Os três porquinhos e a relação com o esforço

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Nada se consegue sem esforço. Conforme vamos crescendo, essa é uma das maiores lições que a vida nos dá, não é mesmo? Se aplica na vida acadêmica, profissional, amorosa, nos sonhos e até mesmo em objetivos mais pontuais como emagrecer ou juntar dinheiro para comprar um carro. Aparentemente, as pessoas aceitam isso com certa facilidade. Quem quer, dá todas as forças que possui para fazer acontecer, custando o que custar na maioria das vezes. É engraçado, por outro lado, que quando se trata da santidade e de alcançar o bem, o empenho ao se esforçar é abalado com muita facilidade, o que não ocorre com as outras situações tão comumente.

Não preciso nem perguntar para saber que você já ouviu a história dos três porquinhos em algum momento da sua infância. Aposto que você, assim como eu, se indignava com a burrice dos dois porquinhos que construíram casas de palha e de madeira, e torcia para o único inteligente que construiu uma casa de tijolos. Numa mentalidade infantil, é muito provável que você se questionou bastante sobre por que raios alguém em sã consciência iria ser louco o suficiente para construir uma casa tão vulnerável a ser destruída. Mas hoje em dia, se pararmos para pensar, eu e você somos os próprios loucos que constroem casas de palha e madeira constantemente, não dando a mínima importância para o lobo que anda solto por aí.

Com uma mente crescida, não é difícil notar que o problema dos dois primeiros porquinhos era a aversão que tinham ao esforço, ou em outras palavras, a preguiça que possuíam. Nenhum deles queria gastar tempo e força para erguer uma casa segura, ainda que soubessem sobre o perigoso lobo e até mesmo o temessem. A preguiça é isso: há consciência das consequências, e até há vontade de evitar o pior cenário de uma situação, mas essa vontade é fraca. Frágil. Se desfaz com o vento. Por que isso acontece?

As pessoas são preguiçosas pois se engajar em alguma atividade demanda gasto de energia e abandono da zona de conforto. Mas indo mais além, tudo isso só acontece quando essa suposta “atividade” não é a prioridade na sua vida. Quando temos algo como prioridade, nossa postura muda. O esforço passa a ser apenas um detalhe. Importa muito mais o objetivo final do que os meios para o conseguir. Foi nisso que esbarraram os dois porquinhos: tinham medo do lobo sim, mas sua prioridade era brincar. Construíram uma casa de qualquer jeito, porque o importante era sobrar tempo para a diversão e o prazer. Assim como muitas vezes o prazer acaba também vindo antes da nossa construção do bem e do nosso lugar no Céu. No fim, não há mais o mesmo esforço. Há preguiça.

Se não é o prazer, são nossos estudos, nosso crescimento profissional, nossos relacionamentos. A gente sempre dá um jeito de colocar coisas na frente do que deveria ser o mais importante. Coisas boas e até mesmo recursos para buscar o bem, mas apenas se colocadas no seu devido lugar. Construir o bem e a santidade é como construir um castelo. Soa empolgante. Ansiamos pelo resultado. Mas a jornada é árdua. Não podemos nos dar o luxo da preguiça, pois o lobo (demônio) se aproveita dela.

esforço

A falta do esforço pode até nos levar a resultados concretos. Os dois porquinhos tinham suas casas, no final das contas. Mas casas construídas num empenho mesquinho são facilmente derrubadas pelo lobo, como vemos na história. A palha com mais rapidez, talvez, mas não se deixe enganar: a madeira também é levada pelo sopro. Às vezes somos o primeiro porquinho: temos total noção de que nosso esforço é mínimo e nossa construção é instável. Só que às vezes somos o segundo porquinho, o que é muito mais perigoso! Olhamos para o primeiro e por comparação pensamos que estamos muito bem. Nos enganamos. Achamos que fazemos o esforço suficiente, nos acomodamos no meio-termo, no morno, e ficamos confiantes de que nossa madeira não será destruída como a palha. Só que essa não é a verdade, não é o que acontece.

Precisamos ser determinados no esforço como o terceiro porquinho, na luta pelo bem não existe espaço para meias medidas. Ele pacientemente construiu com tijolos, e quando veio o sopro do lobo sua casa não foi destruída. Levou mais tempo, gastou mais forças, mas no fim ele ganhou uma coisa a mais. Após terminar, conseguiu seu momento de lazer como seus irmãos, mas acima disso estava seguro. O último porquinho só pôde vencer a preguiça e alcançar seu objetivo porque ele sabia de verdade qual era sua prioridade: se proteger do lobo. Ele tinha verdadeira noção da vulnerabilidade que estava. Não era uma consciência distante, era concreta.

Por isso, não tenha uma consciência distante da importância da santidade na sua vida. Não espere o inimigo derrubar a sua casa para você entender isso de uma vez por todas. Pode ser que seja tarde demais. Pode ser que não haja um irmão com uma casa de tijolos por perto para te socorrer. Tente retomar o pensamento infantil que compartilhamos acima no texto: não sejamos burros em construir casas de palha! Você não precisa provar do mal para escolher o bem como sua prioridade e então lutar fervorosamente para alcançá-lo. Não tenha medo do esforço. É por ele que todas as suas conquistas já vieram, e será por ele que a maior conquista da sua vida, o Céu, também virá.

Giovana Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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