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Paulo, o homem transformado por Cristo!

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Paulo nasceu entre os anos 5 e 10 da era cristã, em Tarso, capital da Cilícia, na Ásia Menor, cidade aberta às influências culturais e às trocas comerciais entre o Oriente e o Ocidente. Descendente de uma família de judeus da diáspora, pertencente à tribo de Benjamim, observava rigorosamente a religião dos seus pais, sem recusar os contatos com a vida e a cultura do Império Romano. Os pais deram-lhe o nome de Saul (nome do primeiro rei dos judeus) e o apelido Paulo. O nome Saul passou para Saulo porque assim era este nome em grego. Mais tarde, a partir da sua primeira viagem missionária no mundo greco-romano, Paulo usará exclusivamente o nome latino Paulus, pelo qual ficará conhecido. Paulo significa “pequeno”.

Recebeu a sua primeira educação religiosa em Tarso. A partir do ano 25, vai para Jerusalém, onde freqüenta as aulas do Rabi Gamaliel (cf. At 22, 3), mestre de grande prestígio, aprofundando com ele o conhecimento da Torah, a Lei de Moisés (Pentateuco). Tinha aprendido também uma profissão manual e áspera: era fabricante de tendas (cf. At 18, 3), o que lhe permitirá futuramente sustentar-se pessoalmente sem pesar sobre as igrejas (cf. At 20, 34; 1Cor 4, 12; 2Cor 12, 13-14). Aprende a falar e a escrever aramaico, hebraico, grego e latim. Deus o preparava para falar publicamente em grego ao tribuno romano, em hebraico à multidão em Jerusalém (cf. At 21, 37.40) e catequizar hebreus, gregos e romanos…

O encontro com o Senhor: surgimento do novo homem

Ainda adolescente, sem idade para poder apedrejar, assistiu ao martírio do diácono Estêvão, o primeiro mártir da Igreja (cf. At 8,1). Hebreu convicto, perseguia os cristãos porque os considerava hereges, como uma seita contrária à verdadeira fé, que ameaçava a autoridade religiosa do judaísmo. No ano 35, quando tinha cerca de 30 anos, na sua luta contra os cristãos, Saulo chefia um grupo que vai galopando para Damasco, com autorização dos sumos sacerdotes, para eliminar um grupo de cristãos e levar os seus chefes algemados para Jerusalém.

No caminho, já próximo de Damasco, viu-se subitamente envolvido por uma intensa luz vinda do céu e lhe apareceu Cristo Ressuscitado, que disse: “Saulo, Saulo, porque Me persegues?” Saulo perguntou: “Quem és Tu, Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Agora, levanta-te, entra na cidade e aí te dirão o que deves fazer” (At 9,1-7). Perseguindo os membros da Igreja, Paulo perseguia Cristo, que é a sua Cabeça.

Após o diálogo com Cristo Ressuscitado, Paulo, de perseguidor dos cristãos torna-se um homem novo, aplicando-se primeiramente a ele mesmo o que disse: “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!” (2Cor 5, 17). Torna-se o mais ardente missionário do Evangelho; irá dedicar o resto da sua vida a Cristo, numa contínua identificação com Ele, ao ponto de poder dizer: “Para mim, viver é Cristo” (Fl 1, 21); “Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

De fato, desde aquele momento, começa para Paulo uma nova etapa da vida, uma grande aventura que o levará por montes, desertos, mares, aldeias e cidades do Mediterrâneo Oriental e que terminará em Roma, com o martírio. Ananias, sacerdote judeu-cristão, faz a iniciação cristã de Paulo e administra-lhe o Batismo (cf. At 9,18). Jesus, falando de Paulo, disse a Ananias: “Esse homem é um instrumento que escolhi para anunciar o Meu Nome aos pagãos, os reis e ao povo de Israel. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve sofrer por causa do Meu Nome” (At 9,15-17).
Sempre atento à voz de Deus, Paulo é conquistado por Cristo. Reconhece que está no caminho errado e decide pronta e corajosamente mudar de rumo. Passou a pregar para os judeus (At 9,23); mas é perseguido pelos seus antigos colegas e tem de fugir para o deserto da Arábia, situado entre os rios Jordão e Eufrates, para se encontrar com Deus e amadurecer a sua vocação. Paulo terá dedicado esse tempo à sua formação, a interpretar em sentido cristão a leitura rabínica das Escrituras e as tradições religiosas de Israel.

