O que tenho oferecido: ódio ou amor?

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Ódio é uma palavra que por si só já parece causar antipatia. Ódio é uma “aversão intensa”, segundo o dicionário, “geralmente motivada por medo, raiva ou injúria sofrida”. Decidi iniciar com essa definição, pois se coloca assim como o contraponto do amor, embora o dicionário não consiga abranger o que significa amor, que é muito mais do que lá está superficialmente descrito. A Bíblia Sagrada o define melhor!

“Deus é amor.” 1Jo4,8

Com essa breve, mas excepcional, definição, vemos que a potência do amor é muito maior do que a o ódio, embora pareça o contrário. Mas, por qual motivo coloco isso? Porque, em nosso dia a dia, podemos mascará-los, minimizar e até suavizar os efeitos desastrosos de um e maravilhosos do outro.

ódio

Nós temos uma ilusão em nossas vidas de que tudo deve acontecer exatamente como esperamos que aconteça e, quando isso não ocorre (quase sempre!), nossa tendência é rejeitar fatos ou pessoas, com murmurações, reclamações, ou quaisquer outras manifestações de descontentamento.

Queremos ser o centro, mas não o somos, queremos ter o controle, mas não o temos. Muitos de nós passamos a vida toda iludidos com esse “falso poder” nos descontentando com tudo o que “desobedece a nossas ordens”. Esse “descontentamento” pode se transformar em ódio, dependendo da intensidade do fato.

Coloco tudo isso porque vejo que o ódio não é um sentimento repentino, mas é algo cultivado, como é cultivado o amor. O ódio, por si só, pode até ser “bom” se bem direcionado, se direcionado pelo amor. Como assim? O ódio ao pecado é um ódio bom! Convenhamos que não é muito comum encontrarmos esse tipo de ódio por aí.

Somos um campo de trigo, onde foi plantado o joio

Somos um campo de trigo, onde foi plantado o joio. Muitas vezes, queremos colher trigo e oferecemos joio. O joio cresce mais rápido e, na pressa, é ele que entregamos. Pouco ou nada paramos para refletir sobre nossas atitudes e sobre os acontecimentos que nos visitam. Vamos simplesmente reagindo, não agindo nas situações e muitas de nossas atitudes acabam por se basearem numa versão parcial da realidade, tantas vezes enganada. Falo de coisas superficiais como perder um ônibus quando se está atrasado, até coisas mais profundas como perdoar uma ofensa grave.

O ódio “ruim” vai sendo cultivado em nós sem que percebamos. Uma reclamação ali, uma raiva aqui, uma decepção acolá. Vamos juntando todo esse entulho em nosso campo e alimentando mais o joio que o trigo. O inimigo de nossas almas sabe bem disso e sempre irá colocar justificativas para esses maus sentimentos, vitimismo, vingança etc.

Sim porque o demônio tem ódio de nós, pois odeia o próprio Deus. Quer ataca-Lo, fazendo de nós “imagem e semelhança” dele mesmo! Seu objetivo é que odiemos a Deus e escolhamos o inferno, por isso vai se aproveitando de toda situação para nos transformar em campos de joio.

Destorce palavras, constrói contendas, cria situações de desconfiança… com isso vai direcionando nossos maus sentimentos às pessoas, que deveríamos amar, à situações, que deveríamos abraçar, pois bem sabe que da mesma forma que: “o que amar a Deus, ame também a seu irmão”(1Jo,4,21), o que odiar seu irmão, acabará por odiar o próprio Deus.

Na oração do Pai Nosso, Jesus nos ensina a rezar: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”. Em outra passagem, nos avisa: “Na medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos” Mt7,2.

O que temos oferecido?

Em todas as situações teremos sempre duas escolhas: louvar ou murmurar. Podemos assim agradecer ou reclamar, aceitar ou rejeitar, amar ou odiar, ignorar, usar. E são dessas escolhas que nossa vida vai se alimentando, são essas as sementes que vamos plantando e cultivando, que se transformam nos frutos que oferecemos. Qual semente temos deixado crescer em nós? As sementes da Palavra de Deus?

Somos um campo de trigo. O joio foi o inimigo quem plantou. Não nos deixemos enganar pensando que somos um campo de joio, onde Deus plantou algum trigo! Somo filhos de Deus, portanto filhos do Amor! Sendo assim só seremos plenamente nós mesmos à medida que amarmos, amarmos como Jesus nos amou e ensinou e o Espírito Santo nos capacita. Nossa realização está em amar e em um dia participar da glória do Pai, da felicidade eterna que só o Amor pode nos dar.

Rosana Vitachi
Cosagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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