Onde Deus te chama a amá-Lo?

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Amar a Deus das tarefas simples aos atos extraordinários do dia a dia.

Jesus disse que o primeiro e o maior mandamento é amar a Deus (cf. Mt, 22, 36-38). Nada é mais importante que isso! Para explicar como o amor a Deus deve ser, Jesus citou Deuteronômio 6,5: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito”. Isso não significa que não devemos amar os outros, mas que nosso amor pelo Pai deve ser superior diante de todos os carnais. A Palavra não diz “Amarás unicamente a Deus”, mas “Amarás a Deus acima de todas as coisas”. Que seria do Salmo 8, por exemplo, ou do Cântico dos Cânticos se não fossemos chamados a amar a natureza, o mundo e as pessoas? O importante é aproveitar do cotidiano ao extraordinário.

Para amar Jesus, o amor que devemos viver nesta terra é o pequeno, pois não foi para sermos heróis que Deus nos criou, mas para que, na simplicidade do amor por nós sentido e vivido na fidelidade das pequenas coisas, possamos ser surpreendentes no amar. No trabalho comum de todos os dias, Nosso Senhor chama todos os homens e mulheres a santificarem a sua ocupação diária, tornando-a oferta agradável ao Criador. Nisso ressoa o apelo divino para sermos santos em todas as ações e trabalharmos nas estruturas temporais como filhos de Deus, que amam as coisas e ao próximo no Senhor. (Regra de Vida El Shaddai-Pantokrator)

Amar a Deus, servindo a Deus e aos homens.

Escreveu São Josemaría Escrivá:

“Sabemos que a vida corrente é o verdadeiro lugar da existência cristã. Aí onde estão nossos irmãos os homens, aí onde estão as nossas aspirações, nosso trabalho, nossos amores — aí está o lugar do nosso encontro cotidiano com Cristo. Em meio das coisas mais materiais da terra é que nós devemos amar a Deus e santificar-nos, servindo a Deus e a todos os homens. Tenho-o ensinado constantemente com palavras da Escritura Santa: o mundo não é ruim, porque saiu das mãos de Deus, porque é criatura dEle, porque Javé olhou para ele e viu que era bom. Nós, os homens, é que o fazemos ruim e feio, com nossos pecados e nossas infidelidades. Qualquer modo de evasão das honestas realidades diárias é para os homens e mulheres do mundo coisa oposta à vontade de Deus. Pois Deus os chama a servi-Lo em a partir das tarefas civis, materiais, seculares da vida humana. Não esqueçamos nunca: há algo de santo, de divino, escondido nas situações mais comuns, algo que a cada um de nós compete descobrir. É preciso saber materializar a vida espiritual para não levar uma vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas. Há uma única vida, feita de carne e espírito, e essa é que tem de ser — na alma e no corpo — santa e plena de Deus, desse Deus invisível, que nós encontraremos nas coisas mais visíveis e materiais. Não há outro caminho: ou sabemos encontrar o Senhor em nossa vida de todos os dias, ou não O encontraremos nunca. Por isso, posso afirmar que nossa época precisa devolver à matéria e às situações aparentemente mais vulgares seu nobre e original sentido: pondo-as ao serviço do Reino de Deus, espiritualizando-as, fazendo delas meio e ocasião para o nosso encontro contínuo com Jesus Cristo”.

Desse modo, a santidade que devemos viver e testemunhar é a do simples amor, à luz do ato criador e redentor de Deus, que confiou o mundo aos homens e às mulheres para tomarem parte na obra da criação, libertarem a mesma criação da influência do pecado e santificarem a si mesmos na família, no emprego e nas várias atividades sociais, fazendo do mundo espaço teologal, lugar de encontro com Deus e culto a Ele, ou seja, lugar de santidade enraizada numa oração continuada e concretizada no sacrifício do amor-fidelidade que, na condição de pecado em que o mundo se encontra, é também lugar de missão à Deus que chama a todos a serem nos ambientes do cotidiano um sinal de Cristo fiel ao Pai (Regra de Vida El Shaddai – Pantokrator).

Por fim, devemos ofertar tudo, os sofrimentos, dificuldades e as alegrias da vida por amor ao Pai. A oferta requer a nossa adesão e o exercício da nossa liberdade de decidirmos colocar nossa confiança em Deus e tudo Dele esperar. Ao decidirmos voluntariamente viver e entregar as situações por amor a Deus, afirmamos a supremacia de Deus sobre o que é temporal e manifestamos nossa convicção de que tudo é Dele, por Ele e para Ele. Quando fazemos este ato de fé, de  ofertar tudo e cada ação diária por amor é imediatamente introduzida na presença e glória de Deus, pois aí transborda a transcendência de Deus e se é feliz por amar a Deus, amar aos amigos e inimigos por amor de Deus e a Deus sobre todas as coisas e todas as coisas pequenas ou grandes no Senhor.

Gabriela da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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