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Para todo israelita – e para Paulo – a Lei era luz, sabedoria, justificação e salvação, o seu orgulho e sustentáculo. Inicialmente esculpida por Moisés em pedras, era exterior ao homem, que depois a interiorizava através do estudo e observância rigorosa. Na Nova Aliança estabelecida por Cristo, com a sua Morte e Ressurreição, é o próprio Deus que infunde uma “lei nova” no coração do homem, dando-lhe o seu Espírito (cf. Jr 31-33; Ez 36,26). A Lei Nova, que substitui a Lei Antiga, é um dom de Deus que o homem deve acolher através da fé. É a ação de Deus no homem que O acolhe e a Ele se abre. Para Paulo, Jesus Cristo veio ocupar o lugar que a Torah (Lei) ocupava na sua mente e coração dos judeus. A Lei Nova substitui a Lei Antiga. Jesus é para ele o fim da Lei, é a Nova Aliança, a nova criação, é o único mediador da justificação e salvação do homem.

Jesus Cristo é o seu ponto de referência; é com Ele que relaciona todo o seu ser.

Tudo sacrificou por Cristo. Para ele, o viver é imitar Cristo, anunciá-l’O e servi-l’O. Jesus Cristo aparece como a razão profunda da história e do futuro do homem: “Cristo, a glória esperada, está em vós.” (Cl 1,27). Cristo é o fundamento em que se apóia, é o sangue que o faz viver, o modelo que ele procura imitar, é a meta que procura alcançar. Jesus faz nascer nele o ser novo, a “nova criatura” e o “homem interior” (cf. 2Cor 4,16). Jesus Cristo estava sempre diante dos seus olhos e no seu coração. Aplica a Cristo tudo o que São João, no início do seu Evangelho, aplica ao Logos. Transfere para Cristo todas as qualificações fundamentais da Torah. Assim, para Paulo, Jesus Cristo é vida, luz, sabedoria, salvação, norma de vida, água viva, fonte de graça e de justificação, Criador do Universo, Filho de Deus, que Se encarnou por obra do Espírito Santo. Paulo passou a ter com Cristo a relação que tinha com a Torah. O credo de Paulo é estar com Cristo, viver com Cristo, entrar em comunhão com Cristo, participar no mistério da Sua Morte e Ressurreição, receber o Espírito Santo, conformar-se a Jesus, cristificar-se, unir-se a Jesus e seguir os Seus passos até ao ponto de dar a vida.

Quando preso em Cesaréia, Paulo apela para César e o governador Festo envia-o para Roma, aonde chegou na primavera do ano 61. Viveu dois anos em Roma em prisão domiciliar. Sofreu o martírio por decapitação – privilégio por ser cidadão romano – no ano 67, no final do reinado de Nero, na Via Ostiense, a 5 quilômetros dos muros de Roma. Paulo é chamado de “Apóstolo” (o 13º!) por ter sido o maior anunciador do cristianismo depois de Cristo. Dentre as grandes figuras do cristianismo nascente a seguir Cristo, Paulo é, de fato, a personalidade mais importante que conhecemos. É uma das pessoas mais interessantes e modernas de toda a literatura grega. Sua Carta aos Coríntios é das obras mais significativas da humanidade.

Paulo nos transmite uma lição muito fecunda: devemos colocar no centro da própria vida a Pessoa de Jesus Cristo, para que a nossa identidade de cristãos se distinga essencialmente pelo encontro, pela comunhão com Cristo e com a Sua Palavra. À Sua luz, todos os valores são reordenados e encontram seu verdadeiro lugar, tudo se reveste de um novo sentido. Que, sob a graça do Ano Paulino, a vida de São Paulo nos sirva de inspiração, para que abramos as portas de nosso ser a Cristo. Permita que ELE transforme você! E então, tudo se fará novo em sua vida e, a partir de você, Cristo irá se irradiar para o mundo inteiro.

Fonte:

Fonte:<https://www.saopauloapostolo.net>

Kátia Maria Bouez Azzi
Consagrada na Comunidade Católica Pantokrator

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