cristão: missas diárias, confissões frequentes, grande devoção à Santíssima Virgem, adoração ao Santíssimo Sacramento, peregrinações e retiros espirituais, seguimento fiel aos ensinamentos da Igreja. Manifestavam a caridade como casal na visita aos idosos, auxílio aos pobres, assistência aos doentes, no amor e cuidado com o próximo.

Após descobrir que estava gravemente doente, com câncer de mama, Zélia continuou com as devoções diárias e com o trabalho até não ter mais forças para continuar. Apesar de sofrer com a ideia de deixar as filhas e o marido, confortava-a o pensamento de fazer a vontade de Deus. Os últimos meses de vida lhe trouxeram grandes sofrimentos físicos. No entanto, manteve a serenidade até a morte.

Após a morte da esposa, Luís mudou-se de Alençon para Lisieux, morando próximo ao cunhado, como era a vontade de Zélia. Luís se desdobrou para diminuir a falta que a mãe fazia às filhas. Santa Teresinha conta que a vida com o pai lhe era muito agradável. O seu rei, como ela o chamava, jogava damas, cantava e recitava as verdades eternas, elevando a alma. Faziam orações juntos.  Santa Teresinha dizia que bastava olhar para seu pai para saber como os santos rezavam.  Seu pai gostava de pescar e apreciar a natureza.  A visita ao Santíssimo Sacramento era uma de suas atividades prediletas.

Tão próximo de Deus, o senhor Martin sentia em seu coração que era feliz demais para alcançar o céu. Quis então oferecer-se ao Senhor para sofrer por Ele. Teve então uma doença que lhe provocou lapsos de memória cada vez mais graves, chegando à perda das faculdades mentais, necessitando ser internado. Segundo Teresa, “ele bebeu a mais humilhante de todas as taças”. Faleceu com 71 anos.

Vivendo os sacrifícios com esperança

O ambiente de fé, amor e virtude que Santa Teresinha viveu em sua infância permitiu brotar e desenvolver seu chamado à santidade. Luís e Zélia souberam viver plenamente o Sacramento do Matrimônio com total abertura à vida e aceitação dos sofrimentos e sacrifícios.

O amor de Zélia e Luís a Deus os levou à esperança do céu e a viver os sacrifícios com serenidade. Decidiram confiar e entregar toda sua vida a Deus.

 O processo de canonização dos santos foi instruído separadamente entre 1957 e 1960. A vida de cada um foi analisada separadamente. Souberam viver as virtudes cristãs um para o outro e os dois para Deus.

Santa Teresinha reconhecia a santidade dos pais em vida; dizia: “O bom Deus deu-me um pai e uma mãe mais dignos do céu que da terra.”

Tocar a vida da família do santo casal, adentrar um pouco mais sua história é tocar a beleza e a bondade do Senhor. Enche-nos de entusiasmo para amar mais a Deus em nossa vida cotidiana, em cada detalhe.

Santos Zélia e Luís Martin, rogai por nós!

Thais Casarini
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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