Patriotismo para um Brasil Gigante

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patriotismo

Vivemos um momento social conturbado em nosso país. Anos de ideologias imperando e formando as consciências  forjaram um país dividido, uma sociedade  rompida pelo sentimento do “nós contra eles”. O esquerdismo, que por princípio coloca classes em conflito preparando o caldeirão da revolução, em muito contribuiu para essa realidade.

Nesse contexto ideológico, perdemos também as heranças, que estão sempre mais para o “retrógrado” e “obscurantismos” do que para cultura e sabedoria herdadas pelos antigos. Gerações sobre gerações construíram no tempo de séculos e milênios um depósito de sabedoria. Por isso diz Russel Kirk que somos “anões em ombro de gigantes”. A geração de hoje só tem amplos horizontes porque está sobre as gerações passadas. Porém, 1 ou 2 gerações, de repente, declaram ser trevas costumes e valores dos seus pais e avós. Embora isso seja um fenômeno mundial, no Brasil tem impactos ainda maiores. Em meio ao estigma do “vira-lata” e diante de um grande atraso econômico e social, fruto de uma corrupção institucionalizada, ao brasileiro restam muito poucos motivos para se orgulhar de sua nação. Daí a grave crise de patriotismo em meio ao nosso povo.

 Como ser patriota numa pátria sem identidade, sem heranças? O patriotismo é o amor ao que vem dos pais, como a etimologia da palavra “patriota” sugere. Em Memória e Identidade, São João Paulo II afirmava que “o termo pátria está relacionado com o conceito e a realidade concreta de pai (pater). Em certo sentido, a pátria se identifica com o patrimônio, isto é, o conjunto de bens que herdamos de nossos pais…”

No Brasil, os heróis da pátria são esquecidos, e às vezes até debochados, porque não servem às ideologias reinantes. Diante disso, ao brasileiro resta um patriotismo meramente naturalista e alguns heróis esportistas. As belezas naturais são exuberantes, sim, mas elas não são fruto do trabalho heroico de um brasileiro. Os heróis esportistas têm seu valor, sim, mas não podem ser enquadrados como os heróis da pátria, ou pais da pátria.

luz da fé

Ser patriota é venerar suas heranças nacionais e ser capaz de exercer os deveres cívicos referentes a esse legado. Daí a importância do patriotismo. Sem ele, facilmente se enfraquece o senso cívico. Sem identidade, sem heranças centenárias, fica a sensação de que não se tem nada a zelar por aqui. Então, especialmente entre os jovens, os que podem, querem sair do país; aos que ficam, prevalece a sensação que não se tem nada a construir por aqui, a não ser um futuro pessoal e medíocre. Sem civismo patriótico, tudo parece ser permitido e os potenciais do país são manipulados pelos interesses pessoais. A nação, assim, parece mais um caldeirão de corrupção e degradação de valores do que um país a construir para as gerações futuras.

Então, se queremos mudar os rumos do Brasil, é importante semear patriotismo em nossos jovens. A meu ver, isso passa por várias ações. É preciso, sim, valorizar o patriotismo naturalista, o patriotismo esportivo, mas, mais importante ainda, é preciso resgatar as identidades nacionais e suas heranças. Porém, isso sem vieses ideológicos, especialmente de luta de classes, que coloca os grandes heróis sempre como opressores, a as mais elevadas heranças, como cultura dominante a ser eliminada.

Em minha opinião, como nação, estamos no fundo do poço. As crises institucionais, políticas, culturais, econômicas e democráticas revelam isso. Pode parecer pessimista, mas nem tanto, porque agora só nos resta subir, escalar as paredes desse poço, e sair dessa crise. O poço não será tão fundo se tivermos a humildade e ousadia de subir nos ombros das gerações passadas e, então, descobriremos as grandezas do nosso povo, o gigante que podemos ser.

André Luis Botelho de Andrade
Fundador e Moderador Geral da Comunidade Católica Pantokrator

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