Os Desafios da Vida Missionária

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Quando escutamos a palavra “desafios”, já pensamos logo em dificuldades e no que podemos perder. Raramente pensamos no que podemos ganhar, não colocamos o nosso coração em atitude de esperança e de fé para acreditar que Deus nos permite viver e enfrentar muitos obstáculos em nosso caminhar para encontrarmos algo maior. Se buscarmos viver todas as realidades que a nossa vida nos impõe, na presença de Deus, sempre será possível ganhar algo, porque Deus sempre nos dá coisas muito boas e, das ruins que nos permite viver, Ele sempre tira algo de grande valor e ensinamentos para nós. Deus é Pai e um Pai de bondade incondicional, que olha para nossas intenções e necessidades a todo instante, basta que apresentemos sempre nossas necessidades a Ele. “Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem” (Mt 7, 11).

Descoberta do Chamado

Tenho doze anos de vida missionária na Comunidade Católica Pantokrator. Vejo que a cada época tenho experimentado situações muito diferentes. De início aos meus vinte e três anos, meu maior desafio foi deixar minha profissão de Técnica de Enfermagem e meu sonho de fazer uma faculdade na área da saúde, algo que tanto amava e que me levava a encontrar com Deus através do ato de cuidar da enfermidade do outro. Sentia em meu coração que Deus tinha um plano maior para minha vida, Ele me chamava renunciar à possibilidade de cuidar somente de uma patologia da carne, para cuidar das feridas das almas dos filhos de Dele.

Passei por três casas de Missão no Brasil e em todas Deus me educou para algo maior e mais próximo do coração d’Ele, através de cada necessidade particular que se apresentava. Hoje moro em uma casa de Missão em outro País (Peru) e aqui continuo encontrando, a cada necessidade de evangelização, uma nova oportunidade de cuidar da enfermidade espiritual do outro.

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Ardor Missionário

Nessa caminhada missionária, muitas necessidades da Igreja se apresentaram todos os dias e o desejo do verdadeiro missionário é de socorrer a todas, e de atrair mais vocações para servir a igreja, pois Jesus mesmo disse, “Grande é a messe, mas poucos são os operários” (Lc 10, 2).
São muitas as pessoas de diversas idades e necessidades que gritam de sede da cura de Deus em especial em suas patologias espirituais e isso me faz cada vez mais querer e me decidir a renunciar muitos desejos pessoais, para dar minha vida na igreja e ser canal da vida de Deus para muitos. Santa Teresinha dizia: “Sinto em mim a vocação de Guerreiro, de sacerdote, de apóstolo, de doutor e de mártir”, (História de uma Alma, Manuscrito B). Ela tinha o desejo de realizar muitas coisas por Jesus, todas as obras necessárias, as mais heroicas. Já me vi assim em vários momentos em minha vida missionária; gostaria de fazer muitas coisas ter muitos dons e às vezes dons heroicos e Deus revela a cada dia que o meu maior dom diante de tanta necessidade, é o dom do “Amor”, somente o amor de Deus é capaz de curar uma alma ferida. Assim, então, sigo amando a cada novo desafio diante das minhas incapacidades humanas, pois Deus sempre vem com Sua Palavra e seu Espírito renovando minha confiança Nele, levando-me sempre a uma nova experiência de Seu cuidado e providência na minha eleição, onde faço memória da experiência de São Paulo:
“Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque, quando me sinto fraco, então é que sou forte.” (2Cor 12, 10).

Missão internacional

O missionário, quando está no seu país de origem, muitas vezes sonha em sair para terras distantes e fazer muitas coisas para Deus; porém, não é capaz de imaginar os verdadeiros desafios, que serão encontrados.

Estar longe de sua cultura e idioma nos leva a constantemente pedir e depender da graça do Espírito Santo para entender a maneira que nossos irmãos estrangeiros pensam e compreendem a nossa maneira de pensar, agir, evangelizar e ama-los.

Há a distância de nossos familiares e amigos, a distância dos irmãos de comunidade e de toda a vida fraterna com irmãos e tantos outros detalhes, que para alguns são mais fáceis de lidar, para outros, mais difíceis, mas nos levam a maturidade afetiva e espiritual.

Vivemos desafios na nossa afetividade; crescemos nos laços de amizade com as pessoas. Provavelmente no futuro não estaremos mais próximos fisicamente dessas pessoas que evangelizamos. Tem também aquelas pessoas com quem às vezes passamos apenas um dia ou um instante na vida delas e nunca mais nos encontraremos nesta terra, pois o missionário não tem um lugar, uma cidade ou país fixo por toda a vida, pois ele segue o exemplo e estilo de vida de Jesus: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8, 20).

Porém, em todos esses desafios, existe um mistério que humanamente não compreendemos. São mistérios que nos levam a nos unir cada vez mais a Cruz de Cristo e com ele somos capazes de viver na alegria e confiança de que Deus nos escolheu e nos enviou a esse mundo para dar a nossa vida, como Cristo deu a sua vida na Cruz por amor a todos até chegar ao cume da alegria da Ressurreição.

A certeza da ressurreição é o maior ganho do missionário que aceita livremente viver todos os desafios necessários de seu chamado e levar muitas almas ao Céu, onde Deus espera por todos os Seus filhos, desde os mais pecadores até os mais santos.

Creivânia Soares da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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