Partilhas de Vida são como “Colchas de retalhos”

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Partilhas de vida são como colchas, costuradas pelos “retalhos” daquilo que trocamos uns com os outros: afetos, informações, experiências, encorajamento, consolo, exortações…

Até o fim de nossas vidas, estaremos sempre a “tecer nossas colchas”, através do nosso relacionamento com os demais.

O processo de tecer a colcha 

Sempre que nos encontramos com alguém (intencionalmente ou por acaso) e conseguimos “mergulhar na alma” um do outro, partilhando a vida, podemos dizer que “trocamos nossos retalhos” com este alguém. Nos dias atuais é possível que esta troca profunda também aconteça através de mensagens de texto, ligações, mensagens em forma de áudios ou vídeos. O que importa é que nestas relações o coração esteja “por inteiro”, e que haja uma disponibilidade de se estar em comunhão.

Somos libertos do egoísmo quando deixamos a “tesoura da partilha” “cortar um pedacinho de nós mesmos” para dar ao outro. Isto se dá quando ofertamos nosso tempo para acolher o que ele tem a nos dizer, quando oferecemos nossos aprendizados para ajudá-lo, nossa alegria para celebrar suas conquistas, nossas histórias de vida e até mesmo nossos bens materiais. Não tenhamos medo da generosidade, pois: “Há maior alegria em dar do que em receber”. (At 20,35) O generoso não se contenta em dar somente o “pedacinho de retalho”: ele dá também um lacinho que enfeitava sua colcha, um botãozinho, uma pedraria, um trecho de renda. Quando nos damos em partilha, nunca saímos de “mãos vazias” – justamente quando exercemos o papel mais generoso, nossa alma sai revigorada e “descansada”.

Uma partilha é mais fecunda quando paramos para assimilá-la: reconhecer o que foi importante daquilo que se ofereceu e do que se recebeu, os pontos fortes, o que poderia ter sido melhor e até possíveis erros, omissões, falas mal colocadas. Isto nos ordena para as próximas partilhas de vida. Esta assimilação se compara à organização dos retalhos, para serem dispostos de maneira mais bela no “’tecimento’ da colcha”: qual formato se encaixa em qual, que cor é mais interessante perto desta outra, qual textura é melhor ficar longe daquela… E assim podemos “costurá-los” de maneira ordenada, tendo como “linha” o dom do Amor, que vem de Deus.

É o que “levamos da vida”…

Cultivar este hábito de Comunhão é tão importante, que reflete a unidade no Amor vivida pela Santíssima Trindade: Pessoas diferentes que se complementam, na unidade misteriosa de serem Uma Só!

Viver a unidade entre nós (que somos tão diferentes uns dos outros) é algo desejado por Deus: “Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em mim e eu em Tí, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste”. (Jo 17,21)

Jesus deu o maior exemplo de Comunhão, na Última Ceia, quando reuniu os seus e generosamente se ofertou em serviço (ao lavar os pés dos Discípulos) e em amor, que culminou na entrega de sua própria vida, deixando-nos a Eucaristia como “Herança”! Todos os dias podemos ter acesso ao Cristo Eucarístico, doado sem reserva. Na Hóstia Consagrada temos Seu Corpo dado por inteiro, juntamente com sua Alma e sua Divindade. Sem reservas!

Deixemos ecoar o mandato de Jesus, dirigido originalmente a Pedro, mas vale para cada um de nós: “Tu me amas? (…) Apascenta minhas ovelhas.” (Cf Jo 21,15-17) Viver esta Unidade que discorremos no texto, de maneira fecunda, é cumprir o que Ele nos pede.

Desejo que Deus te dê sabedoria para costurar a “colcha de retalhos” de sua vida! Que você possa contemplar com alegria a beleza exuberante de seus detalhes, texturas e cores! E que ela muito te descanse!

Luiza Torres de Jesus
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator 

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