Por que dizem que os cristãos precisam ser bonzinhos?

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Por inúmeros motivos e fatores, ao longo dos anos, a imagem dos cristãos começou a ser fortemente associada a uma personalidade pacifista e tranquila. Quase hippie. A pregação do amor e da paz, tão fundamentais no cristianismo, acabou sendo distorcida pelas mudanças culturais de modo que chegasse a ser estranho um cristão portar o temperamento mais quente ou uma esperteza audaciosa. Quase soa como se não encaixasse, como se estivesse errado. Mas não nos deixemos enganar: o cristão não foi feito para ser uma pessoa sem atitudes, boba e alheia aos conflitos. Muito pelo contrário! Somos chamados a ser soldados e somos enviados a um campo de batalha.

Deus nos criou com personalidades e temperamentos diferentes; e isso é belo. Nossas características são dons; e é através delas que podemos amar o próximo e viver a complementariedade entre irmãos. A Igreja é chamada a essa comunhão. Por isso, o cristão não precisa forçar para se encaixar em nenhum tipo de padrão de comportamento específico, muito menos aquele que o coloca como “bonzinho demais”, bobo ou manipulável. É lógico que muitas características que temos não são virtuosas e devem, sim, ser convertidas, mas não se esqueça que às vezes uma mesma característica não é em sua essência má; o que é mau é como a utilizamos. A conversão está em aprender a usar aquilo que Deus nos deu para alcançar o Céu.

Todos nós fomos enviados a um campo de batalha e precisamos usar as armas que o Senhor dá individualmente para cada um nessa luta. É Ele quem nos diz “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” (Mt 10, 16). Quando Jesus proclama essas palavras, Ele faz diversas comparações que soam um pouco contrastantes. Primeiro, nos coloca como ovelhas. Depois, como serpentes e, por fim, como pombas. O que isso significa?

Ao nos comparar com ovelhas, Jesus aponta a nossa fragilidade. A ovelha é um animal indefeso, não possui as garras de um lobo. O Senhor, assim, nos avisa que passaremos por tribulações e que Ele será o nosso sustento. Mas isso não significa que precisamos ser burros! Ao nos comparar com a serpente, Ele nos incentiva a ser inteligentes e não nos deixar enganar pelo mundo. Temos que buscar ser ativos, atentos, e prudentes. Não podemos ter medo de dizer não, medo de se impor, medo de lutar pelo que é certo. A ovelha é frágil, mas, com o Senhor, ela não tem medo. E por fim, o Senhor nos exorta ainda a ser simples como as pombas, ou seja, a ter humildade. A humildade é a mãe de todas as virtudes; sem ela, todas as outras são prejudicadas.

Portanto, é necessário que entendamos de uma vez por todas que ser cristão não é ser uma pessoa mole, tapada, pacifista e que diz sim pra tudo. Ser cristão é buscar virtudes e entender os dons particulares que Deus destinou a sua vida, para, então, encontrar o seu lugar na batalha. A moleza espiritual e comportamental é, na verdade, um grande risco para o cristão. Ela abre portas para influências mundanas, relativismo, comodismo e diversas outras questões que prejudicam a fé. Um cristão precisa ser determinado e firme; para isso, algumas vezes ele não poderá ser “bonzinho”.

Cristo não foi “bonzinho” ao expulsar os vendedores do templo. Cristo não deixou de dar respostas firmes quando necessário; os primeiros cristãos da história nunca abaixaram a cabeça para aquilo que era injusto e os impedia de anunciar o Evangelho. Por isso, temos na história situações como as Cruzadas, Cristiadas e diversas lutas que resultaram em martírios que regam, até hoje, a Igreja.

O amor cristão é Cruz. A paz cristã é a confiança no meio da batalha que existe e não podemos ignorar. O cristão é exército. Não podemos mais ter medo de assumir o que somos, com os dons que temos, para anunciar a boa nova da Salvação.

Giovana Cardoso
Postulante na Comunidade Católica Pantokrator 

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