Por que me sinto triste toda segunda-feira?

Por que me sinto triste toda segunda-feira?

O relato do Livro do Gênesis mostra a maravilha da Criação de Deus, que, ao contemplá-la, diz: “Tudo é bom!”; porém, quando Deus cria o homem, diz: “Muito bom!”.

Deus fez o homem à Sua imagem e semelhança, contendo os dons e a dignidade de Deus.

No entanto, com a entrada do pecado pela queda dos nossos primeiros pais, toda essa maravilha e beleza foram perdidas, sendo o homem retirado do paraíso e da comunhão íntima com Deus, perdendo também os dons preternaturais.

Como consequência do pecado, surge a necessidade do trabalho: “Com o suor do teu rosto comerás o teu pão, até que voltes ao solo, pois da terra foste formado; porque tu és pó e ao pó da terra retornarás!” (Gn 3 , 19).

O pecado gera em nós interiormente uma desordem, um estado contrário à graça de Deus e a tudo o que é de Deus. De modo que, em muitas situações somos tomados por um cansaço interior, um estado triste interno sem motivo ou causa especifica, mas apenas a sensação, muitas vezes corriqueira e já acostumada, adaptada ao cotidiano.

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A tristeza do domingo à noite

Essa sensação é comum ser percebida e, em um número cada vez maior de pessoas, nas noites de domingo, antecedendo o retorno para o trabalho diário às segundas-feiras.

Quem nunca ficou acordado até altas horas, muitas vezes assistindo à TV, mas sem um desejo claro e consciente, apenas por não conseguir dormir, pois não quer enfrentar ou tenta adiar o dia e a semana que virá?! É ao mesmo tempo um ato contraditório, pois deveríamos descansar a fim de nos preparar para os desafios e metas a serem atingidas, mas nos cansamos nessa paralisia, buscando aproveitar um descanso que não nos restaura. E é também um momento depressivo, de tristeza frente à vida.

Há uma confusão entre descanso e ficar sem fazer nada.

Culturalmente, pensamos que o ficar na frente da TV é descansar, ou ficar sem fazer nada é um descanso. Mas o descanso tem a ver com aproveitar os momentos que se tem de modo sadio e equilibrado, visando a um crescimento relacional, familiar, social e comunitário.

O descanso capacita o homem, não o paralisa como uma máquina que precisa ser resfriada! Não somos máquinas, somos homens e precisamos viver como homens.

Há de modo errôneo uma cultura do “levar a vida numa boa”, do ter sem se esforçar, do ganho e gozo sem o mínimo esforço. Porém, essa cultura, esse jeito de ser e de fazer, precisa ser ordenada pela fé em Cristo. Isso é um sinal concreto de desordem causada pelo pecado em nós.

Não estou querendo aqui minimizar o descanso, mas, pelo contrário, exaltá-lo, pois o próprio Deus descansou. Assim, devemos vivê-lo com equilíbrio, aproveitando tudo o que ele pode nos ofertar.

Cristo, o sentido do descanso e do trabalho!

Faz-se necessário uma incessante busca de reordenar nossos sentimentos internos e externos, buscando o real sentido de cada coisa. É fundamental entender que este “sentido” vem a partir do encontro pessoal com Cristo, ou seja, a partir do encontro com Cristo, esta carne marcada pelo pecado e pela desordem pode ser ordenada pela graça abundante que Cristo nos dá.

Assim, o trabalho, a atividade a que você é chamado a cada dia, seja socialmente importante ou mais destacada, ou aquelas não tão destacadas, se é financeiramente suficiente ou não, é lugar da graça e do encontro com Cristo. Essa sensação de tristeza demonstra que o seu dia não está mergulhado, integrado em Cristo que é o sentido e destino de todos nós.

Primeiro passo: perceber que ainda não houve um romper com o pecado e as consequências do pecado em nossas vidas.

Segundo passo: aceitar as condições atuais de vida, buscando encontrar sinais do amor de Deus e de Sua vontade em todas as coisas.

Terceiro passo: conformar-se com o cotidiano, fazendo e buscando nele um encontro com Cristo, descobrindo que Deus tem uma missão para você neste trabalho, nesta atividade que somente você pode realizar e que precisar ser assumida com toda força e alma, de modo a afastar todo desânimo, toda contrariedade, toda murmuração e brechas para o demônio agir em nossas vidas.

O trabalho é o lugar de transbordar nossa esperança em Cristo e no céu, assim como diz Paulo a Tito: “Cristo veio para ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”. (Tt 2, 12-13).

Viva com a alegria e o entusiasmo que vêm do encontro íntimo com Cristo, para construir o Reino de Deus nesta terra!

Julio Della Torre
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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Category: Artigos Pantokrator

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